(Imagem Ilustrativa)

No último dia 05 de junho, encerrou-se mais uma Semana do Meio Ambiente. Falhei por não apresentar o tema na Coluna da semana passada, mas ainda há tempo. Não muito, pois a cada dia que passa, nos aproximamos do fim de nossa espécie. Mas antes que isto aconteça, infelizmente, faremos com que muitas outras espécies desapareçam antes de nós.

O ser humano desenvolveu habilidades que permitem uma maior adaptabilidade ao meio. Sintetizamos vestimentas, fabricamos alimentos, desenvolvemos tecnologia para controlar temperatura ambiente, por exemplo.

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Mas para as outras espécies, isto é impossível. Para uma adaptação precisam de milhares ou milhões de anos, seguindo o ritmo da natureza. Mas nós estamos interferindo nesta ordem natural das coisas e não nos damos conta disso ou fingimos não perceber.

As economias mundiais buscam expansão. É uma corrida desenfreada por riqueza e poder. Ninguém quer abrir mão de nada. Governantes buscam a manutenção de suas linhas e pensamentos políticos, querem se manter no comando, garantir seus privilégios. São sempre os outros países que devem fazer alguma coisa para mudar a situação.

Então como mudar tudo isso? Só boa vontade parece não resolver. Também não é com violência que se consegue algo.

Nas questões ambientais, tudo também está muito polarizado. Os extremos dominam os discursos. Assim, não evoluímos muito, não conseguimos maiores resultados. O que buscamos é equilíbrio e o equilíbrio não está nos extremos. Medidas extremas também não são palatáveis.

Talvez uma das soluções passe por remunerar quem preserva a natureza ou realiza ações para recuperar áreas degradadas, por exemplo. Tudo passa pelo uso racional dos recursos. Há vários países pobres no mundo em que a preservação e recomposição de florestas, por exemplo, é o que gera renda para muitas famílias. Poderíamos pagar para quem mantém áreas preservadas e incentivar o manejo e o corte ordenado. É questão de definição de políticas públicas.

Outro exemplo, a geração de energia limpa, como a produção de energia solar, num primeiro momento precisa de incentivos, subsídios, até que se desenvolva, que os custos, com a produção em maior escala se reduzam e por si só se viabilizem.

Mas enquanto não conseguimos nos unir em torno desses objetivos, continuamos provocando guerras, tirando vidas e gerando ainda mais pobreza e destruição.

Lembro aqui, mais uma vez, de um trecho de uma mensagem de Carl Sagan, em seu texto Pálido ponto azul. Foi escrito após a Voyager 1, há 32 anos, tirar uma fotografia de nosso planeta a 6 bilhões de quilômetros da Terra. A fração de pixel, aparentemente amparada por um raio solar.

“Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não há nenhum indício que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nós mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não há lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos. Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos… o pálido ponto azul.”

Que nos salvará de nós mesmos? Orar não é o suficiente. Fomos criados com a capacidade de agir.

Adnelson Borges de Campos
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