Meio Ambiente

Restos de folhas dão vida às árvores e flores em São Mateus do Sul

Foto: Gazeta Informativa

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Recentemente se criou um dilema sobre certa quantidade de galhos e restos de folhas no Parque de Exposições. A secretaria de Meio Ambiente forneceu esclarecimentos sobre o porquê desse fato e divulgou a existência de um sistema de produção de adubo, para nutrir flores e árvores recém-plantadas. Buscamos conhecer o funcionamento desse trabalho que é elemento redutor de custo, em momentos de crise.

Em período de crise diminui o consumo. Prática absolutamente coerente e necessária em nossas casas, não sendo diferente em empresas e gestões públicas. Sobre a qual se lança o desafio de ofertar os mesmos serviços com menos investimento. A secretaria de Meio Ambiente de São Mateus do Sul, no dia da árvore e aniversário da cidade (21/09), serve de exemplo nessa perspectiva. Restos de folhagem e materiais orgânicos retornam em forma de ‘adubo caseiro’ para compor o Plano Municipal de Arborização em desenvolvimento.

O secretário de Meio Ambiente, José Ewerling, recentemente havia convidado nossa reportagem para conhecer uma ação desenvolvida pelo departamento no Centro de Produção de Mudas – Viveiro Municipal. Segundo ele, nesse local está um exemplo de reaproveitamento de material orgânico que retorna para adubar os canteiros de flores, na cidade, e árvores plantadas em atendimento à recomendação do Ministério Público (MP).

Foi estabelecido que cada município precisa atender à esse quesito e São Mateus do Sul segue essas prerrogativas com apoio da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) que repassa as mudas. O objetivo é chegar ao número de mil árvores, juntamente com pé de erva-mate, até o final de 2016. Ao final, a estimativa é de que são necessárias entre dez e 12 mil plantas para concluir o Plano.

O projeto desenvolvido

Quando a prefeitura executa uma roçada ou recolhe folhagem o destino é o Viveiro. No caso dos galhos, a madeira lenhosa é suprimida e guardada para futuro repasse para entidades realizarem o aproveitamento. No Centro de Produção de Mudas o material orgânico é colocado em local apropriado para sua decomposição natural. Depois de um ano, pode ser utilizado em covas para plantio de árvores ou canteiros de flores para deixar a paisagem da cidade mais bonita e agradável.

“Plantamos em torno de 150 nativas mais 50 mudas de erva-mate, nesse sistema”, informa o secretário. Nas covas, antes do plantio, o material da compostagem é colocado para servir de adubo e realizar a nutrição. A Copel deve repassar um novo lote de 300 plantas, somadas de mais 50 de erva-mate, a serem plantadas até o final de outubro.

Continuidade da proposta

Um levantamento técnico do setor de Meio Ambiente concluiu que são necessárias entre dez a 12 mil árvores para concretizar a arborização de toda a cidade. “É uma estimativa”, acrescenta o secretário. A ‘Avenida do Mate’, sugestão do grupo Conselho do Jovem Empresário (Conjove), é parte dessa idealização para a Avenida Ozy Mendonça de Lima ficar mais verde e se aliar ao fortalecimento da identidade da cidade pela erva-mate.

Em outra frente de ação, a secretaria, juntamente com o departamento de Obras, pretende apresentar projeto de Lei, com a regulamentação do Plano Municipal de Arborização. “Estamos discutindo mais alguns pontos para concluir essa proposta e levar até os vereadores, para debater essas questões, transformando em Lei”, afirma José Ewerling.

Ambiente e economia

Até por conta da crise, o objetivo é produzir adubo próprio e evitar a necessidade de comprar para nutrir flores e árvores, recém-plantadas. “Alternativa doméstica, com trabalho fácil que reduz gastos na compostagem”, relata o secretário. Todo material organizado oriundo de varrição de ruas, corte de grama, podas de árvores, entre outras coisas, é levado para o viveiro onde fica em decomposição, para uso posterior.

O Centro de Produção de Mudas segue esse sistema há cerca de dois anos, quando iniciou o experimento de compostagem. Com a projeção de ampliar, em três vezes até o final do ano e mais de 30 até a conclusão da arborização, o intuito é de ampliar esse sistema de reaproveitamento de material. “Sinto que temos que produzir mais. Se formos acelerar, e temos que acelerar.”

Além disso, José Ewerling sugere que as pessoas, em suas residências, sigam esse modelo. Ao cortar grama, podar árvores, entre outras ações de limpeza, o cidadão pode separar essas folhagens e deixar num espaço ocioso. Após a decomposição pode adubar o jardim ou a horta. “É econômico e eficiente esse sistema e cada um pode fazer”, analisa.

Exigência de arborização

“Todos os municípios devem implantar obrigatoriamente”, explica o secretário. Segundo ele, é determinação do MP e cada gestor precisa seguir. Nesse quesito São Mateus do Sul saiu na frente. “No estado do Paraná se constituiu um Conselho Interinstitucional que avalia os planos”. José relata que esse grupo esteve no município e avaliou que as tratativas implementadas seguem os conceitos previstos.

Essa avaliação ocorreu no mês de abril. Os membros estiveram em São Mateus do Sul para conhecer a proposta e se reuniram com a administração. “A análise preliminar foi bastante positiva e vista como uma das melhores do Estado,” comemora. O objetivo inicial é que cada cidade siga, pelo menos em parte, essa recomendação já em 2016 e apresente resultados. No município o MP local que acompanhado esses trabalhos.

Planejamento urbano

“Toda nova pavimentação que for feita numa cidade precisa ter árvores previstas, com seleção de exemplares que não estraguem as calçadas e sejam adequadas”, diz o secretário. “Estamos plantando espécies nativas variadas, baseadas em estudos técnicos e acompanhamento”, frisa.

Segundo ele, um planejamento inadequado pode prejudicar até a biodiversidade. “Há, por exemplo, árvores que produzem frutos que prejudicam os passarinhos e isto foi abolido”, afirma. Outras, ainda, podem estragar calçadas ou serem altas demais e interferir na rede elétrica. “Por isso é fundamental ter um projeto bem cadenciado e com supervisão técnica.”

Outro quesito, aliado a tudo isso, é que a secretaria de Meio Ambiente investiu em equipamentos para avaliar a ‘saúde’ das árvores. Algumas são mais antigas e precisam ser removidas, por conta de oferecerem riscos às pessoas. Outras estão em espaços impróprios. O Plano Municipal prevê regulamentar tudo isso. “Certamente é uma ação que vai ter grande impacto no futuro do nosso município”, garante José Ewerling.

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
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