Máquina do Tempo

Quem tem medo do lobo mau? Aliás, do lobo-guará…

(Imagem Ilustrativa)

Nos idos dos anos 90, uma das minhas melhores lembranças sobre a minha infância e minha vida escolar era quando, estudando na pré-escola do Colégio Drº Paulo Fortes, íamos fazer as famigeradas visitinhas a ele, o temido, mas carismático, lobo-guará que se encontrava exposto na Casa da Memória. Infelizmente da última vez que estive lá, e não faz muito tempo, foi no início desse ano, não encontrei mais meu amigo por aquelas bandas. Em conversa com a Professora Hilda Digner, ela me contou que devido ao estado de conservação, já muito danificado pelo efeito do tempo e do acondicionamento inadequado, quando começou a trabalhar na Casa da Memória o lobo já não estava mais lá. Estudos genéticos revelam que a espécie do lobo-guará tem um ancestral único de 6 milhões de anos, a raposa-das-falkland, além disso, ele é parente próximo do cachorro-do-mato e do cachorro-vinagre, espécies selvagens de canídeos. Nativo da América Latina, seu habitat natural são os Cerrados, áreas compostas por campos, e atualmente, regiões de Mata Atlântica também viraram sua casa, devido ao extenso desmatamento praticado principalmente nos cerrados, para a expansão da indústria agrícola. Desse modo, o lobo-guará virou símbolo da luta para a preservação do cerrado e de sua fauna e flora.

Sendo ele um animalzinho de pernas compridas e pelagem avermelhada, a etimologia do seu nome nos revela traços de sua aparência. Com características de lobo, que vem do latim lupus, em terras tupiniquins, complementa-se com um termo de origem indígena, guará do tupi-guarani agoará, que significa algo como penugem ou pelo avermelhado. Ele é onívoro, portanto, alimenta-se de animais e plantas, e seu comportamento é predominantemente noturno. Espécie que ainda não se encontra ameaçada de extinção, mas beirando a, as principais causas de sua morte estão ligadas a já citada, destruição de seu habitat, a caça e a atropelamentos, algo que provavelmente aconteceu com o nosso lobo-guará. Após sua morte, o animal passou pelo processo de taxidermia, técnica para a preservação do corpo do animal para estudo e exposição, o popular “empalhamento”, uma vez que o corpo do animal é preenchido por palha. Tal processo segundo a Professora Hilda, foi realizado no Colégio Florestal de Irati, e após o empalhamento do lobo e de mais alguns animais endêmicos, eles foram recebidos pela Prefeitura Municipal de São Mateus em forma de doação, onde ficaram expostos por um tempo até fixarem morada na Casa da Memória Padre Bauer. Inofensivo e dócil, lembro que o entusiasmo de visitar o lobo-guará vinha acompanhado do medo decorrente da imaginação de uma criança que cresceu ouvindo histórias do chapéuzinho vermelho e do lobo mau, mas no fim das contas, quem tem medo do lobo mau? Ou melhor, do lobo-guará? Eu tinha. Depois dessa confissão, fico por aqui e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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