Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Reflorestamento que corresponde mais de 900 campos de futebol comemora 40 anos em São Mateus do Sul

Parte da área reflorestada pela SIX em São Mateus do Sul. Trabalho desenvolvido pela Unidade de Industrialização do Xisto é responsável por recuperar área com diversidade de espécies da fauna e flora originais da região. (Fotos: Assessoria de Imprensa Petrobras)

Uma área de 850 hectares de floresta é a extensão alcançada pelo programa de recuperação de áreas mineradas da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul. Prestes a completar 40 anos, o projeto comemora o sucesso tendo reflorestado uma área que corresponde a mais de 900 campos de futebol. Em dezembro de 1977, foi implantado o primeiro canteiro, experimental, nas imediações da primeira mina de xisto na SIX. Do viveiro florestal da SIX saem mais de 120 mil mudas de árvore por ano.

Viveiro para a reprodução das mudas cultivadas.

A recuperação das áreas mineradas da SIX utiliza espécies de árvores ameaçadas de extinção, entre elas araucária, imbuia, espinheira-santa, carvalho brasileiro e sassafrás. O trabalho catalogou mais de 5 mil árvores matrizes em remanescentes da antiga floresta com araucária, num raio de 50km de São Mateus do Sul. “Estas matrizes são visitadas rotineiramente para a coleta de sementes. Depois de colhidas, as sementes são cultivadas no viveiro, manualmente, ou seja, uma a uma”, destaca a gerente de mineração Ângela Nadolny. A equipe do viveiro florestal é responsável por produzir mudas de 120 espécies diferentes.

Todo esse trabalho exigiu o plantio inicial de 10 mil covas por hectare com sementes de bracatinga, uma árvore da família das leguminosas, característica do sul do Brasil. Como espécie pioneira, própria para o crescimento a céu aberto e colonizadora de ambientes, a bracatinga serve como “guarda-chuva” ecológico, criando condições para o desenvolvimento das mudas do viveiro.

A técnica de reflorestamento desenvolvida pela Petrobras na região, engloba a recomposição topográfica da área minerada, a disposição do solo vegetal original, a produção e o plantio das espécies florestais nativas. O processo garante que, à medida que a área de mineração é lavrada, toda a extensão dos terrenos explorados é recuperada. Ângela reforça que se trata de um processo contínuo: “na sequência da extração do minério, tem início o trabalho de recuperação até o plantio da vegetação com espécies nativas”.

O cuidado, por parte da Petrobras, em criar um método de reflorestamento surgiu antes mesmo da implantação de leis específicas para a recuperação de áreas mineradas. Atualmente, a área reflorestada abriga uma grande variedade da fauna e flora. São registradas 102 espécies de vegetais, ante as 109 encontradas em média em florestas originais da região; no local, já foram contabilizadas 194 espécies de abelhas, enquanto no estado do Paraná já foram encontradas aproximadamente 217; a área possui 189 tipos de aves e na região existem cerca de 229; o território recuperado possui 21 tipos de pequenos mamíferos, na região são 25; e ainda 16 mamíferos médios ou grandes, ante 19 do estado.

A diversidade da flora e fauna foi alcançada a partir do criadouro Arca de Noé, inaugurado em 1987, com o objetivo de estudar a fauna, reproduzir as espécies em regime de cativeiro e soltar seus descendentes nas áreas recuperadas. O projeto contou com uma equipe altamente especializada de veterinários e tratadores. O criadouro funcionou até o início do ano 2000, quando sua estrutura foi desmobilizada por já ter alcançado o objetivo de reintroduzir os animais em seu habitat.

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