Dom Walter Jorge, bispo diocesano de União da Vitória, cumprimentando o Papa Francisco, na Visita Ad Limina.
(Fotos: Serviço Fotográfico Vaticano)

O Conselho Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) definiu o tema da Campanha da Fraternidade (CF) para o ano de 2020. “Fraternidade e vida: dom e compromisso”. O lema é: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele (Lc 10,33-34)”. O intuito é convidar os fiéis para ampla reflexão sobre o significado da vida. Isso nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social e ecológica.

A CF visa um panorama completo, levando em conta as referências que uma pessoa precisa para viver, difundir e praticar estes preceitos cristãos. Conforme a CNBB, o objetivo das campanhas é de despertar a solidariedade dos fiéis e da sociedade em relação a determinado problema concreto que envolve a o contexto de vida brasileira. Sempre na reflexão e busca de caminhos de solução.

“Campanha da fraternidade sempre traz um tema para ajudar justamente no processo de conversão que é a grande proposta do tempo quaresmal. Pensar a quaresma sem mudança de vida seria viver uma religiosidade apenas ritual. Apenas por viver, mas o sentido da quaresma é aprofundar a conversão”, explica o bispo diocesano de União da Vitória, dom Walter Jorge.

“O viver segundo a orientação do senhor nosso Deus, nos ensinamentos de Jesus Cristo que nos conduzem a fraternidade”, acrescenta. Segundo ele, a CF 2020 visa esse exercício quaresmal. “A vida de modo bem amplo, cuidar da vida. A vida que é um dom de Deus, mas que é também um compromisso de todos nós e, sobretudo, compromisso de quem quer seguir a Jesus Cristo que fez a opção fundamental pela vida de todos nós”.

Referência bíblica para a CF

O bispo da Diocese de União da Vitória destaca que o lema faz referência a uma passagem bíblica muito importante, a do bom samaritano. “Para que a gente possa saber de que vida eu devo cuidar, assim como a Jesus foi perguntado que é meu próximo? E Jesus contou a parábola que está em Lucas, no capítulo décimo, do samaritano que viu um homem caído e ele se aproximou”, ressalta.

Esta iniciativa é justamente a reflexão que cada cristão necessita. “Nos chamando a atenção que somos nós que devemos nos aproximar para cuidar”, menciona. Neste sentido estendendo a mão para quem precisa de qualquer tipo de cuidado. “De toda a vida que corre perigo! De toda a situação que exige o nosso agir cristão solidário”. Se estendendo para questões ambientais, de saúde e prisionais.

Imagem produzida sobre a Campanha da Fraternidade 2020 retrata esta postura regida pela Igreja Católica no contexto da abordagem religiosa.

Para o bispo diocesano, desde as crianças que nascem carecem de auxílio dos bons samaritanos. E é sobre o que a Campanha da Fraternidade pretende promover reflexão. Pessoas mais sujeitas a todo tipo de violência. Desde cadeias que não recuperam as pessoas, até demarcações indígenas, ausência de hospitais com mais qualidade e preservação da natureza, como um todo.

Num gesto de fraternidade universal com objetivo de proclamar o ser humano. “A vida é essencialmente samaritana. Seu sentido consiste em ver, solidarizar-se e cuidar”, afirma. Neste contexto, a Campanha da Fraternidade de 2020 foca o compromisso de ajudar os outros. Sendo uma das propostas, justamente, de reflexão disposta aos fiéis da Igreja Católica Romana, no Brasil.

Outro aspecto é da solidariedade, via contribuição financeira para fins sociais. No domingo de Ramos (05/04) – uma semana antes da Páscoa – a Igreja faz a coleta de valores para destinar aos projetos que visam melhorar a vida das pessoas. 60% desta arrecadação fica dentro da Diocese, para aplicar em iniciativas do gênero, e o restante é destinado ao Fundo Nacional de Solidariedade, gerido pela própria CNBB.

Em Roma, bispos paranaenses têm agenda privada com Papa Francisco

“De fato a visita foi magnífica, não tenho palavras para descrever a grandiosidade do evento que nós vivemos lá em Roma nestes dez dias. Sei que vai ajudar a missão de todos nós diante das nossas dioceses”, frisa o bispo diocesano dom Walter Jorge. Ele foi integrante de uma comitiva de representantes católicos que foram até o Vaticano em visita ao Papa Francisco, semana passada.

A visita faz parte das ações da chamada ‘ad Limina’ da Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – bispos paranaenses – e é realizada de cinco em cinco anos para levar as informações ao Vaticano. Jorge Mario Bergoglio é o 266º Papa da Igreja Católica e atual Chefe de Estado da Cidade Estado do Vaticano, sucedendo ao Papa Bento XVI, que abdicou ao papado em 28 de fevereiro de 2013.

As ações da agenda envolveram celebrações em locais sagradas para os católicos, túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo, somadas de relatórios gerais e extensos apresentados para a Cúria Romana. “São os departamentos, as congregações, secretarias que cuidam das várias frentes de evangelização que a Igreja tem; como família, leigos, a cultura, o mundo da cultura”, explica o bispo da diocese de União da Vitória.

Bispos do Regional Sul 2 da CNBB, do Paraná, após a audiência com o Papa Francisco, no dia 24 de fevereiro.

Por ser a sua primeira visita, como bispo, ele notou um atendimento fraternal. “Foi um momento muito enriquecedor”, testemunha sobre como foram recepcionados e ouvidos pelos cardeais romanos. Seguida da visita e agenda, entre os bispos paranaenses, e o Papa Francisco. Chamando atenção, para ele, a postura do ‘Santo Padre’ na atenção, fraternidade e humanidade.

“Como se mostrou irmão de todos nós. Como se mostrou sábio. Uma pessoa que ama profundamente a Igreja, que é capaz e nitidamente guiado pelo espírito de Deus. Uma pessoa que tem um raciocínio tão profundo que vai lá onde as pessoas não imaginam e fala assuntos complexos de uma forma tão simples que muitos poderiam confundir-se achando que ele não é tão elaborado no que diz”, relata.

“Na verdade, ele é simples, mas a profundidade dele é dos grandes teólogos. Um homem de Deus de fato”, opina. Por três horas e dez minutos, Bergoglio conversou com os bispos do Paraná, mesmo estando acometido por um forte resfriado. Diante dos seus 83 anos, deixando os comandantes da Igreja Católica no Paraná em paz de espírito e revigorados na sua fé e condução das suas dioceses, conforme dom Walter.

Nesta terça-feira (03/03), a imprensa italiana, inclusive, relatou que o Papa Francisco foi submetido a um exame de coronavírus. Seus testes deram negativo para o Covid-19, segundo o jornal italiano Il Messaggero – diretamente do Vaticano. Isso após cancelamento de habitual retiro quaresmal. No último domingo (01/03), Bergoglio tossiu, várias vezes, ao discursar da sacada da Basílica de São Pedro.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran

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