(Imagem Ilustrativa)

No próximo domingo, teremos um novo Dia do Trabalho. A data geralmente é utilizada para lembrarmos das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores ao longo da história e para reafirmar que medidas adotadas para a proteção dos menos afortunados são importantes.

Entretanto, as tentativas em criar um distanciamento entre o setor produtivo e a classe trabalhadora, na maioria das vezes motivadas pela ideologia, dificultam o desenvolvimento econômico e social.

Vamos pensar em alguns períodos de maior prosperidade em nosso país. Crescemos e nos desenvolvemos quando todos ganharam: capital e trabalho.

Já defendi, aqui nesta coluna, mudanças necessárias no modelo de capitalismo atual e do papel do Estado nesta transformação. Assim, para um melhor equilíbrio nas relações, para o desenvolvimento e crescimento social e econômico, este terceiro ente, o Estado, tem papel importante para a geração de riqueza e melhoria da qualidade de vida.

No meu modo de ver, o problema não está nos encargos sociais da folha de pagamento, por exemplo, uma vez que os custos e o lucro pretendido, teoricamente são repassados para o consumidor. Então, os custos com os encargos não são bancados pelos empresários e sim por quem consome ou contrata a prestação de serviços, numa última análise.

Nesta linha, quem é beneficiado por um salário digno e garantias sociais, tem maior poder aquisitivo, consome mais. As empresas lucram mais, reinvestem. O Estado por sua vez arrecada proporcionalmente em relação a riqueza gerada e consegue transferir alguns custos, como s ligados à educação saúde, por exemplo, para parte dos trabalhadores com maior poder aquisitivo. Todos ganham. Então, por que esta relação é dificultada? É um tema complexo, mas vou arriscar citar alguns pontos.

Para os empresários, o principal ponto é a concorrência, tanto com produtos e serviços prestados no mercado interno como externo. É difícil para uma empresa que recolhe corretamente seus tributos, paga direitinho seus encargos trabalhistas, concorrer com outras que sonegam, abandonam seus empregados e, em alguns casos, adulteram ou “pirateiam” produtos. Também é preciso concorrer com produtos do mercado externo, principalmente quando não há uma política governamental clara, objetiva e flexível que permita uma concorrência leal e adaptada às necessidades do mercado interno. Toda uma história empresarial pode ser destruída num dia, com um movimento econômico externo, com uma variação cambial.

No caso do Brasil, acredito que a ineficiência do Estado na definição de políticas desenvolvimentistas, na fiscalização da arrecadação e de uma política tributária adequada, justa e funcional sejam um dos maiores problemas.

O problema não está na Justiça do Trabalho, que pode ser considerada lenta e com um dos pratos da balança pendendo para um dos lados. Recorrer à justiça deveria ser um último recurso, mas até então, fabricávamos mais e mais processos trabalhistas. Pode se dizer, que em algumas relações de emprego, o processo judicial já era delineado no primeiro dia de trabalho. Certa vez, um juiz do trabalho confidenciou-me que temia, mesmo com os cuidados que tinha, um dia ser acionado por uma senhora que prestava serviços há muitos e muitos anos na casa dele.

Então, de nada adianta modificar leis trabalhistas, retirar garantias ou benefícios sociais em um país ainda carente, onde o distanciamento entre classes sociais é enorme. Precisamos de equilíbrio e este equilíbrio só pode ser obtido, num primeiro momento, com políticas públicas, com uma adequada gestão governamental.

Esperar que apenas patrões e empregados tenham boa vontade, ainda está muito distante. Se faz necessário um movimento de toda a sociedade neste sentido. A cultura instalada ainda levará um bom tempo para que se modifique e se compreenda que todos precisam ganhar, para uma sociedade mais justa. Quem sabe um dia, Capital e Trabalho juntos, de verdade.

Adnelson Borges de Campos
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