Máquina do Tempo

Quem foi a verdadeira Cleópatra?

Reconstituição feita pela egiptóloga Sally-Ann Ashton, da Universidade de Cambridge na Inglaterra, com base nas moedas cunhadas com a efígie de Cleópatra e no seu busto, que atualmente encontra-se exposto no Museu de Berlim.

Cleópatra VII théa Philopator, sétima, porque sim, houve seis Cleópatras antes dela, e théa Philopator, um “apelido” real, que significa “deusa que ama seu pai” em grego. Cleópatra, na verdade, era um nome muito comum adotado pela dinastia dos Ptolomaicos. Herdeiros do trono de Alexandre o Grande que conquista o Egito em 332 a.C, Cleópatra da Macedônia, era o nome da irmã de Alexandre. Contudo, falar sobre a verdadeira e popular Cleópatra do Egito, apesar de parecer fácil pela sua fama, não o é. Primeiramente porque, quase tudo o que se sabe sobre ela, origina-se de autores clássicos. Nos escritos desses autores encontramos alguns problemas, como a cronologia, pois a maioria escreveu sobre ela anos depois de sua morte. Outra questão importante, é considerar que muitos desses autores escreviam para enaltecer a história de Roma, e muitos deles foram contaminados pela propaganda negativa empreendida por Otávio Augusto, sobrinho de Júlio César, que derrotou Cleópatra e conquistou o Egito. Ou seja, o historiador precisa ler esses autores nas entrelinhas, com consciência de que muito do que está escrito ali, se trata de uma propaganda política, e a favor de um inimigo político de Cleópatra. Foi através desses escritos que se perpetuou a imagem que o Ocidente fez questão de reforçar através da cultura pop e do cinema Hollywoodiano. Elizabeth Taylor, interpretou a rainha em 1963 num dos filmes mais caros de Hollywood. Além de uma imagem estética construída no imaginário coletivo, Plutarco, o autor grego que mais escreveu sobre ela, não economizou adjetivos para descrever a rainha. Ardilosa, ambiciosa, cheia de estratégias e artimanhas, feiticeira, e dona de uma “conduta sexual duvidosa” etc.

Estrategista e ambiciosa? Com certeza, herdeira do reino mais rico daquela época, que vivia sob ameaça constante de domínio por parte de Roma. Cleópatra fez o que muitos homens e mulheres no poder fizeram ao longo da história, alianças políticas. Feiticeira? Eu diria, devota de Ísis, Deusa da Magia na religião egípcia. Pois Cleópatra sabia do poder que a religião tinha para legitimar um governante perante seu povo. O bizarro é pensar que, durante toda sua vida, ela envolveu-se com dois homens, e mesmo assim, é taxada como uma meretriz. Além disso, seu romance com Marco Antônio foi posterior a morte de César. Ambos eram casados pela lei romana, portanto, quem cometeu adultério, não foi Cleópatra. A verdade é que Cleópatra teve um filho com Julio César, portanto, ela era mãe do herdeiro de Roma (maior potência militar na época) e herdeiro do Egito (riqueza e ostentação definem esse lugar). Já imaginou o poder que ela tinha em mãos? Ela era senhora do Oriente e do Ocidente, e herdeira do Império do general mais brilhante que a história já teve, Alexandre. Ela falava mais de dez línguas, tinha conhecimentos em filosofia, química, astronomia, matemática, etc. Era amada pelo seu povo, pois manteve o Egito independente por 21 anos e estabilizou várias crises econômicas durante seu governo. A grega que foi a última faraó do Egito, se suicidou com uma picada de serpente para não sofrer a humilhação de ser prisioneira de seu inimigo. Realmente, ela era o tipo de mulher que assustaria qualquer homem mesmo. A boa notícia é que estamos próximos de desconstruir muitos mitos a seu respeito, os arqueólogos Kathleen Martínez e Zahi Hawass fazem escavações em Alexandria, no Egito, para encontrar a suposta tumba de Cleópatra. Zahi Hawass fará uma palestra em Curitiba no dia 20. Estou curiosa para testemunhar suas novas descobertas. Quem sabe numa próxima coluna, eu possa trazê-las em primeira mão para vocês! Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Acadêmica de bacharelado e licenciatura em História pela UFPR (2015), membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul (2016), e atua como monitora no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba (2016). Mesmo sendo sua área de pesquisa a História Antiga, é apaixonada pela História Regional.

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