(Imagem Ilustrativa)

Não é de hoje que se discutem formas de melhorar a distribuição de renda. Um mundo com menor desigualdade tende a beneficiar todos os segmentos da sociedade. Se todos consomem, se todos têm oportunidades, mais espaço há para crescimento, para a geração de riquezas. Tais riquezas podem beneficiar tanto quem gerencia o capital como quem trabalha ou precisa de assistência.

O ideal seria que todos tivessem um emprego, um empreendimento ou fossem titulares de uma organização, mas nem sempre isso é possível e a tendência é de que empregos, como os que hoje conhecemos, deixem de existir, principalmente na indústria da transformação e em muitos setores da prestação de serviços também, reflexo de mais uma revolução tecnológica, agora ainda mais impactante, contundente em relação a sua velocidade de concretização. As máquinas nos substituirão em muitas atividades.

A pandemia da COVID-19 fez com que a revolução digital avançasse muitos anos, pois nos vimos obrigados a buscar soluções rápidas e eficazes. A busca da sobrevivência nos fez pensar diferente e transformamos o mundo, mais uma vez e rapidamente.

Quando penso em renda básica universal, não penso em assistencialismo, mas numa melhor forma de distribuir a riqueza. Num dos programas implantados no Brasil (que tem caráter assistencialista na minha visão e atende à demanda ultrabásica da população), segundo o Ipea, a cada R$ 1,00 gasto o retorno é de R$ 1,78 ao PIB. Então, se estabelecermos um programa que não seja somente emergencial ou populista, poderíamos gerar base, infraestrutura para uma melhor qualidade de vida da população, com retorno ainda maior. Dessa forma, não seria gasto, mas sim investimento num futuro melhor.

Essa melhor distribuição de riquezas também poderia vir através da melhoria dos serviços prestados pelo Estado.

No ano de 2020, o PIB do Brasil foi de 7,4 trilhões de reais e uma população estimada de 211,7 milhões de habitantes. Suponhamos que somente metade desta renda fosse igualmente distribuída. Então, uma família de 4 pessoas poderia ter uma renda mensal de R$ 5.825,00. Se usarmos a lógica mostrada pelo Ipea do retorno do Bolsa Família de 1 para 1,78, citado acima, poderíamos ser um país ainda mais rico, justamente pela oportunidade de renda para uma maior parcela da população que passaria a consumir e pagar por serviços. Também o Estado arrecadaria mais.

Nossos governantes não precisam de lição de Economia, se conhecessem um pouquinho de matemática básica muitos problemas seriam amenizados, já que grande parte da riqueza gerada fica nas mãos do governo, através da arrecadação de impostos. Só os impostos federais foram de R$ 1,7 trilhões em 2020, segundo a Receita Federal. Estados e municípios teriam arrecadado outros R$ 2,1 trilhões segundo o site do Impostômetro.

Infelizmente, nossas lideranças defendem interesses individuais, que garantem privilégios de classes. Assim, não temos uma reforma tributária de verdade. Paga mais imposto quem sempre pagou, lucra mais quem sempre lucrou. Desperdiça recursos quem sempre desperdiçou.

Espero que haja uma tendência mundial e, mais uma vez, tenhamos que pegar carona em uma onda que talvez se espalhe pelo planeta. Tanto governos (sérios) de direita como de esquerda discutem e apoiam ações neste sentido. Como sempre, nós brasileiros, perdemos a oportunidade de sermos protagonistas da história mundial como nação.

Porém, acredito que serão as grandes corporações que pressionarão para solução neste sentido, uma vez que o setor público parece cego em relação ao futuro que nos espera. Precisamos de visão de longo prazo de planos estratégicos. Mas nossos governos insistem em pensar, desde o primeiro dia de mandato, na eleição que ocorrerá no breve tempo de cinco anos.

A miséria é a maior doença do planeta, a miséria causa problemas sociais e ambientais. Quem sabe eu ainda viva para ver isto mudar.

Adnelson Borges de Campos
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