Prismas

Reconstrução

(Imagem Ilustrativa)

Há alguns dias atrás visitei um museu que retratava com armas, uniformes, fotografias e filmes um pouco da história das duas grandes guerras mundiais.

Sobre a Segunda Grande Guerra, as imagens e objetos mostravam que a tecnologia disponível no início da década de quarenta do século passado causou grande destruição em cidades importantes da Europa, por exemplo, em ambos os lados da guerra. Imagens de sofrimento, de fome de angústia retratam um pouco do que o povo que lá habitava sofreu.

Se você observa hoje registros fotográficos e filmagens de algumas cidades europeias, fica maravilhado com a beleza de suas construções, com o cuidado de seus jardins, com a imponência de seus cartões postais ou com a riqueza de sua cultura representada pela decoração e acervo de arte de seus museus e palácios. Exemplos são Berlim, Roterdã ou Londres.

Aí se fica pensando em como foi possível reconstruir em breve período todo aquele monte de escombros e cinzas deixados pela guerra. Se pergunta como os povos se fortaleceram não só como nação, mas se transformaram numa Comunidade organizada e pode-se dizer solidária, unindo os dois lados, antes ferrenhos adversários. Note-se que em cada um daqueles países também há diferentes correntes de pensamento, diversas organizações partidárias.

Há quem diga que foram os interesses capitalistas, retratados no Plano Marshall, que permitiram a reconstrução. Eu, como outros, acredito que o sofrimento, a fome, as doenças, experimentados nesse amargo período é que os fortaleceu. Penso que aprenderam com seus erros, que usaram a dor, a desesperança como alavanca para o seu ainda maior desenvolvimento.

A reconstrução, a superação, a vontade de esquecer os dias tristes, devem tê-los motivado, uniu-os em torno de objetivos comuns. Prova disso são imagens das “mulheres dos escombros” limpando as ruas de uma Berlim arrasada, num primeiro passo para a reconstrução. Talvez a guerra tenha desenvolvido um maior senso de patriotismo, de amor a terra em que nasceram. Quem sabe aprenderam que o respeito ao vizinho é o melhor remédio para as desavenças.

Quando olho para o nosso país, cuja população nunca passou por algo parecido, me pergunto por que não estamos num estágio de civilidade melhor ou similar ao lá encontrado. Cabe lembrar que a maioria da população é formada por descendentes dos mesmos povos europeus.

O que estamos esperando para mudar a nossa realidade? Um choque, como por exemplo, o aumento da guerra urbana, como a experimentada agora no Rio de Janeiro? O caos das instituições? Um ainda mais profundo desrespeito às autoridades constituídas? A fome? A miséria?

Não precisamos passar por isso. Precisamos acordar antes que nossos problemas internos se acentuem ainda mais. A atual disputa ideológica que vivemos parece mais ligada a tentativa de dominação, de ambos os “lados”, onde se tenta distorcer a realidade, numa enxurrada de informações falsas ou não comprovadas que não objetivam a construção ou afirmação da nação e sim uma disputa de poder onde não prevalece o interesse coletivo.

Espero que nas próximas eleições encontremos uma alternativa para o resgate da nossa autoestima, uma liderança que nos conduza a união, ao crescimento.

O nosso povo, na sua imensa maioria é bom, só precisamos de líderes que nos conduzam a um mesmo objetivo, que com certeza não é o da divisão e da intolerância.

 

Adnelson Borges de Campos
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