Educação e Cultura

Projeto destaca a cultura local

Cada painel traz uma particularidade com São Mateus do Sul, sendo dois deles no colégio Duque de Caxias, simbolizando o Rio Iguaçu, com os peixes Lambari e Bagre. A borboleta simbolizando a pluralidade de cores da cidade e sua natureza no Colégio São Mateus. E a Jaguatirica no Colégio Orlanda, simbolizando as matas e os animais que nela residem. (Fotos: Gazeta Informativa)

O projeto “Fazendo Arte Tecendo a Vida”, possibilita a valorização, produção, difusão e a preservação dos bens culturais, além de ações de caráter educativo para a arte e a cultura nos municípios por onde passa.

Este projeto é de autoria da Universidade Livre da Cultura (Unicultura), através do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (PROFICE), que é financiado por meio da renúncia fiscal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de várias empresas do estado, investindo mais de R$ 400 mil no referido projeto.

Através de parceria firmada entre a Unicultura e a Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC), São Mateus do Sul recebeu o projeto na última semana, entre os dias 2 e 6 de abril. Além da Terra do Mate, outras sete cidades do Paraná também receberão a trupe de artistas: Irati, Cianorte, Francisco Beltrão, Cornélio Procópio, Guaíra e também a cidade Fazenda Rio Grande, onde já foi findado o projeto.

Seu objetivo é promover a consciência histórica e a prevenção à depredação de bens tombados em cidades com pouco acesso a uma programação cultural. Cada uma das cidades selecionadas, receberá a criação de duas obras realizadas pelos artistas tutores do projeto: Janete Mehl e Thiago Thipan, promovendo a preservação e identidade da cultural local.

Durante a semana os membros do projeto circularam dentro da história do município, além de fomentar oficinas teóricas e práticas nos Colégios São Mateus, Duque de Caxias e Professora Orlanda Distefani Santos. Os alunos e professores foram despertados para o interesse pela criação artística e desenvolvimento de leitura interpretativa, e receberam dentro de suas instituições painéis desenvolvidos pelos próprios alunos, supervisionados pelo artista plástico Thiago Thipan.

Cada painel traz uma particularidade com São Mateus do Sul, sendo dois deles no Colégio Duque de Caxias, simbolizando o Rio Iguaçu, com os peixes Lambari e Bagre; no Colégio São Mateus uma borboleta, simbolizando a pluralidade de cores da cidade e sua natureza e a Jaguatirica no Colégio Orlanda Distefani Santos, simbolizando as matas e os animais que nela residem.

 

Segundo Thiago, participar das oficinas de arte é uma alegria muito grande, pois ele tem a oportunidade de compartilhar os conhecimentos de como executar pinturas de grandes proporções em painéis e quem sabe formar novos pintores muralistas, que é um dos principais propósitos que trazem junto da equipe do projeto. “Os alunos adoraram e várias outras escolas nos pediram para dar continuidade ao projeto em breve.”

Que obra é essa?

Antes mesmo das obras culturais serem concluídas, a comunidade são-mateuense já se perguntava qual seria a finalidade do muro que estava sendo construído na praça em frente à Casa da Memória Padre Bauer, na semana que antecedia a Páscoa, e muitas especulações foram feitas.

Nas fotos acima, o muro que serviria como base para o painel do artista plástico Thiago Thipan foi alvo de inúmeras manifestações antes mesmo de ser derrubado, após o embargo por parte da Secretaria Municipal de Obras. O muro foi construído e demolido na mesma semana.

A equipe da Gazeta Informativa, com exclusividade, informou aos internautas através de sua página no Facebook, sobre o desenvolvimento do projeto e a partir daí inúmeros comentários a favor e contra foram desencadeados.

No decorrer da semana, enquanto o projeto nos colégios vinha sendo brilhantemente desenvolvido, iniciou-se a movimentação sobre a responsabilidade da construção do muro que seria a base para o painel do artista Thiago Thipan, que já havia criado o croqui da obra, retratando um pouco da história do município em suas várias etapas.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras, já na segunda-feira (2), eles se reuniram com a equipe do projeto e explicaram que não gostaram do muro, sugerindo outros possíveis lugares para a criação da obra, um deles junto à praça do Rio Iguaçu e no muro entre o parquinho municipal e o salão paroquial da Paróquia São Mateus, embargando dessa maneira o muro e inviabilizando a obra.

O Secretário de Obras, Marcello Daniel Jacopetti, explicou que de acordo com o projeto da Rua do Mate, a construção irá até o meio fio, da praça onde se localiza a Casa da Memória. Dessa maneira, o muro ficaria muito próximo à construção, fazendo com que uma obra inviabilizasse a outra.

O Secretário afirmou que se trata de um projeto de cultura que não tem participação da Prefeitura. Ele afirma que somente percebeu o muro já levantado na segunda-feira, pós Páscoa, apesar de ter se deparado com a movimentação anteriormente e pensado que seria obras da Sanepar que já estava atuando naquela região.

Segundo Marcelo, o muro contemplava os custos do projeto e não teve participação nenhuma da Prefeitura Municipal, apenas lhes foi solicitado a colaboração para derrubá-lo, pois a empresa contratada pelo projeto não poderia fazer. A retirada do muro aconteceu na sexta-feira (6), e a obra do artista plástico passou a ser desenvolvida no muro do parquinho municipal, próximo a Igreja Matriz São Mateus.

A Arte da Erva-Mate

Uma das obras criadas pelo projeto e que enriquecerá o patrimônio histórico do município foi desenvolvida pela escultora Janete Mehl, que relatou ter estudado a história do município em sua economia e industrias. Ela conta que pôde observar a forte influência da erva-mate e partindo daí, criou as folhas de erva-mate. “Na minha opinião, elas representam muito bem a identidade desta cidade.”

A escultora que possui trabalhos renomados em todo território nacional e internacional, trabalha com materiais reciclados. Em São Mateus do Sul, foi firmada uma parceria com a ervateira Baldo, que abraçou a ideia e forneceu alguns materiais, dentre: as chapas de metal, aço carbono, restos de telhas, restos de cercas e restos de tubos de várias bitolas, que deram origem ao trabalho.

A obra batizada como, “A Arte da Erva-mate”, está localizada na rua 21 de Setembro, no acesso da Paróquia São Mateus. De acordo com Janete, “a quem perguntar o porquê das folhas serem vermelhas, afirmo que em primeiro lugar é para contrastar com o verde das árvores do local. Em segundo lugar, observei que quando no processo de industrialização da erva-mate, na sua queima, a folha fica vermelha. São estes dois lances de ideia, a harmonização com o ambiente, seu design, seu visual e o processo com a folha, que a faz chegar ao são-mateuense do jeitinho que eles gostam.”

A escultora afirma que está deixando esse presente para todos. “Com a arte tudo se resolve. Ela traz alegria, inspiração e eu quero que as pessoas curtam e se sensibilizem ajudando na conservação. A ideia é essa, a arte é para fazer feliz, para nos enriquecermos de cultura, que tem um papel muito grande em nossa vida.”

Plantação Lúdica da Erva-Mate

Após ser definida que a obra do artista plástico Thiago Thipan seria no muro que divide o parquinho municipal e o salão paroquial da Paróquia São Mateus, o curitibano iniciou seus trabalhos numa nova visão, deixando de lado o projeto que aconteceria no painel, antes planejado, que seria em frente em frente a Casa da Memória Padre Bauer.

A obra no parque retrata sobre a erva-mate, “pois São Mateus do Sul é conhecida mundialmente por ela, por isso demos esse destaque. São 25 metros da mais pura arte que deixamos para a cidade”, afirma Thiago, que ainda elenca que é algo marcante e o local é propício para que as futuras gerações possam brincar, respirar arte e se inspirar na cultura local com a erva-mate.

Thiago confessa que se despede da cidade com um ar de dever cumprido e reitera que adorou conhecer a Terra da Erva-mate. “São Mateus do Sul é uma cidade linda, com um viés tradicional marcado em suas ruas e presente na comunidade, percebo o quão feliz são as pessoas por isso”, encerra.

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