(Imagem Ilustrativa)

Em abril de 2017, no Espaço do Leitor, aqui mesmo na Gazeta Informativa, publiquei um texto com o título “Ler abre os olhos”. Escrevi-o depois de participar de um evento chamado Janelas da Leitura, organizado pela Freguesia do Livro, uma organização de Curitiba voltada ao fomento da leitura.

Numa das palestras o jornalista e escritor argentino Mempo Giardinelli, que dirige uma fundação cujo lema é justamente “Ler abre os olhos”, afirmava que a leitura é o caminho para o conhecimento e que a leitura é o pilar fundamental da educação.

Também afirmava que ler não é uma atividade simples, banal ou um passatempo qualquer, pois é um processo capaz de modificar os destinos profissionais e sociais. Aí está a importância da qualidade e da variedade do que se lê. Ler constrói o futuro de uma nação. Ler desenha o caminho das civilizações. Deixar de ler, também, mas o resultado não é a evolução.

O escritor encerrou sua fala no evento dizendo: “estou convencido de que só a leitura, a imaginação, o estudo, o esforço, a tenacidade investigativa, o desafio constante do conhecimento para pensar melhor, nos permitirá deixar de lado a obscuridade da ignorância.”

A ignorância traz consigo miséria, escassez, poluição, violência, desrespeito e tantos outros males. Talvez o pior deles seja a indiferença, a aceitação, o não uso do senso crítico.

Talvez isto explique porque certos ditadores e conquistadores queimaram livros ao longo da história. Muitos preferem os gritos em lugar da palavra serena, porém forte, do pensamento.

Outros governantes são um pouco mais discretos: desmobilizam bibliotecas, selecionam livros, destroem ou abandonam patrimônios culturais.

Há os que prefiram fazer mau uso da Língua Pátria, tentando disfarçar a sua ignorância em novos erros gramaticais, como se isso servisse de exemplo para aqueles que ele tem obrigação de educar, principalmente através de bons exemplos.

Todos somos influenciáveis. Todos ainda temos em nosso país a liberdade de escolher. Assim, precisamos conhecer o maior número possível de versões dos fatos, analisar as diversas percepções sobre determinado assunto. Todos precisamos aprender a ler.

Mesmo numa situação extrema como a guerra, ou em situações do dia a dia, como numa negociação ou contra argumentação, é preciso conhecer o outro lado para fazer frente a ele, conhecendo seus costumes ou hábitos, pensamentos, habilidades, a tecnologia que desenvolveu, suas preferências, seus pontos fortes, suas fraquezas. Como fazê-lo se destruirmos as formas de evidenciá-los? Pois é, temos tolos que destroem livros e registros acreditando que serão mais fortes. Seremos fortes quando desenvolvermos nosso senso crítico e aprendermos ainda mais com as experiências e exemplos passados, bons ou maus. Aprendamos e tomemos nossas decisões, com base no conhecimento e não na ignorância.

Adnelson Borges de Campos
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