Educação e Cultura

Profissionais da Educação fazem mobilização em São Mateus do Sul

Fotos: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa

Durante essa semana de 02 à 06 de fevereiro de 2015 estão acontecendo em todos os municípios do estado do Paraná, mobilizações da categoria dos Profissionais da Educação Estadual (professores(a), agente I [cozinheiras, serviços gerais] e agente II [auxiliar administrativo]) motivados por vários desrespeitos do governo do Paraná para com a categoria.

As mobilizações estão de acordo com orientações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP), entidade sindical que representa os profissionais da educação junto ao governo estadual, e se constituem numa das formas de pressão da categoria para que os direitos conquistados sejam respeitados e cumpridos.

Em São Mateus do Sul, a mobilização aconteceu quarta-feira, 04, em defesa dos direitos dos profissionais da educação, organizada por Lisângela Bueno Samistraro, Patrícia Jonson e Paula Degraf. Todos os profissionais da educação das Escolas Públicas Estaduais de São Mateus do Sul e região e comunidade em geral foram convidados a participarem. Todos que puderam comparecer, se concentraram às 17 horas, na Praça da Igreja Matriz.

Representantes da APP-Sindicato de São Mateus do Sul e de Irati estiveram presentes esclarecendo os verdadeiros motivos da mobilização e de uma possível greve estadual para os próximos dias. Depois dos esclarecimentos foi realizada uma panfletagem para mobilizar a população sobre a importância em cobrar do Governo Estadual melhores condições de trabalho para os Servidores Estaduais. “Pois só assim será oportunizada uma educação de qualidade para os cidadãos paranaenses”, é o que diz a professora Lisângela, mais conhecida como Lisa, do Colégio Profª Orlanda Distéfani Santos, formada em Matemática, Serviço Social e Pós-graduada em Psicopedagogia.

A professora de História do Quadro Próprio do Magistério (QPM), Patricia Jonson, concursada há 10 anos e representante da APP-Sindicato no município de São Mateus do Sul diz que os profissionais da educação estadual, sindicalizados ou não, efetivos ou PSS, que atuam no município concordam que o momento é de participação e fortalecimento da categoria por isso organizar e participar da mobilização no município é uma das formas de pressionar o Executivo, o Legislativo e a Secretaria Estadual de Educação (SEED) do Paraná a retomar o diálogo com o Sindicato e cumprir com o que foi acordado nas negociações da greve de 2014, além do cumprimento da pauta de reivindicações para o ano de 2015, pois, estão “sentindo na pele” essas decisões equivocadas e extremamente prejudiciais  para a categoria e para a comunidade escolar.

Patricia Jonson cita os itens que compõe a pauta de negociações: “Retorno do pagamento de todos(as) no último dia do mês (PSS); pagamento dos mais de 70 milhões de progressões e promoções em atraso referente a 2014; cumprimento dos itens da greve de 2014; retomada dos trabalhos das Comissões: cargo de 40 horas; porte das escolas; educação especial; EJA (Educação de Jovens e Adultos); educação do campo; sócioeducação; Piso salarial: a maior conquista dos(as) Trabalhadores(as) em Educação desde 2008. Lei 11.738 sancionada pelo presidente Lula foi o que garantiu a recomposição dos nossos salários, assim como a reivindicação da equiparação salarial. O reajuste do Piso para 2015, segundo o índice oficial do MEC será de 13,01%; Piso para os Agentes I e II: o maior desafio da meta 18 do PNE (Plano Nacional de Educação) será instituir o piso aos funcionários(as) de escola para superarmos essa desigualdade hoje existente. A reivindicação de reajuste para funcionários(as) seguirá a dinâmica dos anos anteriores, ou seja, o reajuste do mínimo regional que é o debate coletivo do Fórum dos Servidores. Se o governo cumprir o acordo de 2014, o índice deve ser de 8,84% (definição em abril de 2015)”.

Lisa deixa claro que estas manifestações que estão ocorrendo em todo o estado do Paraná não são partidárias. “E sim uma luta da nossa categoria para não perdermos nossos direitos, que todos sabem que só conquistamos com muita luta. Afinal, como educadores temos que reconhecer e saber diferenciar que direitos não são favores para um trabalhador que exerce a sua função de forma digna e honesta”, comenta.

Conforme Lisa, a desorganização na gestão do estado instalaram o caos nas Escolas Estaduais e o ano letivo de 2015 poderá não começar na próxima segunda-feira, dia 09, conforme previsto em Calendário Escolar. “Pois, o Governador não repassou o Fundo Rotativo para as escolas, portanto elas estão sem recursos para este início de ano”, conta.

Segundo informações coletas pelo Jornal Gazeta Informativa, essas manifestações estão ocorrendo devido ao desrespeito com que o Governador Beto Richa está tratando a educação pública do estado.  “São vários os objetivos destas mobilizações que estão ocorrendo em todo o Paraná, porém temos alguns itens que são considerados uma total desvalorização do ensino público. Entre eles estão: O não pagamento do 1/3 de Férias dos trabalhadores referente a janeiro; O não pagamento dos trabalhadores contratados (PSS) – rescisão de contratos e outros; O não pagamento dos mais de 70 milhões de Progressões e Promoções em atraso referentes a 2014; O fechamento de inúmeras turmas no Paraná ocasionando assim o superlotamento das salas regulares; O desmonte pedagógico está acontecendo desde 2011, quando este Governo já alegava falta de recursos para cumprir a pauta de reivindicações”, desabafa Lisa.

A professora de Biologia, R. W., pediu para não ter sua identidade revelada, mas que deseja que todos saibam que está em duas situações complicadas com o estado, como ela mesma conta: “Sou uma PSS que está sem receber as verbas rescisórias do contrato que finalizou no dia 31 de dezembro e que, de acordo com a CLT deveríamos receber em dez dias. Por outro, fui convocada a escolher aulas pelo concurso público iniciado em 2013, consegui vaga em Palmeira, aluguei casa, paguei adiantado (com a reserva que tinha do mês de dezembro) e estou indo para lá hoje sem garantia alguma pois o decreto de nomeação ainda não foi publicado em Diário Oficial, alguns aconselham não irmos a escola por não ter tomado posse, mas daí tem a questão dos alunos, ficarão quanto tempo sem aula? O problema é a incerteza pois, para me mudar hoje tive de fazer um empréstimo para as compras, comprei móveis porque vou ter que ficar a semana toda e a minha família ainda não pode ir, pois meu marido tem emprego fixo aqui, e estou super preocupada que a posse não saia e tenha que voltar, com dívidas e sem emprego”, desabada.

Para R. W. a mobilização é importe em dois sentidos: “O primeiro é para informar a população sobre os acontecimentos dentro da escola, como a completa desorganização na distribuição de aulas, levando as instituições a incerteza de ter o quadro completo para o início das atividades letivas. O corte do número de funcionários da escola nos setores de limpeza, administrativo e apoio pedagógico. O fechamento de turmas, o que leva a perda de aulas para professores, mesmo os de Quadro Próprio (QPM) e também a superlotação de turmas, algumas podendo ter mais de 40 alunos o que inviabiliza um trabalho pedagógico eficiente, sobrecarregando o educador e atentando contra sua saúde física e emocional. O não repasse de verbas do fundo rotativo dos meses de novembro e dezembro que prejudica atividades essenciais da escola como limpeza e higiene. O segundo fator de importância é o fato de também mostrarmos ao governo que não aceitaremos as medidas impostas pelo mesmo, que a possibilidade de greve geral da educação é real e iminente”, finaliza.

Assembleia da categoria em Guarapuava

No próximo sábado, dia 02 haverá Assembleia da categoria em Guarapuava e lá serão tomadas algumas decisões e encaminhamentos de ações pela categoria. “As pessoas estão preocupadas com a possibilidade de greve para o início do ano letivo que está marcado para o dia 09 de fevereiro, só posso dizer que esse tema provavelmente será discutido na Assembleia e somente lá uma decisão será tomada. A possibilidade é grande, pois se o Governador do Estado e o Secretário de Educação não sentarem para uma negociação imediata com a APP-Sindicato talvez não nos reste alternativa. Gostaria de convidar todos(as) os(as) profissionais da educação estadual para irem a Guarapuava e participar da Assembleia, pois, somente com nossa participação, nos transformamos e transformamos a sociedade em que vivemos! Resistir, organizar e lutar”, comenta Patricia.

Redação do jornal Gazeta Informativa

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