(Imagem Ilustrativa)

Nesta semana assisti a uma entrevista com Dan Brown, feita por Pedro Bial. Fiquei me perguntando por que não procurei antes informações sobre o escritor americano, autor de O Código Da Vinci, Anjos e Demônio, O Símbolo Perdido, Fortaleza Digital, Ponto de Impacto e Origem, entre outros.

Certa vez, quando participei de uma oficina de criação literária, o professor pediu que cada um se apresentasse e citasse o seu autor favorito, alguém que lhe servisse de inspiração. Eu encontrei certa dificuldade, a mesma que surgiu quando precisei escolher uma Patrono para a cadeira que ocupa na ALB-SC – Canoinhas, pois admiro vários autores, não tenho um como referência, mas se fosse para escolher um, seria Dan Brown.

Foi essa a resposta que dei ao mestre, na oficina. Ele não ficou contente com a resposta, como também não ficou boa parte dos alunos. Talvez prefiram autores clássicos, parece mais elegante, mais culto. Eu prefiro aqueles que conseguem chegar mais próximo dos leitores, principalmente aqueles que nos fazem raciocinar, pensar diferente, questionar.

Antes de falar com Brown, o entrevistador conversou com seu pai e ele destacou alguns pontos curiosos sobre a infância de Dan e seus irmãos. Eles não assistiam televisão, para poder desenvolver hábitos como o da leitura, música, jogar e criar suas próprias brincadeiras. Mesmo assim, Brown tem uma capacidade tremenda em criar belas narrativas visuais. Seus fãs esperam ansiosamente pelos filmes com base em seus livros para comparar as descrições de edificações e pinturas feitas por ele.

Eu sonho que algum dia, alguns de meus textos sejam lidos por um número significativo de pessoas, mas olhando a experiência do autor, percebo o quanto sou preguiçoso, acomodado. Eu pesquiso para escrever, mas ele se dedica muito mais. São meses e meses estudando os temas para depois incorporá-los aos seus romances. Pretendo publicar um romance em breve, e tive dificuldade em conseguir um bom volume de páginas, não que isto seja indispensável para um livro, mas Dan, por exemplo, consegue que seus textos tenham ação presente em cada parágrafo e cria no leitor a necessidade insaciável de seguir em frente, sempre apresentando uma situação de suspense, um gancho para os próximos capítulos, que nem sempre obedecem a uma sequência cronológica.

Outro ponto interessante da entrevista de Brown é o que pensa sobre a Inteligência Artificial, tema abordado em seu livro Origem. Perguntado se acreditava que a Inteligência artificial poderia trazer prejuízos à humanidade, respondeu que tudo o que o homem cria pode ser usado para o bem ou para o mal. Quando inventou o fogo para cozinhar, em seguida queimou a aldeia vizinha. Quando descobriu a energia nuclear, criou uma bomba capaz de destruir todo o planeta. Somos potenciais destruidores por natureza, mas acabamos encontrando formas para nossa sobrevivência. Segundo ele “há mais forças construtivas que destrutivas“ entre nós, “há mais amor do que ódio”. Como ele, acredito que temos como controlar a Inteligência Artificial e usa-las a nosso favor, pois ela traduz o nosso conhecimento e será limitada por ele. Brown diz que, se criássemos uma Inteligência autônoma, com consciência sintética e a colocássemos em um quarto escuro, provavelmente seu maior questionamento seria: “De onde venho? Qual a finalidade de minha existência? Quem foi o meu criador?”. Perguntas para as quais nós seres humanos buscamos respostas por muito tempo.

Ligado a esse ponto, destaco outra curiosidade sobre o autor. Os textos de Brown são sempre atuais e incluem muitas informações, muito conhecimento, numa abordagem mais racional, lógica e científica. Em sua entrevista, ele disse que não assiste aos noticiários. Não aceita a forma de como se vendem notícias, de certa forma destrutiva. Segundo ele, ele acessa as versões digitais dos noticiários e pela manchete escolhe o que quer ler ou não. Brown afirma que há muitas coisas boas acontecendo no mundo, que a maior parte das pessoas é boa, praticam o bem. Então, porque destacar tanto o negativo? – me pergunto.

Não podemos ignorar o que é ruim, que também há maldade no mundo, mas por que destacá-la? Pior, os noticiários apresentam a receita da maldade e isto pode influenciar aqueles que tem pré-disposição para o negativo, o destrutivo.

Acredito que só crescemos, só evoluímos porque nos questionamos, questionamos o mundo à nossa volta. É isto que encontro nas obras dele, questionamentos, posicionamentos que nos fazem pensar.

Adnelson Borges de Campos
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