Da longínqua Itália, vieram muitos imigrantes para o Brasil. São Mateus do Sul também acolheu muitas destas famílias que fazem parte da história são-mateuense. Em 1 de setembro de 1919, chegou em nosso município uma família de origem italiana; era José Magnani e sua esposa Maria Bisinelli Magnani. José Magnani veio da região da Lombardia com 9 anos de idade, conhecendo sua esposa, mais tarde, no Brasil. Fundou a Fábrica de Telhas Magnani (1919) e algum tempo depois, atuou no ramo de madeiras. O casal teve 7 filhos (Virgínia, Ernesto, João, Ângelo, Célia, Lourenço e Maria Antônia – Antonieta). Este conjunto de três fotografias em preto e branco, tamanho 8,5cm x 13,5cm, compõem um quadro com retratos dos irmãos: João Bisinelli Magnani (09-02-1911/14-03-1990), Ângelo Bisinelli Magnani (08-11-1914/22-09-2012) e Ernesto Bisinelli Magnani (17-11-1909/05-05-1993).

As fotografias são internas, feitas em estúdio, onde aparecem três homens jovens em pose de meio corpo, com uniforme militar. O uniforme era da cor cáqui e possivelmente as fotografias foram feitas por Estanislau Budzinski, fotógrafo de São Mateus do Sul. Existia em nosso município no ano de 1932, o Tiro de Guerra 548-General Monteiro de Barros. Esta instituição tinha por objetivo difundir aos rapazes são-mateuenses a instrução militar, lições de civismo e amor à pátria. Consta como informação sobre estas fotografias que Ernesto e João participaram da turma de 1928 e Ângelo da turma de 1932.

Três belos ragazzi! Dois, possuíam apelidos e eram carinhosamente chamados pela família de: Lin (Ângelo) e Nine (João). Ernesto não tinha apelido e trabalhou no beneficiamento de madeiras da família. Ângelo e João foram marceneiros. Este quadro faz parte do acervo fotográfico da Casa da Memória Padre Bauer. São três pares de olhos que eu observei atentamente e fiquei a perguntar: O que eles viram que eu não vi? Lembrei-me então, de um pequeno texto do livro de Roland Barthes, um clássico sobre fotografia. “Um dia, há muito tempo, dei com uma fotografia do último irmão de Napoleão, Jerônimo (1852). Eu me disse então, com um espanto que jamais pude reduzir:” Vejo os olhos que viram o imperador”. (BARTHES, 1973, p.11).

BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Tradução de Júlio Castanon Guimaraes: Rio de Janeiro-Nova Fronteira,1984.

Últimos posts por Hilda Jocele Digner (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Ewaldo Gaensly: retrato do primeiro prefeito de São Mateus do Sul
Primeira eleição 21 de junho de 1908
Nome de Mulher