Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Quando o campo vai bem, a cidade vai bem

A valorização da vida no campo e o cotidiano de quem lá vive. Estefânia Polak Blaczyk e Ignácio Blaczyk, moradores da comunidade da Estiva há mais de 50 anos. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quando falamos em uma cidade, o estereótipo a ser seguido é baseado em ruas asfaltadas, meios tecnológicos avançados, uma vida baseada em praticidade, mas que algumas vezes se tornam sinônimo da falta de sossego na divisão de trabalho e vida familiar.

São Mateus do Sul é uma cidade interiorana que conta com um número aproximado de 45.300 habitantes, e destes, 42% vivem nas comunidades no interior. Essa relação cidade e vida no campo é um dos principais meios que ainda não conseguem a valorização e destaque merecido, e muitas vezes, se tornam esquecidos em meio as melhorias envolvendo apenas localidades urbanas.

A categorização dos problemas que afetam os meios públicos em uma cidade é alvo de prioridades e critérios, mas esquecemos das pessoas que vivem no interior do município, e possuem os mesmos direitos das que vivem nas áreas urbanas.

Quando buscamos o melhor para um local, precisamos melhorar os problemas que englobam os munícipes como um todo, sejam elas na forma de educação, saúde, segurança, saneamento básico, direitos civis, entre outros meios que priorizem uma melhor adequação ao lugar que vivemos, independente da sua moradia.

Ignácio Blaczyk cuida de suas criações 3 vezes ao dia, e faz dessa paixão, uma das maneiras de ter uma forte conexão com a vida rural.

A vida no campo

Ignácio Blaczyk e Estefânia Polak Blaczyk residem na comunidade de Estiva há mais de 50 anos, e é da vida simples em sua casa de madeira na beira de estrada no interior, que é guardada as maiores relíquias que podem ser compartilhadas: uma vida que tem como base a simplicidade para alcançar com êxito suas conquistas diárias.

Tendo a experiência da vida em cidade, Ignácio foi um dos fundadores do loteamento da Vila Buaski em São Mateus do Sul, com a venda de seus lotes, fez a compra de sua propriedade, na comunidade próximo à Farinheira, na estrada de chão, caminho para Irati, localizada na Estiva.

Como muitos pequenos agricultores de São Mateus do Sul, a vida de subsistência comunitária é o fundamento para a circulação de produtos. Dentro da propriedade eles cultivam verduras e legumes, criam animais, e alugam terrenos para diversos segmentos de plantação, e fazem desse ciclo uma forma de sustendo mensal e consequentemente os mantêm ativos economicamente dentro do município.

Ignácio Blaczyk ainda preserva o modo rústico para a plantação e colheita.

“Alugo meus terrenos para a plantação de soja, milho, feijão e tenho mais de 30 alqueires com erva-mate que eu mesmo planto e vendo para as ervateiras daqui. Então vivo de aluguéis, planto lavouras para meu consumo e ajudo as empresas de São Mateus do Sul, cuido do gado, faço queijo, requeijão e vendo na cidade os ovos que minhas galinhas botam”, conta Ignácio.

Pela extensão da área no interior dentro de São Mateus do Sul, que possui 5,6 mil quilômetros de estradas rurais, muitos agricultores optam pelo método de pequenos cultivos como o caso de Ignácio, e uma das principais maneiras para fortalecer e permanecer esse ato é o aprendizado adquirido no passado, mantendo forte no presente e garantindo o ensinamento para o futuro.

Se preocupando com a alimentação dos animais, que precisam ser realizadas 3 vezes ao dia, Ignácio cria vacas, carneiros, galinhas, porcos e cavalos, e completa, “sempre fui acostumado com criação, então ainda busco mantê-las para garantir lazer e com o que passar o tempo”.

Dentro dos barracões onde são guardados os materiais usados para o trabalho encontram-se arados, colheitadeiras, carroças, cortadeiras, moedores de milho, dentre muitos materiais rústicos que guardam consigo as histórias de muitas colheitas já realizadas durante os anos de plantações nos terrenos das outras gerações da família.

O lado orgânico de um produto que muitas vezes leva uma grande porcentagem de insumos agrícolas é raridade em alguns mercados espalhados não só por São Mateus do Sul, mas em todas as cidades brasileiras. Os tempos mudaram, e a demanda por alimento está aumentando cada vez mais, a possível necessidade pela quantidade elevada faz com que a perca da essência dos produtos naturais sejam deixados de lado, infelizmente a necessidade anda lado a lado da facilidade de produção de mais alimentos em um tempo mais curto, e faz com que produtos químicos facilitem todo esse processo.

A manufatura agrícola (trabalho manual, que é normalmente realizado pela agricultura familiar) é um dos serviços que merecem sempre uma valorização de líderes municipais e moradores pelo fato do seu grande valor orgânico, e isso tudo é fundamental para a importância do trabalho, que garantirá a qualidade do produto e consequentemente a saúde humana.

Uma cidade como São Mateus do Sul se sustenta a partir do momento em que mantém uma vida agrícola ativa, e o incentivo para tais produções facilita uma melhora na economia local, tornando um diferencial na venda de produtos vindos diretamente da agricultura familiar dentro do próprio município.

Como é o caso de Ignácio, muitos agricultores na área familiar participam de ciclos como estes, e buscam cada vez mais a aproximação da qualidade encontrada no campo, em venda dos produtos colhidos em tendas nas feiras e mercados pela área urbana, e uma forma para a continuidade desse trabalho é a valorização desse meio.

“Acredito que ainda existe muita coisa para mudar, mas creio também que é da agricultura orgânica que vamos manter São Mateus do Sul mais saudável quando o assunto é uma boa alimentação, por isso, sempre busco incentivar meus companheiros de lavouras e as pessoas da cidade para o consumo orgânico vindos da agricultura familiar”, encerra Ignácio.

Residência da família Blaczyk.

Estefânia Polak Blaczyk além de produtora rural, faz costuras para as pessoas da comunidade, é da simpatia presente em seu rosto que expressa o agrado de todas as pessoas que chegam até a sua casa.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Repórter que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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