Histórias de Terra e Céu

Quando o segundo Sol chegar…

Imagem Iustrativa

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Quando olhamos com o telescópio para a estrela mais próxima do Sistema Solar, alfa do Centauro, descobrimos que ela é dupla (na verdade até tripla). Também a estrela mais brilhante do céu, Sírius, é dupla. E se formos explorar o resto das estrelas, descobriremos que boa parte delas tem uma companheira. E o nosso Sol, poderia ser também uma estrela dupla? E se fosse, onde estaria esta companheira? Vamos abordar este tema hoje…

Na década de 80 alguns astrofísicos dos Estados Unidos levantaram a hipótese de que o Sol também teria uma companheira. Esta suposta irmã foi chamada de “Nêmesis”, nome da deusa grega da vingança, que era tão bela quanto Afrodite. De acordo com a teoria destes astrônomos, a companheira de nosso Sol seria uma anã marrom (estrela pequena e escura).

Mas onde ela estaria? Os teóricos propuseram que Nêmesis e o Sol orbitariam um centro de gravidade comum, mas o período orbital de Nêmesis seria de 26 milhões de anos (uma órbita milhares de vezes mais distante do que Plutão). Também propuseram que, neste longo período, eventualmente Nêmesis se aproximaria da Nuvem de Oort (que é uma grande concentração de cometas, na borda do Sistema Solar). Ao chegar perto da Nuvem, Nêmesis arremessaria para todos os lados vários cometas e asteroides, alguns dos quais mergulhariam no Sistema Solar.

Esta explicação implicaria em um período cíclico de “chuva de cometas e asteroides”, o que estaria coerente com eventos de grandes bombardeios cósmicos que a Terra já viveu em sua infância, e até com a extinção dos dinossauros, ocorrida há 65 milhões de anos, provavelmente fruto de um monumental impacto gerado pela queda de um asteroide.

Esta teoria ficou adormecida por muito tempo, mas acabou renascendo há cerca de uma década, quando o astrônomo Michael Brown descobriu o planeta-anão Sedna, bem além da órbita de Plutão. Este planetinha tem uma órbita irregular e está em um lugar “que não deveria”, conforme palavras do próprio Brown. Sedna está muito longe para ser afetado pelo Sol, e muito perto para ser afetado pelas demais estrelas. A única explicação plausível seria a existência de um outro astro, com massa de 3 a 5 vezes a de Júpiter, orbitando um pouco além. Este astro poderia ser a irmã do Sol, a pequena Nêmesis.

Os astrônomos seguem buscando a evidência deste “Segundo Sol”. No final de 2009 foi lançado o telescópio espacial Wise, buscando mapear o céu e, quem sabe, encontrar Nêmesis. Mas esta descoberta, se ocorrer, provavelmente levará alguns anos.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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