Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Reinventar o Humano

Quando nos deparamos com fatos, notícias que acompanhamos vendo adolescentes depredarem a própria escola; crianças recém-nascidas abandonadas em lixeiras pelos próprios pais; representantes que elegemos saquearem o dinheiro público; defensores de direitos humanos, conselheiros tutelares sendo mortos e perseguidos, entre tantos outros fatos, nos perguntamos: tudo isso tem solução?

Todas essas mazelas da sociedade são frutos de vários fatores como sabemos. Dentre estes está certamente a mentalidade racionalista que valoriza as coisas por aquilo que é vantajoso, seguindo critérios mais intelectuais que emocionais. Aliado a uma sociedade consumista e materialista que gera nas pessoas busca de acumulação de bens e posição social por aquilo que possui, gera-se nas pessoas sentimento de rivalidade, de competição, concorrência, onde um tenta sempre estar acima do outro; se comparando ao outro.

Nesse contexto, se esquece que o ser humano não é somente intelecto, mas é também afetivo. Não trabalhar essa harmonia de razão e emoção; inteligência e afeto, gera evidentemente os desequilíbrios.

É preciso se voltar a valorizar o lado emotivo, afetivo das pessoas, é preciso quem sabe reinventarmos o ser humano por um processo de educação diferente do qual praticamos. Mais do que adquirir conhecimento intelectual, quantidade de bens, de títulos acadêmicos é preciso educa-lo para uma consciência de si mesmo, de suas conquistas e de suas relações pessoais na sociedade onde vive.

Tudo o que fazemos, o que somos e o que conquistamos tem reflexo na sociedade. Não vivemos isolados, nem somos máquinas, mas pessoas humanas que vivem e constroem juntos o próprio meio. Nossas más ações prejudicam os outros e a nós mesmos.

É preciso educar essa geração para uma consciência de preocupação para com o outro, de não ver no outro um inimigo, um concorrente, ou um objeto, mas alguém que caminha junto. Nesse processo de concorrência, de satisfação própria corremos o risco de destruirmos o próprio mundo em que vivemos.

A espiritualidade, relegada como supérfluo ou desnecessária no mundo das máquinas e da razão é o caminho que conduz o ser humano a pensar em si e no outro como seres que se complementam. Ela leva a pessoa a ver no próximo um ser vivo, e não um objeto. E quando falamos de espiritualidade não se está falando de uma religião determinada, mas de um aspecto da estrutura humana; aquela que faz o ser humano se encontrar consigo mesmo, de ver quem ele é; que o mergulha para ver o sentido da sua existência. O trabalho com essa afetividade, com a espiritualidade, parece urgente no momento atual. A ideia é tornar as pessoas mais solidárias, amáveis, preocupadas umas com as outras, e com o meio em que vivem. Certamente assim se diminuirá problemas como os elencados no início desse artigo. Busquemos a harmonia de nossas “faculdades humanas”.

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