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REFLETIR É PRECISO: Cenários da crise política e econômica mundial e brasileira

Para compreender o cenário da crise política e econômica mundial e principalmente brasileira é preciso remeter-se a entender a dinâmica ou a lógica da organização e reorganização do capital mundial, seja produtivo, mas principalmente o especulativo.

Ainda no final da década de 1970 e decorrer das décadas de 1980 e 1990 o processo de reestruturação ou reorganização capitalista mundial denominado de neoliberalismo foi executado a partir dos ditos países desenvolvidos. Dentre seus objetivos era de apropriação de bens, produtos e serviços, além da acumulação e ampliação dos lucros. Tal concepção teórica, mas principalmente prática, consistiu em ampliar as ações do mercado em detrimento dos Estados nacionais. Na perspectiva neoliberal era reduzir as intervenções do Estado na economia e ampliar ou intensificar a apropriação de setores dos Estados por parte das empresas de mercado. Neste sentido, o capital com o apoio da grande mídia e outros setores das elites conservadoras por meio dos burocratas de plantão, encaminharam e efetivaram as privatizações de vários setores dos Estados e o desmonte do que ainda havia do Estado de bem-estar social.

Após essa etapa, já na última década, ocorre uma nova onda de reestruturação capitalista. Assim, desde o início desta década a nova investida do capital é intervir nas relações de trabalho e da previdenciária. Agora, portanto, o que está em jogo é desregulamentação das leis trabalhistas e o desmonte do Estado previdenciário. Para isso, justificam-se as “reformas” trabalhistas e previdenciárias em curso.

Nota-se a brutal força impositiva do capital por meio das grandes corporações produtivas, mas, principalmente especulativas sobre os Estados na perspectiva de vender o que ainda resta e implementar as ditas “reformas”. Assim, os Estados tornaram-se presas fáceis e reféns do capital. Associados a isso, as corporações financiam campanhas políticas de candidatos para que os mesmos, quando eleitos, defendam seus interesses e, assim, vice e versa. Exemplo disso, ocorre no Brasil e pode ser ilustrado pela defenestração (golpe) de um governante eleito pelo voto popular e a inserção de um pseudo governo (Temer) para fazer o trabalho sujo (reformas trabalhista e previdenciária) a serviço do capital. O afastamento da Presidente Dilma foi feito por parlamentares com o apoio de setores financeiros, do aparato jurídico e da grande mídia chapa branca. Ressalta-se que parte dos parlamentares que votaram pelo afastamento da Presidente são denunciados, investigados e suspeitos de atos ilícitos, de corrupção. Portanto, não teriam condições políticas suficientes para proceder e encaminhar o processo de afastamento de uma Presidente da República.

Além destas “reformas” percebe-se que, historicamente, a sociedade brasileira sempre pagou a conta dos planos, projetos, programas, reformas e as crises do sistema capitalista. Ou seja, os ônus decorrentes de tais processos recaíram e recaem sobre a maior parte da sociedade trabalhadora. Afinal, as propostas de reformas não foram apresentadas e discutidas minimamente com a sociedade. Paralelamente ao cenário da crise capitalista, política e de democracia pode-se constatar que é uma crise civilizatória.

Evidentemente, este processo de reestruturação do capital implicará a curto, médio e até longo prazos direta ou indiretamente na qualidade de vida da maioria da população trabalhadora brasileira.

Diante deste contexto, cabe a nós o papel social e pedagógico de ampliar as discussões com a sociedade e mostrar (até onde se alcança) que as crises capitalistas, de Estado, de democracia e as “reformas” são sempre intencionais, construídas e tem objetivos economicistas. Desta forma, entende-se que não são os trabalhadores e a maior parte da sociedade quem deve pagar a conta pelas crises, mas sim, quem as geras e pelos que mais ganham.

Artigo escrito por Jairo Marchesan, docente de Geografia da Rede Pública do Estado de Santa Catarina e do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC) e por Sandro Luiz Bazzanella, docente do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC).

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