(Imagem Ilustrativa)

Me peguei diante da tela do computador sem uma ideia para a próxima coluna. Por mais que eu me esforçasse, nada surgia. Os ponteiros já se aproximavam da meia-noite. O cansaço da semana de trabalho também pesava, aliás, de semanas seguidas sem muito descanso.

Resolvi tomar um café. Peguei o vidro com café solúvel, seria mais rápido, afinal eu precisava pensar em algo rapidamente. Porém, decidi investir um pouco mais de tempo na preparação de um café passado.

Enquanto eu separava tudo, me veio à mente a preparação do café feita pela minha mãe. A água borbulhava na chaleira. Ela esticava o filtro de pano com cuidado e como quem faz uma obra de arte, adaptava-o perfeitamente ao suporte. Pegava o pacote de café e cortava sua aba com a tesoura guardada na primeira gaveta do armário. O movimento do ar ocupava o vácuo e irradiava o som pelo ambiente. Ela sorvia o aroma, suspirava. Parecia querer aproveitar cada segundo daquele processo, uma tarefa simples, mas que marcou em muito a vida de todos em minha família. Quem sabe imaginasse com isso alongar o tempo, a convivência com todos nós.

Enchia a colher e com a mão pesava o café, como se fosse uma balança de precisão, depois distribuía cuidadosamente o pó sobre o filtro. Despejava a água que lentamente tingia o bule feito em alumínio.

O vapor que se formava passeava pelos ares da cozinha, depois espalhava o aroma poderoso e inebriante por toda a casa. Como era bom despertar com aquele cheirinho.

Com sua partida, me parece impossível a repetição do processo de minha mãe. Eu tento.

Café pronto e tomado, enfim as primeiras palavras surgem na tela, depois de uma rápida pesquisa sobre o café. Com certeza, minha mãe nunca pesquisou nada sobre o assunto. Esses poucos minutos também me trarão um somente um pouquinho de conhecimento. A madrugada é curta e amanhã também tem um novo dia de trabalho, mas vamos lá.

O preparo do café, hoje, é quase uma ciência. Escolher um bom café exige conhecimento como para o vinho. Falando nisso, descobri que há um profissional do café: o barista. A profissão surgiu nos Anos 90 e ganha força após o crescimento do consumo de cafés especiais que, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), deve aumentar entre 15% e 20%, nos próximos anos.

Além de servir um bom café, o barista é responsável pela criação de cardápios específicos com diversas bebidas à base do grão. Desde um simples café com leite, até os mais elaborados drinques com bebidas alcoólicas. Ele também deve conhecer o produto, acompanhando o seu processo de produção: formas de cultivo, os tipos de grão e as técnicas de degustação, torrefação e moagem.

Há muito o que se falar sobre o café. Numa próxima coluna vamos abordar algumas opiniões sobre como a cafeína afeta o nosso cérebro e corpo. Também o café afeta economia ao longo da história, segundo especialistas de Harvard. Sobre esses pontos de vista voltaremos a conversar numa próxima oportunidade.

O sono bateu e para me manter ainda acordado preciso de mais café e como tudo que é exagerado não convém, vou para a cama e quem sabe eu sonhe com o café preparado pela minha mãe.

Adnelson Borges de Campos
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