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Retirada de árvores da praça marca o início da construção da Rua Coberta

A comunidade que convivia com o espaço ficou comovida com a retirada das árvores da popular praça são-mateuense. Outros moradores apoiaram a situação que favorece o turismo do município. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Na tarde de quarta-feira (5), as primeiras movimentações para a construção da Rua do Mate iniciaram em São Mateus do Sul. As árvores da praça localizada nas proximidades da Igreja Matriz foram retiradas, causando grande comoção aos moradores da região e àqueles que aproveitavam o espaço com frequência nos fins de tarde. Houve também pessoas que apoiaram a ação, tendo como justificativa a contribuição da obra para a evolução da área turística, cultural e de desenvolvimento do município.

A equipe da Gazeta Informativa coletou alguns comentários sobre o início das obras. Dentre eles, alguns moradores enfatizaram que o projeto deveria integrar às árvores do espaço com a nova construção, evitando a retirada do recurso natural. “O projeto deveria ser feito de uma maneira que as árvores pudessem ficar”, expressam.

Outros moradores ressaltaram que a mudança é essencial para a construção do novo espaço que marcará a identidade do município. “Não estamos perdendo nenhuma praça, mas sim construindo um novo local que também contará com novas árvores adequadas”, ressalta um comentário.

Segundo os responsáveis pela Rua do Mate (ou Rua Coberta como também é popularmente conhecida), membros do Conselho do Jovem Empresário (CONJOVE), o local onde as árvores foram retiradas será o espaço coberto projetado. “Destacamos que nas outras áreas haverá um novo projeto de arborização, com árvores nativas do município”, confirma Geruza Viera, uma das arquitetas. A empresa responsável pela construção é a Flama Construções e Serviços Ltda., de São Mateus do Sul, que tem 300 dias para a finalização da obra que contará com 3.284,05 m² de área e 1.315,90 m² de área coberta.

Ainda de acordo com os idealizadores do projeto, as alterações precisavam ser iniciadas logo no início desse mês, para que o prazo estipulado de entrega fosse cumprido. “Todo o espaço será modificado para a construção de uma nova drenagem, fundação e demais serviços que envolvem a obra. Novos canteiros e quiosques serão construídos, e por questão de segurança, o local será isolado”, explicam.

Dentre os principais objetivos com a criação da Rua do Mate, seus idealizadores e projetores, destacam a alocação de um espaço singular de lazer e cultura para a população são-mateuense, além de propiciar um espaço coberto e adequado para a Feira Livre do Produtor e para apresentações culturais e eventos públicos. Se destaca também a valorização dos edifícios históricos locais: Igreja Matriz e o Colégio das Irmãs, além da integração com o Chimarródromo e a possibilidade de criação de um marco e portal de entrada para a cidade.

A situação do quiosque da Madá

“Muitas pessoas se encontravam ali com a família e os amigos, e hoje dói o meu coração ver que em questão de minutos tudo foi destruído”, expressa Maria Madalena Choma Chornobay, popularmente conhecida como Madá. A praça é chamada carinhosamente pelos amigos que frequentam o quiosque como “Praça da Madá”. O comércio precisará ser demolido para a construção de novos quiosques que estão no projeto da obra.

Conhecida por muitos são-mateuenses pela sua simpatia e “agito”, a Madá reúne em volta de seu quiosque pessoas de todas as idades para uma boa música e conversa durante as tardes. Há 22 anos essa paixão pelo quiosque iniciou, trazendo junto disso uma importante relação com o espaço físico onde se encontrava, como a praça que está sendo modificada.

De acordo com João Alfredo, secretário de administração, Madá recebeu a notificação para a retirada dos seus pertences do quiosque há 90 dias, por conta do início das obras e a futura demolição do espaço. Madá possui um contrato com a Prefeitura Municipal, e paga mensalmente a locação do lugar. “A nova obra contará com novos quiosques, que depois da construção, precisará passar por um processo licitatório para a locação como exigem as leis”, explica o secretário.

Unidos em uma corrente de bem para que a Prefeitura encontre um lugar provisório para a Madá, amigos da comerciante estão realizando uma petição online, que conta, até o fechamento dessa edição, com mais de 1.300 assinaturas. “Só peço para a Prefeitura encontrar um lugar que eu possa ficar durante esses dias de obra. Não existe Madá sem os amigos, e estou muito emocionada em saber que muitas pessoas estão me apoiando nessa luta”, afirma Madá, que ressalta que na próxima semana terá uma reunião com a equipe da Prefeitura para encontrar uma possível solução para o caso.

 

Palavra de quem colaborou com o projeto

“Trabalhar em sociedade e para a sociedade é algo complicado. Nunca vai ser possível agradar a todos. Mas para nós, profissionais que trabalhamos para a realização de sonhos de nossos clientes, é ainda mais difícil. E se é algo difícil e trabalhoso projetar uma cozinha, uma sala, um quarto, é infinitamente mais complicado projetar uma rua. A ‘Rua do Mate’.

Eu, meus colegas, na época de faculdade e agora de profissão, assim como uma professora que agora também é colega de profissão, passamos dias e noites, feriados, finais de semana, em cima do projeto, para que ele fosse pensado e concebido para melhor atender a toda a comunidade.

A retirada das árvores que estavam ali foram um mal necessário. Não foram arrancadas no ‘oba oba’. Não foram arrancadas porque odiamos árvores e queremos destruir. Tem todo um estudo por trás disso. Tem todo um projeto paisagístico desenvolvido e pensado da melhor forma possível, com o plantio de novas árvores, adequadas ao espaço. Mas como para uma grande parte da população nada nunca está bom, já era de se esperar esse tipo de repercussão.

Esperem o projeto ser concluído, observem as melhorias que ele trará para a cidade e, se mesmo assim, ainda não concordarem com a mudança, com as melhorias, infelizmente nós não poderemos fazer nada. Como diz a máxima ‘não se pode agradar Gregos e Troianos’”.

Relata o arquiteto Bruno Cechinatto.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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