(Foto: Guilherme Flores)

Num cenário eminentemente rural, com pouca industrialização e muita preservação, os desafios são de desenvolver sem agredir o meio ambiente, mantendo jovens no meio rural e criando oportunidades. Audiência Pública realizada em São Mateus do Sul, na manhã desta quinta-feira (5), no Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE), tratou disso com lideranças e autoridades, buscando o desenvolvimento.

É eminente o repasse de royalties da Petrobras para o município e Governo do Paraná. Recentemente uma agenda em Curitiba discutiu exatamente isso e, no caso, a ideia é justamente de utilizar estes recursos para sustentar um sistema de desenvolvimento. Centro Tecnológico, Ceasa Regional e Porto Seco são os pedidos, somados do Programa de Incentivo à Erva-Mate e ações de manejo e sustentabilidade.

As riquezas naturais, como o xisto que pode ter ampliado o seu uso como fertilizante agrícola, a erva-mate que tem um leque de produtos para além da cuia e a rota rodoviária foram assuntos abordados. A nova ligação pavimentada entre São Mateus do Sul e Irati (em obras) na visão do deputado estadual Emerson Bacil (PSL) pode criar um novo eixo econômico e de desenvolvimento.

Visão estratégica

Falando em nome das entidades presentes, Luciano Castilho – empresário e presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul (ACIASMS) descreveu ‘eixos para o desenvolvimento e oportunidades’. Tudo com base nas potencialidades das três cidades pólos da região: São Mateus do Sul, Irati e União da Vitória e números de estatísticas referenciais.

Em 2018 o Valor Bruto de Produção (VBP) desse eixo das três cidades movimentou R$ 5 bilhões. Soja, fumo e erva-mate abocanham metade dessa estatística econômica. O que, naturalmente, mostra claramente os setores de maior potencialidade regional. O caminho, de acordo com Luciano Castilho, é agregar valor. “Industrializar, por meio de agroindústrias, cooperativas”, exemplificou.

Sair do perfil atual de apenas vender o tabaco, mas industrializar na região. Trabalhar por indústria de proteína animal, fábrica de ração ou agregar valor produtivo à batata, com industrialização – pré-frita congelada, por exemplo, é outra sugestão. Para o presidente da ACIASMS, fertilizantes a partir do xisto seriam mais uma opção industrial para ser fomentada no campo político e estrutural.

Castilho pontua, ainda, a necessidade de pesquisa e inovação para manufaturar produtos a partir da erva-mate, criando novas opções. Segundo ele, é possível maximizar as cadeias produtivas industriais existentes. Caso das madeireiras, papeleiras, cerâmica e metais para mecânicas. Tendo na infraestrutura, um dos elementos chaves para alavancar estas propostas apresentadas.

Disso a importância da ligação futura entre BRs, pela pavimentação PR 364, e melhoria estrutural na BR 476 e PR 151. Áreas industriais, terminais logísticos, ramais ferroviários são os pontos a serem estudados e implementados. Outra questão, telefonia celular e acesso à internet nas áreas rurais – a comunicação de qualidade – foi citada pelo presidente da ACIASMS como meta a ser cumprida.

Infraestrutura necessária

A conclusão da PR 364 permite esse novo acesso entre o norte paranaense e os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, cortados pelas BRs 280, 101 e 116, sem passar pela região metropolitana de Curitiba. Da mesma forma, a projeção do novo anel viário com duplicação proposta da BR 476 – Rodovia do Xisto – é outro caminho que precisa ser pavimentado politicamente para sair do papel e melhorar a infraestrutura.

Os inúmeros acidentes enchem páginas de notícias em referência à estrada. A BR que corta São Mateus do Sul e faz o acesso da região Sul do Paraná com a capital vive estado precário. O acesso logístico, a mão-de-obra qualificada, matéria-prima próxima e mercado consumidor são fatores que incidem sobre o planejamento na instalação de indústrias. Logo, a reestruturação da BR 476 é um caminho.

A reportagem apurou, com fontes ligadas ao Governo Estadual – também com base no próprio anúncio do governador Carlos Massa Ratinho Júnior -, que existe um estudo pronto sobre a chamada “Rodovia do Frango”. A ligação entre Chapecó, no Oeste catarinense com o porto de Paranaguá, passando por São Mateus do Sul. A estrada deve entrar na lista de concessões a serem licitados em breve.

Esta inserção da BR 476 no anel viário, chamado “corredor sul”- com ligação justamente pela PR 364 com a BR 277, se configura com um dos pontos chaves. Isso foi colocado na discussão da Audiência pelo deputado Emerson Bacil. O parlamentar, ainda, citou a importância logística e estrutural da melhoria na PR 151, com 3ªs faixas até Palmeira e o projeto da duplicação na sequência até Ponta Grossa.

Xisto e erva-mate

Dados oficiais mostram que em 2018, o Paraná respondeu por 87% de toda a produção nacional de erva-mate, gerando uma economia superior a R$ 400 milhões. Os municípios de São Mateus do Sul, Cruz Machado, General Carneiro, Bituruna, Paula Freitas, Inácio Martins, Palmas, União da Vitória, Irati, Mallet, Paulo Frontin, Rio Azul, Rebouças abocanham cerca de 80% deste montante produtivo.

A secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), por meio da Emater, cita o envolvimento direto de mais ou menos 100 mil famílias com a atividade. Praticamente toda propriedade rural da região, junto do Pinheiro Araucária e florestas preservadas, tem erva-mate nativa ou em meio às árvores – a sombreada. É o requinte dessas folhas que dão melhor sabor ao chimarrão (mais de 90% deste mercado).

Disso o foco em criar um Centro Tecnológico da Erva-Mate, tendo inicialmente a proposição de construção em São Mateus do Sul. O recurso, apontado por Bacil, seria o aporte estadual da parcela dos royalties da Petrobras. A perspectiva é que a pesquisa amplie o leque de produtos e amplia a industrialização do produto primário na região. Somando dos startups e inovação, outra premissa eminente.

O uso do xisto como fertilizante é outra questão que tomou espaço nas discussões. Tanto o deputado quanto o prefeito de São Mateus do Sul, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, congregam do pensamento de que há este produto que carece de mais estudo e respaldo. O executivo pontua a dificuldade de investir por parte da prefeitura, mas compreende que é um dos campos com potencialidades.

Bacil citou, pedindo apoio ao vice-governador Darci Piana e secretário-chefe da Casa Civil, Guto Silva, para a constituição do 1º Pólo Agritech do Brasil na região. Isso foi pauta entre o governo estadual e o ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, quando da vinda do ministro Marcos Pontes ao Paraná, em agosto de 2019. “Ampliar a pesquisa e expandir a produção de fertilizantes a partir do xisto”, propõe.

Visão estadual

O secretário-chefe da Casa Civil enalteceu a importância do evento por conta de pontuar ao Governo Estadual as demandas e potencialidades. “Sabendo destas informações torna mais fácil um planejamento”, disse. Guto Silva parabenizou a CCTES e deputado Bacil por proporcionar este debate. “Nos ajuda muito na gestão para pensar a região, tendo este diagnóstico”, completou.

“Uma iniciativa belíssima, saio daqui muito satisfeito, otimista. Agora, na sequência, é buscar alternativas expostas da região”, citou Guto Silva. O secretário-chefe mencionou a busca de soluções, do deputado Bacil, numa forma integrada. “Esse é o caminho que a gente deve seguir”, emendou. Ao passo que lembrou o interesse de atuar no interior, por parte do governador Ratinho Júnior.

Para o vice-governador, as tratativas são um avanço no sentido de apontar o que a região tem, numa exposição pública de potencialidades a desenvolver. “Foi uma ótima reunião que o Emerson Bacil organizou e São Mateus do Sul está de parabéns”, destacou Darci Piana. “É desta forma que a gente consegue motivar os empresários daqui da cidade, da região, para que a gente possa fazer junto da iniciativa privada este movimento.”

“Aqui nós estivemos discutindo, colocando os pontos de vista, citando potencialidades e estrutura da região”, complementou. O vice-governador enalteceu, ainda, a importância da defesa regional e do trabalho de Emerson Bacil. “Ele está trabalhando muito, desde o primeiro dia. Tem ouvido meus conselhos, meus cabelos brancos, e motivando o desenvolvimento regional”, finalizou.

Sidnei Muran

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