Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Que diferença fazemos?

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Muito pensamos em mudar nosso mundo para melhor; estamos sempre almejando, alimentando a esperança à esse respeito. É certo que todo nós temos as ferramentas nas mãos, temos potencialidades dentro das condições de cada um, independentemente da quantidade de conhecimento ou da condição social e econômica, da profissão ou do cargo que estejamos.

O empecilho para isso acontecer, e que devemos ir combatendo é a mentalidade individualista à qual somos influenciados todos os dias pelo sistema e pelos meios de comunicação. Somos induzidos a agir como se estivéssemos em uma guerra, travando uma batalha para se dar bem.

Nosso mundo de modo geral se tornou um espaço de disputas por uma espécie de prêmio que pode ser a posição social em uma cidade, em uma comunidade, ter visibilidade para ter prestígio e tantos outros desejos individualistas que desejamos. No fundo se torna a disputa pela vida, pela sobrevivência de um em contrapartida à não existência do outro.

Mudar o mundo para melhor, significa repensar as consequências destas atitudes, e fazer um caminho contrário. Todos os dias nos deparamos com situações de sofrimento, de exclusão, que estão ali aos nossos olhos, mas que devido à preocupação somente com a nossa vida, estas situações se tornam invisíveis, na verdade, não queremos ver.

Ainda que vivendo dentro do sistema capitalista que na sua essência tem o incentivo ao consumo, à concorrência, o lucro individual concentrado somente em alguns, nós podemos por atitudes, nos locais onde estamos, nas funções que exercemos, nas possibilidades que temos, quebrar ‘gomos das correntes desse sistema’ que nos separa dos outros, que nos faz ver o outro, mesmo o mais miserável como um empecilho para a minha ascensão na vida.

Se queremos um mundo melhor, que diferença estamos fazendo? Quais são os passos, atitudes, comportamentos que faço que estão ajudando a ter o mundo que desejo? Certamente é muito mais fácil nos deixamos levar pela onda de pensamento individualista, mas se o mundo melhor é para todos que esperamos, a atitude é ser resistente a essa ‘onda’.

Na mesma intensidade em que não devemos ignorar o Outro na sua condição, aceita-lo como invisível, também não devemos ajuda-lo pensando em nossa promoção. Como diz o filósofo Newton Tavares, devemos olhar o mundo com os olhos do amor-compromisso estendendo uma relação de respeito e de valor humano ao outro como à cada um de nós. “Ele precisam do nosso respeito. “Seus espaços não são lugares para o

exercício da nossa piedade nem uma espécie de academia de musculação da nossa consciência que, às custas de sua miséria e desespero, nos torna virtuosos e bons”. (Newton Tavares).

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