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Rapaz que perdeu perna após acidente ganha prótese

No dia 30 de abril de 2014, o casal Eduardo Camillo, 28 anos e a sãomateuense Jocilian Lens de Matos Camillo, 27 anos, sofreram um grave acidente de trânsito quando viajavam de Itajaí (SC), cidade onde moravam, para visitarem parentes e amigos em São Mateus do Sul (PR). Atualmente eles residem na cidade de Curitiba (PR).

Eles estavam de moto e era Eduardo quem a pilotava. Por volta da meia noite, quando passavam por Rio Negrinho (SC), um carro deixou a pista contrária e, em alta velocidade, colidiu frontalmente contra a moto. Segundo Jocilian, no momento do acidente chovia muito.

Jocilian sofreu apenas ferimentos leves. Porém, com Eduardo foi diferente. Ele teve uma fratura exposta na perna esquerda e devido a várias complicações houve a necessidade de amputar a perna. “No início foi muito difícil pra mim, mas com a ajuda de amigos e família conseguimos vencer a todas as dificuldades. Hoje um novo tempo se inicia. Estamos indo para a nossa casa, retomando aos poucos as nossas vidas. Temos muitos planos para o futuro, mas aprendemos a esperar em Deus, e entender que o amanhã a Ele pertence”, relata Eduardo.

A esposa de Eduardo conta que ele sempre foi muito brincalhão, muito “pra cima”, e nesse tempo difícil não foi diferente. Ele sempre manteve um sorriso no rosto, fazendo piada até com suas dificuldades. “Isso nos inspirou a fazer muitas coisas e principalmente a ver a vida com outros olhos e dar mais valor ao que se tem. Então nós criamos uma página no Facebook: ‘Com o Pé Direito’, e lançamos um desafio aos nossos amigos: pedimos que fizessem algumas coisas simples do seu dia a dia usando apenas o pé direito, pra que sentissem as coisas como o Edu sentia, e tudo com muito humor, já que o jargão ‘Com o Pé Direito’ assim sugere. Era uma forma dos amigos demonstrarem que estavam com ele e que o entendiam. Mas o objetivo maior dessa página é inspirar outras pessoas a vencerem obstáculos sem perderem a fé e sem desanimar”, relata Jocilian.

PRESENTE

No sábado, dia 21 de fevereiro, Eduardo recebeu um presente muito especial: uma prótese. “Não era somente uma prótese, mas a esperança de um recomeço. Era uma porta para uma realidade que sonhávamos viver”, destaca Eduardo. A prótese que o Eduardo precisava tinha um custo muito alto. Muitas pessoas se sensibilizaram e ajudaram ele de várias maneiras, promovendo eventos a fim de arrecadar esse valor. “Um desses eventos foi o aniversário de uma amiga querida, Luiza da Costa Bichinho. Ao invés de presentes, ela pediu que, no seu aniversário, seus amigos trouxessem um valor em dinheiro, o mesmo seria destinado a compra dessa prótese. Esse gesto de tanto carinho nos deixou sem palavras! Através da Luiza, nesse mesmo dia conhecemos seu amigo, Caio Honório, que nos levou até dois contatos: Volnei Correa e Robinson Antônio da Rosa. E quem doou a prótese foi Robinson. Essas pessoas são muito importantes para nós. Cada uma delas marcou nossa vida de uma forma diferente”, conta Jocilian.

“No momento em que coloquei a prótese muitas coisas vieram à memória. Momentos difíceis que faziam parecer que esse dia estava muito longe de acontecer. Mas, naquele instante percebi que o tão esperado dia havia chegado e com ele a possibilidade de alcançar novos objetivos, e meus sonhos tomavam forma”, fala. Jocilian diz emocionada que quando viu Eduardo andando pela primeira vez, foi difícil segurar a emoção. “Foi lindo demais! Nós nos olhamos, sorrimos… Ali nós tivemos a certeza de que nossas vidas jamais seriam as mesmas”, completa Eduardo.

MODELO DA PRÓTESE

Eduardo explica que o modelo dessa prótese é o mesmo fornecido pelo Sistema Único de Saúde – SUS. “Ela é mecânica e tem praticamente todas as funções que uma perna precisa ter, um pouco mais limitada. A reabilitação é por etapas. Preciso reaprender a andar, acostumar com o peso dela, e isso leva um certo tempo. Ainda preciso de muletas, mas é uma questão de prática e paciência”, diz Eduardo.

Essa prótese vai permitir que Eduardo faça várias coisas que já não conseguia mais fazer. Vai ficar menos perigoso andar sozinho ou trabalhar, e outras atividades simples que ficaram praticamente impossíveis sem uma perna. “Ah… e posso dar um presente pra minha esposa: andar de mãos dadas com ela de novo”, comenta Eduardo. (risos)

SEM RESPOSTA

Jocilian relata que em setembro de 2014, um empresário tomou conhecimento da história de Eduardo e se dispôs a doar a prótese que Eduardo precisava, mas queria conhecê-lo primeiro. O encontro foi adiado algumas vezes, e Eduardo foi orientado pela sua consultora a iniciar o tratamento com fisioterapia em uma clínica particular. No início foi muito bom. Eduardo estabeleceu uma rotina diária de exercícios e estava bastante animado para receber essa prótese. Porém, o tempo foi passando e o encontro nunca acontecia. “A clínica não estava cobrando esse tempo que passávamos lá, já que o pagamento que viria, seria suficiente para cobrir todo o tratamento. Assim que soubemos da doação, suspendemos outros recursos e ajuda que receberíamos de alguns lugares e destinamos a outras pessoas que estavam precisando mais do que nós. A clínica tentava marcar esse encontro, entrava em contato quase todos os dias, mas era sempre adiado novamente. Um mês depois, a consultora resolveu assumir a dívida, mas também ficava adiando o pagamento, chegando algumas vez a ser rude com os funcionários da clínica. Dois meses se passaram, e como o pagamento não foi efetuado, tivemos que suspender o tratamento. Nós ainda tentamos contato, mas a mesma se recusava a nos atender. Foi muito frustrante e constrangedor. Nós tivemos que voltar com tudo o que estávamos fazendo do zero porque agora não tínhamos mais nada. Mas quem iria imaginar que alguém seria capaz de fazer uma promessa de uma vida nova, mexer com os sonhos de alguém, e simplesmente desaparecer sem nenhuma resposta? Enfim, nada disso importa mais, pois Deus preparou algo muito maior, que é o que estamos vivendo hoje”, conta.

MENSAGEM FINAL

“É inevitável ter problemas. Nós vamos ter que passar por essas situações e ninguém vai passar em nosso lugar. Mas, nós temos uma escolha: passar por tudo isso sorrindo ou chorando. Passar chorando pode levar muito mais tempo, então é preciso encarar sua realidade o mais rápido possível, e perceber o quão pequeno nós somos, e, mesmo assim, quantas coisas boas ainda podem acontecer conosco. Se a vida não acabou, ainda resta um tempo a se viver. Então vamos viver sorrindo! Talvez o problema não se resolva, mas tudo ficará mais leve. Eu poderia ter sofrido todos os dias, ter me lamentado e passado o resto dos meus dias em uma cama. Mas eu fiz essa escolha, que não é nada fácil, de enfrentar tudo e querer viver. Quando batia a tristeza, olhava ao meu redor e via pessoas me que amavam torcendo por mim e isso me fortaleceu”, diz.

Segundo Eduardo, se apegou muito a Deus para não entristecer com os obstáculos. “Ele colocou pessoas incríveis ao meu lado nessa jornada. Pessoas que me fizeram acreditar que havia esperança para os meus sonhos. Sou eternamente grato a Deus pela minha esposa, que sempre me apoiou, chorou comigo e me ouviu todo o tempo. Os meus pais, que nos acolheram e se preocuparam tanto conosco. Meus sogros, que mesmo de longe, foram de suma importância na minha recuperação. Foram tantas pessoas que estiveram caminhando conosco, mas quero deixar nosso carinho especial a Luiza, Caio, Volnei e Robinson. Vocês fizeram com que tudo isso fosse possível. Nos conhecendo tão pouco, nos amaram tanto, e isso não tem preço. Hoje eu posso andar de novo e conquistar a minha independência novamente. Por fim, agradeço a todos que pararam por um instante de seu dia para mandar uma mensagem de conforto, que fizeram orações, que ligaram, que nos visitaram, que mandaram algum tipo de ajuda financeira, que choraram junto, que nos deram suporte, enfim, que de alguma forma se importaram com as nossas vidas. Obrigado”, finaliza.

Por Thaís Siqueira / Gazeta Informativa

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