Os Caminhos do Desenvolvimento

Quais os segredos de uma cidade empreendedora?

Maringá. (Foto: Divulgação)

Maringá. (Foto: Divulgação)

O desenvolvimento de uma cidade não acontece ao acaso e muito menos é oriunda de milagres. Como já dissemos em edição anterior, ele passa pelas mãos de seus gestores públicos que devem estar cientes de seu compromisso empreendedor, mas também passa pela iniciativa dos setores representativos em trabalhar em parceria com o poder público e vice-versa. Ao buscar exemplos de cidades empreendedoras e, portanto de sucesso, esse é exatamente o ponto de convergência de onde tudo se inicia: a união dos mais diversos agentes locais, na maioria das vezes impelida por dificuldades socioeconômicas encontradas na região.

Em uma avaliação elaborada pela Endeavor, uma organização de apoio a empreendedorismo e empreendedores de alto impacto no Brasil, 32 cidades são analisadas com melhor potencial de geração de negócios. O Paraná é destaque nesse ranking, ficando Curitiba em 8º lugar, Maringá em 11º e Londrina em 17º, de acordo com o Índice de Cidades Empreendedoras 2015 (ICE2015). O estudo faz a análise do desempenho das cidades brasileiras quanto ao ambiente regulatório, infraestrutura, capital humano, acesso ao capital, mercado, inovação e cultura empreendedora.

É na cultura empreendedora que o Paraná chama a atenção, como Maringá sendo a única cidade do sul do país entre as três primeiras posições. Segundo a pesquisa, a imagem do empreendedor é reconhecida, admirada e respeitada pela população, fruto do trabalho dos agentes locais que estão conseguindo ao longo da história destacar a relevância econômica e social da atividade empresarial no contexto urbano. No lado oposto está a capital Curitiba, que possui baixo nível de cultura empreendedora, que segundo o estudo, pode ser fruto de razões como uma média de renda mais alta da população e estabilidade em carreiras públicas. Desta forma, o curitibano arrisca menos em negócios próprios, pois não há uma construção de reconhecimento do valor empresarial, o que faz com que novos empreendedores se retraiam.

O exemplo de Maringá reforça o conceito de que o desenvolvimento de uma cidade empreendedora deve ser construído.  Devido à falta de planejamento futuro e a descontinuidade das ações dos governos na cidade, seguida pela indignação e da capacidade de mobilização da comunidade, surgiu em 1996 um movimento denominado Repensando Maringá, e na sequência a criação do CODEM – Conselho de Desenvolvimento de Maringá. Esse conselho possui caráter deliberativo e consultivo, propõe e executa políticas de desenvolvimento econômico, sendo constituído por entidades representativas dos diversos segmentos organizados da sociedade. Seus projetos, programas ou planos são submetidos aos Poderes Executivo e/ou Legislativo Municipal, Estadual ou Federal, visando a sua realização.

Maringá saiu, portanto, de um período de estagnação econômica no passado para despontar como uma das melhores cidades para se empreender no país em 2015. A boa notícia é que São Mateus do Sul decidiu trilhar seu desenvolvimento por este mesmo caminho. Maringá está sendo uma das nossas “musas inspiradoras” e assim como ela decidiu na década de 90 o que queria ser em 2015, nossa cidade também poderá decidir o que será em 2030.

Que cidade você quer para 2030?

Ingrid Ulbrich
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