(Imagem Ilustrativa)

Nesta semana li um artigo da Revista Superinteressante que abordava a questão da vida eterna. Então, me veio mais uma vez à mente a canção da Banda Queen, onde Freddie Mercury interpretava “Who wants to live Forever”, título da Coluna desta semana. A música também fez parte da trilha sonora de “Highlander”, filme estrelado por Christopher Lambert e Sean Conery. Assim, também poderíamos usá-la como pano de fundo da leitura deste texto.

Os avanços tecnológicos, não só a descoberta de novos medicamentos, melhores técnicas cirúrgicas e melhoria genética de alimentos poderiam alongar a vida, mas a maior promessa nesse sentido está na manipulação genética, onde as “falhas” poderiam ser corrigidas. Nos indivíduos mais velhos as células se reproduzem e se renovam da mesma forma que nos mais novos, só que de forma mais lenta. Esse descompasso gera o envelhecimento.

Se recuperada essa velocidade de reposição, poderíamos manter nosso organismo nas condições ideais, como acontece lá por volta de nossos 23 anos de idade. Garantiríamos, principalmente nossa capacidade cerebral, o que seria um grande ganho físico e intelectual.

Não nos tornaríamos imortais, pois o corpo humano é frágil e bastaria atravessar uma rua sem atenção para perder a vida, ou, como está na moda, poderíamos ser contagiados por um vírus mortal. A lei das probabilidades não tem como ser revogada e muita coisa pode interromper uma existência. Mas é interessante pensar nas consequências de uma vida bastante prolongada.

Vamos deixar de lado as questões religiosas, pois cada um tem suas crenças, sua fé.

Como não seria algo regido pela natureza, que sempre busca o equilíbrio, poderíamos provocar alguns distúrbios, principalmente no relacionamento político e social.

Imaginem como seria impactada a ordem mundial se um líder autoritário, quem sabe um ditador, de uma grande potência econômica e militar vivesse e se mantivesse no poder por uns quatrocentos anos, sem dar ao seu país ou ao mundo a oportunidade de renovação, do nascimento de novas ideias ou ideais.

Num primeiro momento, tal tecnologia custaria caro. Sendo assim, alguns poucos afortunados conseguiriam tal privilégio. A corporação que descobrisse a “fonte da eterna juventude” provavelmente se tornaria uma das mais potentes do mercado, capaz de superar a capacidade de influenciar de muitas nações mundiais.

Digamos que inventassem uma técnica “genérica” para a manutenção e prolongamento da vida e que tal assistência fosse prestada pelo SUS, por exemplo. Todos se tornariam “eternamente” jovens ou infinitamente velhos. Não haveria espaço para tanta gente no mundo e provavelmente crianças seriam seres raros, tonando também difícil uma eventual necessidade de reposição da espécie. Manteríamos as velhas ideias, as mesmas rotinas, os mesmos costumes. Como ficaria a inovação? Seríamos ainda capazes de revolucionar? Talvez o mundo se tornasse chato, tedioso, sem graça.

E se você fosse um dos poucos a conseguir uma vida prolongada? Como se sentiria vendo as pessoas que ama, que admira, envelhecendo, morrendo. Volto a saga de Highlander, onde o guerreiro perdia todos aqueles que mais amou.

O cinema ainda experimenta algo parecido em “O curioso caso de Benjamim Buton”, onde um sujeito nasce velho e rejuvenesce. Também em “A espera de um milagre”, onde o guarda de uma penitenciária e um pequeno ratinho são “condenados” a viver por muito tempo.

As pesquisas continuam, saltos tecnológicos na medicina, na biologia, na química, na física, enfim em muitos campos da ciência ocorrerão.

Que a humanidade tenha bom senso em suas escolhas, na sua auto regulação para que consigamos equilíbrio e não nos tornemos monstros ou carrascos “eternos” de nós mesmos ou da natureza que nos envolve e nos proporciona a base para a vida.

Adnelson Borges de Campos
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