(Fotos: Acervo Pessoal)

No dia 7 de abril é comemorado o Dia do Jornalista e não podíamos deixar de falar sobre essa data que homenageia o trabalho dos profissionais da mídia, responsáveis por apurar fatos e levar as informações sobre os acontecimentos locais, regionais, nacionais e internacionais para as pessoas, de maneira imparcial e ética. Seja na internet, na rádio, na televisão ou nos jornais impressos, o jornalista deve sempre trabalhar tendo como base a imparcialidade e fontes de informação confiáveis.

A jornalista são-mateuense recém-formada Cláudia Eduarda Burdzinski, de 23 anos, que atua como repórter na Rádio Difusora do Xisto, revela que o dia a dia da profissão é uma loucura e desafiador em todos os aspectos e diariamente. “Rotina não existe e isso é o mais legal da profissão: a oportunidade de falar sobre tudo, sem saber o que vai acontecer daqui uns minutos, se vai surgir alguma pauta inesperada ou algo do gênero”, completa.

De acordo com ela, muitas vezes deixa de fazer coisas em sua vida pessoal em prol de um bem maior, que é a informação. “É preciso ter muito cuidado, pois existem pessoas que usam desse alcance do profissional jornalista para bens próprios”, comenta. Cláudia cita a frase de John Voelcker para resumir a profissão: “Se alguém diz que está chovendo, e outra pessoa diz que não está, seu trabalho é olhar pela janela e descobrir quem está falando a verdade”.

Questionada sobre os desafios da profissão, Cláudia destaca que uma das coisas que mais pesam é a falta de respeito com o profissional, principalmente vindo de lideranças políticas. Já dizia George Orwell: “Jornalismo é publicar tudo aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

Para quem deseja trabalhar na área da mídia, Cláudia diz que é preciso coragem e criatividade. “Coragem para enfrentar pessoas tentando desrespeitar o seu trabalho, e criatividade para mostrar para essa mesma pessoa por meio de suas pautas o quão importante é a sua profissão”.

O que motiva Cláudia é ouvir as pessoas relatando “o quão importante a informação que eu trouxe ajudou. É gratificante também ter a oportunidade de contar histórias de pessoas que marcaram a história, e torná-las reconhecidas pelos seus feitos!”.

Segundo Cláudia, seus amigos e familiares são fundamentais para que os estresses, medos e alegrias sejam lidados da melhor forma possível com os desafios da profissão.

Sobre Cláudia

Cláudia nasceu em 1999, no dia 7 de abril, que por “coincidência” do destino, dia em que se comemora o Dia do Jornalista. “Acho um máximo falar para as pessoas essa coincidência que eu descobri no meu primeiro ano de faculdade. Esse é o primeiro ano que comemoro meu aniversário oficialmente como Jornalista e nunca na minha infância imaginaria que meu destino fosse traçado de uma forma tão certa e que tão jovem, estivesse me encontrado numa profissão que exige cada vez mais coragem”.

Conforme ela, é uma jovem que busca fazer a diferença no lugar que vive. “Desde muito pequena gostava de encontrar formas de me sentir útil para as pessoas em minha volta, seja ajudando com alguma dica de lugar para comer, ou até mesmo entrando em contato com outros setores para encontrar respostas para pequenos problemas”, conta.

Com o tempo, Cláudia percebeu que poderia trabalhar fazendo exatamente isso, só que com proporções maiores.

É formada no curso técnico em meio ambiente e essa formação “me ajudou muito a moldar o amor que sinto por São Mateus do Sul, pois com alguns projetos pude participar de diversas ações ligadas a educação ambiental local e conhecer pessoas engajadas com o tema. Com esse projeto, descobri o potencial da cidade que vivo”.

Começou a trabalhar aos 17 anos como Cerimonialista na JW Cerimoniais, mas ainda na infância tinha muita vergonha de falar em público. “Teatro e apresentações me ajudaram muito a melhorar isso”, revela.

Foi missionária da Igreja Católica por três anos, onde conheceu lugares e pessoas que até hoje marcam a sua vida.

Como tudo começou

Cláudia nunca pensou em ser jornalista na sua infância. “Até quando me perguntavam sobre o que eu queria ser quando crescesse, desviada do assunto. Sempre gostei muito de fotografia e tinha o costume de postar alguns registros nas minhas redes sociais. Certo dia a Thaís Siqueira, proprietária da Gazeta Informativa, perguntou se poderia colocar uma foto minha, no jornal impresso e nossa, foi a oportunidade mais legal que encontrei para isso”, conta.

A foto saiu no “Espaço do Leitor”. Era uma paisagem da cidade, lá em 2016. “A partir de então, sempre que eu tirava alguma foto pensava se ela teria ou não potencial de ser publicada. Meu pai me ajudou a guardar esses registros impressos, pois ia comprar na banca os exemplares que tinham o meu nome referenciando as imagens. Caramba, era mágico!”, relembra emocionada.

Com frequência Cláudia enviava fotos para o jornal, até que um dia, além de foto, “enviei meu currículo para a Thaís, que de primeira me chamou para uma entrevista e produção de uma pauta. A minha primeira publicação foi sobre o Lar dos Velhinhos em Rio Azul. Nunca vou esquecer disso”.

Segundo Cláudia, trabalhar por três anos no jornal Gazeta Informativa foi uma experiência que a moldou como profissional e foi a porta de entrada para que as pessoas lhe conhecessem. Começou a trabalhar em 2017, ainda como estagiária. Estava no fim do curso técnico, mas nesse tempo, já estava de olho em faculdades na região que ofereciam curso de Jornalismo.

Começou a faculdade de Jornalismo em 2018 e com isso as responsabilidades no jornal também aumentaram. Era responsável por produzir as pautas, entrevistas e redigir tudo para que os leitores conhecessem seu trabalho. “Com certeza as reportagens especiais e de perfil me aproximaram ainda mais da população. Nossa cidade tem muita história linda! Obrigada Thaís e toda a equipe pela oportunidade que transformou a minha vida. Agradeço por acreditarem em uma jovem de 18 anos sem experiências profissionais, pois é esse apoio que mais jovens nessa idade mereciam ter”, expõe.

Para Cláudia, é quase inacreditável pensar em tudo que passou no jornal. “Foram 135 edições que os leitores pararam para conhecer o meu trabalho que estava se aperfeiçoando. Pude conviver com pessoas que hoje são tão especiais que não sabem o quanto me amadureceram. Devo muito a elas pela profissional que eu sou hoje. Erros? Tive muitos! Mas acreditando que a partir deles eu estava passando da fase de sonhar que tudo era perfeito”.

Depois de três anos, Cláudia sentiu a necessidade de ir para outra área do Jornalismo, e trabalha desde 2020 na RDX FM, primeira rádio da cidade. “Está sendo uma experiência completamente diferente. No jornal a produção era semanal, e no rádio e portal de notícias a todo o momento preciso estar preparada para trabalhar conteúdos factuais. Até brincamos internamente que trabalhamos 24h por dia, 7 dias da semana – e não estou reclamando disso, é legal demais estar sempre atento a tudo. Engraçado que há alguns dias cheguei a postar uma reportagem às 3h da madrugada sobre um incêndio. Esse frio na barriga em colocar algo que as pessoas vão se interessar em saber mais é impagável”.

Com o coração apertado, mas extremamente grato, Cláudia se despediu da Gazeta Informativa. “O jornal me fez crescer e me deixa feliz em perceber que colaborei para o crescimento dele também. À equipe do jornal: vocês não fazem ideia do quanto esse espaço me trouxe novos horizontes. Aqui sempre será a minha primeira ‘casa’. Aos leitores: obrigada por acompanharem tudo que escrevi por aqui, foi tudo para vocês! E à nova pessoa que será responsável pela redação no meu lugar: abrace o jornal tanto quanto eu abracei! Saiba que aqui será uma das principais vitrines para mostrar quem realmente você é e seus propósitos. Sucesso, juízo e boas histórias! Nos vemos por aí”.

Cláudia ama ter a oportunidade de levar informação de confiança para diferentes tipos de pessoas. “De doutores à senhorzinhos que moram no interior. Sabe, com a rádio alcancei um público completamente diferente, e essa simplicidade que vem do interior me motiva cada vez mais a levar para eles conteúdos sérios e que façam a diferença”.

Hoje, Cláudia tem a certeza que sua vida pessoal e profissional são uma só. “Não poderia deixar de agradecer a todos que me apoiam, a equipe da rádio, minha família e amigos. Tem dias que é perrengue, mas no final, fazer as pessoas serem lembradas com uma reportagem, é minha maior recompensa de vida”, diz.

Para o futuro

Cláudia gosta e apoia muito o jornalismo local e regional. “Pretendo no futuro me especializar na área em uma pós-graduação e mestrado. Fotojornalismo também é uma área que me agrada muito e que tenho interesse em dedicar um tempo de estudo só para isso, talvez registrando imagens de outra cultura que não seja da minha convivência”, conclui.

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