(Imagem Ilustrativa)

Nos últimos dias passei boa parte do tempo em salas de espera de aeroportos e rodoviárias. Nos aeroportos há mais conforto para quem aguarda, já numa estação rodoviária, com raras exceções, esperar é desgastante e preocupante.

É importante lembrar que quando embarcamos em um voo ou viagem, pagamos uma taxa de embarque ou há um custo embutido no preço da passagem criados para custear a infraestrutura, conservação e pagamentos das demais despesas de operacionalização da instalação. Além da taxa, as receitas com as concessões de bares, lanchonetes, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais também ajudam na arrecadação.

Se pagamos por um serviço, é natural que esperemos seja bem prestado. Se alguém presta um serviço, deveria ser natural que o fizesse bem feito, que as pessoas que realizam tais atividades fossem preparadas e atuasse de forma profissional.

Já fazia um bom tempo que eu não passava pela rodoviária de Porto Alegre. Não foi necessário muito esforço para lembrar como era. Não fosse pelo desgaste e mais sujeira, ainda era a mesma de quinze anos atrás. A concessão para a empresa que a administra parece ser mais antiga do que isso. Quem usa um ônibus interestadual ou intermunicipal não tem escolha, a interconexão, origem ou chegada sempre acontece na estação rodoviária regulamentada para tal. Talvez este ponto não desperte o interesse do concessionário em melhor atender, já que sem muito esforço há uma receita garantida, muito embora ela pudesse ser maior se as pessoas usassem mais os serviços. Ainda bem que algumas empresas transportadoras estão criando suas Salas VIP.

Vamos pensar: por lá, na estação rodoviária de Porto Alegre, por exemplo, passam em torno de cinco milhões de passageiros ao ano. A taxa de embarque é de 11% do valor das passagens vendidas. Se considerarmos que um valor da passagem de R$ 40,00, teremos uma arrecadação de mais de R$ 20.000.000,00, aproximadamente dois meses de arrecadação da Prefeitura de São Mateus do Sul. Será que não seriam esses recursos suficientes para manter uma boa estrutura da edificação? Mas as concessionárias reclamam que o número de passageiros vem se reduzindo ao longo do tempo. Não é para menos e talvez um dos motivos, além da precariedade das instalações, seja a falta de segurança. Na minha última passagem por lá, antes de desembarcarmos o motorista foi avisando: “tomem cuidado com suas bagagens, pois é comum o roubo das mesmas após retiradas dos maleiros”. Não vi um único segurança por perto. E se são comuns os roubos, por que os ladrões não estão presos?

Outro ponto: quem tem coragem de comprar algo preparado numa lanchonete de rodoviária? Não vou contar onde, mas numa cidade do sul do Paraná, no passado, não tão distante, no começo da noite, as ratazanas, bem treinadas, driblavam as garrafas nas prateleiras do bar quando saiam para buscar alimentos.

O padrão de qualidade dos serviços nas rodoviárias deveria ser o que o cliente ou contribuinte exige. Como temos poucas ou nenhuma opção, nos tratam como meros números. Somos os que causam transtorno para quem arrecada. Isto não acontece só em Porto Alegre. Há dois meses passei pela rodoviária de Macaé, no Rio de Janeiro, não foi diferente. Antes de chegar lá passei pela rodoviária do Rio de Janeiro, com uma estrutura um pouco melhor, mas com os mesmos problemas de segurança. Nos poucos minutos que esperei por um Uber, fiquei cheirando mais fumaça que os espetinhos postos para assar em meio à multidão.

Hoje, temos agências reguladoras que ainda não encontraram um modelo que consiga que todos os concessionários prestem serviços de qualidade, principalmente porque as concessões são mais antigas que a existência das agências.

Ainda falando em viagens, hoje procurei uma passagem para União da Vitória. Havia um único horário. Será que a empresa está cumprindo o seu contrato de concessão?

Nós, clientes ou contribuintes, merecemos um pouco mais de atenção e mais profissionalismo daqueles que gerem ou trabalham numa concessão ou serviço público. Daqueles que fiscalizam também.

Adnelson Borges de Campos
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