(Imagem Ilustrativa)

Ano novo é tempo de novas decisões e das famosas resoluções para serem cumpridas ao longo do ano que iniciou, não sei o motivo de esperar a virada do ano para tomar essas decisões, mas “só sei que é assim”.

Falando nisso, pouco antes do final do ano eu tive uma grande conversa com uma pessoa conhecida minha, uma grande amizade e que versou sobre isso, decisões para 2022. E foi uma fabulosa conversa que iniciou com o envio de dois pequenos textos, creio já ter comentado que recebo vários.

“De todas as lições que a vida está me ensinando, a principal é esta: há decisões que temos que tomar, há mudanças que precisam acontecer, a medos que devemos enfrentar, há solidões que precisamos suportar, assim como há lágrimas que precisamos derramar, há recomeços que precisam florescer de alguma forma dentro da gente. Porque mesmo quando pensamos que não somos capazes de suportar algo, o tempo vai nos mostrando que somos mais fortes do que pensamos e mais corajosos do que imaginávamos ser” Esse foi o texto que me enviou e já tinha recebido o seguinte, que também entrou na prosa. “Assim como tem roupas que não me cabem mais, há lugares que já fui e hoje não tenho vontade de voltar. Tem pessoas que já considerei, falei e dividi fases da vida, mas que atualmente não me faz falta e está tudo bem. O tempo passa, as coisas mudam e as prioridades se tornam outras”.

Normalmente a gente nesse período de ano novo faz promessas para os outros e para si próprio, de que vai realizar uma ou inúmeras coisas que tem quase que certeza que não irá cumprir. Alguns por brincadeira mesmo e outros falando sério, mas continuam sem conseguir cumprir. Tem uma frase que gosto bastante, “Promessa não é dívida, é dúvida”, caso contrário nem precisava ser paga, seria cumprida facilmente. Mas, o caso é que as promessas são dos mais diferentes tipos, mas aquelas mudanças que realmente precisamos geralmente ficam longe dessas resoluções. Prometem emagrecer, novo trabalho, mudar comportamento, ganhar mais, tratar melhor os outros, ler mais livros, mudar de cidade, de casa, de carro, estudar, entrar na faculdade ou terminar uma. E por aí vai, são coisas que podemos iniciar a qualquer tempo, mas deixamos para iniciar sempre no ano novo.

Seguindo as ideias dos pequenos textos acima, conversamos que na verdade essas são as mudanças e aceitações que a grande maioria precisa realizar em sua vida, e assim passar a ter uma nova vida para sempre. Entender que as coisas acontecem independente do que sentimos, aquela pessoa que amamos nem sempre nos ama, ou aquela pessoa que amamos não nos ama mais e não há nada de errado nisso. Aprender que as nossas dores podem até comover um pouco aos outros ao nosso redor, mas não significa que o mundo vai parar por nossa causa. É verdade, a maioria das pessoas não consegue ver isso, e sofrem duas vezes, uma pelo que está sentindo e outra porque os outros parecem não se importar de verdade com o que sente. Certa vez passando por um momento bem triste, daqueles de nos deixar pra baixo mesmo, por um problema particular, um amigo comentou muito secamente para dar aquele choque de realidade, “Meu amigo, engole esse choro e bola pra frente, pois se você morrer, tirando algumas pessoas, o mundo nem vai notar e tudo vai continuar sem você”, me deu uma raiva na hora, mas pouco depois ele completou, “Se a morte do Senna, do Einsten, do Kennedy não parou o mundo, não parou de chover e fazer sol, não deixou de ventar e de ter dia e noite, você acha que o que você sente vai fazer diferença pra alguém além de você mesmo?”. Pensa na paulada que foi acordar pra vida com aquilo, com o tamanho da verdade que ele me falou.

Por isso nem faço mais resoluções de ano novo faz tempo, e deixo para os nobres leitores os textos anteriores para uma reflexão de ano novo e talvez a ideia que de a melhor mudança que podemos fazer é interna, assim externamente muita coisa muda naturalmente.

Hugo Lopes Júnior
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