(Imagem Ilustrativa)

Hoje, há uma busca frenética por seguidores. As pessoas também sentem uma necessidade muito grande de seguir alguém. Ter muitos seguidores podem render dinheiro ou apenas satisfazer vaidades para o seguido. Por outro lado, o bloqueio, o cancelamento, pode trazer consigo muito sofrimento para o influenciador.

Mas o que esperam os que seguem? Talvez preencher um pouco do vazio gerado por uma sociedade cada vez mais desumana e desagregadora.

Me veio à mente o filme Forrest Gump – O Contador de Histórias, ganhador de seis Oscars, incluindo o de Melhor filme e de Melhor ator. O protagonista, vivido por Tom Hanks, um sujeito de mente limitada e ao mesmo tempo cheio de sentimento e compaixão, senta-se num banco de um ponto de ônibus e passa a relatar momentos pessoais vividos que coincidem com vários fatos históricos dos EUA. Durante quase toda a sua vida, manteve vivo o seu amor desde a infância e, certa vez, depois de mais uma desilusão com sua amada, sai correndo pelas estradas americanas por três anos. Ele havia ficado famoso por outros feitos. Como decidiu correr, sem parar, várias pessoas se questionavam por que ele fazia isto. Mesmo que ele não se manifestasse, demonstrasse seu objetivo, passaram simplesmente a segui-lo, correndo, levados na direção que Forrest escolhia, sem rumo.

Certo dia ele decidiu parar de correr, no meio de uma estrada, no meio do nada. Um grupo de pessoas o seguia. Todos ficaram desnorteados sem o líder para seguir, enquanto Gump fazia meia volta, para sua casa, no interior do Alabama. Sim, não havia um objetivo, apenas a mente vazia de alguém em fuga sabe-se lá do que. Mesmo assim o seguiam.

Hoje, muitos querem ser celebridades: atletas, modelos, cantores, pastores, políticos, escritores, youtubers, blogueiros, donos de perfis em redes sociais e tantos outros. Todos se julgam influenciadores.

Mas eles só existem porque há quem os siga. Muitos deles, tão vazios. Sem conteúdo também são muitos dos que os seguem. Criamos um universo de falsidade. Além das notícias e das informações fúteis compartilhadas, o mercado criou também seguidores falsos ou comprados, movimentando a economia da ilusão, mas que garante uma boa renda para alguns.

Assim, muitos fingem que tem conteúdo e outros fingem que seguem, mas alguém paga a conta dessa relação ilógica, sob meu ponto de vista.

É claro que existem pessoas que são admiráveis e dignas de acompanhamento, mas estas não existem aos milhões. São raras e se perdem em meio a tanta coisa a se desprezar.

Os modelos mentais são ditados por quem consegue influenciar. Assim, temo pelo futuro.

Não se pode negar que todos têm o direito da expressão, de compartilhar ideias e ideais, mas é preciso que se faça com responsabilidade.

Pode ser que daqui a alguns anos, se eu ainda estiver por aqui, descubra que me enganei, que eram os meus pensamentos os vazios, os antiquados. Talvez se confirme que este é o melhor para a sociedade.

Eu preferia quando era a família, a igreja, o bom governo e a escola eram os que ajudavam a formar os modelos mentais da sociedade. Hoje, o mundo é movido, em boa parte, por aproveitadores, disfarçados sob retoques de imagem, de palavras “encantadoras” e de falsos resultados fáceis.
Procuro gente com conteúdo inteligente para preencher muito do vazio que ainda há em mim e dos espaços que surgirão.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Gerações perdidas
Será o fim das livrarias físicas?
O trabalho não é bom se não está concluído