Histórias de Terra e Céu

Prohmann e o primeiro carro em São Mateus do Sul

Para escrever o bate-papo de hoje precisei descobrir o que era um automóvel Cutting (ilustração desta coluna), e já aproveito para agradecer ao Márcio Kruchelski e ao Odnei Macalossi que foram os primeiros a desvendar o mistério. Então, amigo leitor, pegue carona neste Cutting, e embarque comigo nesta história!

A família Prohmann chegou ao Brasil por acaso. Pegaram um navio na Alemanha, rumando para os Estados Unidos, e desceram no porto de São Francisco, achando que estavam em San Francisco, na Califórnia… Mas era São Francisco do Sul, em Santa Catarina… Quem se deu bem com esta confusão foi a cidade de São Mateus do Sul. Os Prohmann acabaram por estas bandas e nos deram a primeira usina de energia elétrica, o sapecador de erva-mate e o Hino São Mateuense (um dia eu prometo contar aqui cada uma destas histórias). Mas hoje vamos falar como um dos Prohmanns trouxe o primeiro carro para São Mateus.

Corria o ano de 1913 e o Iguaçu vivia uma seca sem precedentes. Já eram oito meses sem que nenhum vapor conseguisse navegar no rio. A cidade de São Mateus ficava completamente isolada, sem o principal meio de acesso. As pequenas estradas que serviam para tropas, não poderiam escoar a produção de erva-mate… A população cobrava do governo estadual uma ação para melhorar a estrada que ia para Palmeira, trajeto carroçável construído em 1896, mas também abandonado pelo poder público.

Foi aí que Frederico Prohmann bolou um plano ousado. Convenceu Nhonho Carvalho, morador de Ponta Grossa, que era proprietário de um automóvel Cutting, a fazerem uma viagem daquela cidade até São Mateus. Mas, espertamente, convidou também o sr. Macedo Neto, responsável no governo pelas obras nas estradas. O trajeto levou vários dias e foi um feito épico. Por várias vezes eles precisaram erguer e escovar o veículo, pois o barro emperrava o maquinário. Outras vezes precisavam carregar o carro nos braços, com ajuda de caboclos, em trechos impossíveis de passar dirigindo. O jornal A República, de Curitiba, destacou: “não se supunha que um automóvel pudesse atravessar obstáculos que uma carroça puxada a burros não consegue fazer”.

O veículo entrou triunfalmente na cidade no dia 15 de novembro de 1913, causando sensação nos moradores. Todas as importantes figuras de São Mateus fizeram questão de passear no “auto”, que só não pode circular mais pela localidade “devido à falta de gasolina nesta cidade”. Além do sucesso e da fama, Frederico Prohmann conseguiu o mais importante: sensibilizou o responsável pelas obras, que sentiu na pele a dificuldade do trajeto, e prometeu que em dois meses começariam os trabalhos de adequação da estrada, com construção de pontes, de modo a “organizar linha de autos e caminhões a esta cidade”.

Alguns anos depois este trajeto seria percorrido pelas jardineiras de Guilherme Kantor, usando o combustível de xisto, produzido pelo Perna-de-Pau… Mas isso já é história para um outro bate-papo!

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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