(Imagem Ilustrativa)

Vinha eu pensando sobre o que escrever do acontecimento mais importante da história. Aquele que viria a ser lembrado e revivido pela humanidade através dos séculos. Que seria causa de união e de esperança, mas também seria motivo de perseguição e de martírio para muitos cristãos. A morte e a ressurreição de Cristo.

Relembrei, então, de quando eu era uma criança. A visão de Jesus Crucificado me comovia muito. Eu me perguntava, porque alguém foi capaz de fazer algo tão cruel com alguém tão bom? Quando ouvia a leitura do Evangelho que narra a Paixão de Cristo, eu era inconformada com os gritos da multidão: “crucifica-o, crucifica-o!”. E ainda mais triste ficava com Pôncio Pilatos, que dizia “Não encontro nele crime algum!”, para depois lavar as suas mãos e entregá-lo à mais terrível das mortes, a morte pela cruz.

“Lavar as mãos” para nos eximirmos de possíveis culpas é uma constante até os dias de hoje. Embora não o façamos, simbolicamente, como Pilatos fez em frente à multidão, nossa sociedade a pratica de diversas formas, algumas mais veladas e outras nem tanto. Muitos são os líderes, que “lavam as suas mãos” até mesmo através de leis e decretos, dando aval ao erro para “ficar bem na foto”, literalmente. Muitas vezes, nos tornamos aqueles mesmos inimigos de Cristo, de vozes altas e impiedosas, martirizando pessoas de pensamento contrário aos nossos ou exigindo posturas políticas que podem vir a se tornar catastróficas. Nos tornamos vulneráveis às notícias que nos chegam, num tempo, onde boa parte da mídia tornou-se parcial e ideológica. Saímos assim, em defesa de alguns Barrabás e para a crucificação moral de outros tantos.

Quase dois mil anos se passaram e não mudamos muito. Ou teríamos piorado? Talvez, tenhamos mudado as vestimentas, a forma de falar e o alvo dos nossos erros. Talvez continuemos a pensar, como uma criança, que aqueles erros cometidos contra Jesus, hoje jamais seriam sequer pensados. No entanto, não temos a inocência das crianças e ainda assim, o Crucificado continua a clamar por misericórdia “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem!”

Aqueles mesmos pecados continuam em nós. Aquelas mesmas ordens de crucificação saem de nossas bocas. Mesmo que não queiramos. Continuamos a lavar as nossas mãos, seja por medo ou por conveniência, em detrimento de muitos. E é por isso, que Ele se entregou por toda a humanidade e carregou toda a nossa culpa. Seu sofrimento foi tamanho que suou sangue no Getsêmani, por suportar todo o horror dos nossos pecados. Foi por mim e por você.

“Entregue assim inteiramente à sua humanidade, implorando a Deus com tristeza e angústia indizíveis, prostrou-se por terra. Viu em inumeráveis imagens todos os pecados do mundo, com toda a sua atrocidade, tomou todos sobre si e ofereceu-se na sua oração, para dar satisfação à justiça do Pai Celestial, pagando com os sofrimentos toda essa dívida da humanidade para com Deus.” (Do livro Paixão e Morte do Cordeiro, visões da Beata Anna Catharina Emmerich)

Ao mesmo tempo em que saudamos o Cristo com alegria e cantos no Domingo de Ramos, vacilamos e o negamos no momento seguinte. Somos os dois lados da mesma moeda: amáveis e imperfeitos. Por isso, a alegria da ressurreição que nos chega na Páscoa vem da certeza, de que o projeto de salvação realizado por Cristo, venceu o mal que vive nesse mundo e lavou os nossos pecados. Somos humanos e pecadores, mas somos de Deus!

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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