Uma canoa vai avançando calmamente pelas águas limpas desse rio, que pelos Guaranis foi chamado de “Iguassú” e pelos Kaingangs de “Goio-Covó”. Como toda imagem, transmite certo sentido dependendo do olhar do observador. Impossível não se encantar com a natureza poética dessa fotografia. O próprio rio já inspirou muito poetas e não são poucas as referências literárias que o descrevem em forma de poesia. Historicamente falando, foi o Rio Iguaçu o facilitador de muitas conquistas. Nas suas margens surgiram cidades, em suas águas passaram expedições militares, vieram imigrações colonizadoras e principalmente foi ele um rio ervateiro, onde escoou por muitos anos nossa riqueza da erva-mate.

Comparando com outras fotos do mesmo lugar e conversando com outros pesquisadores, podemos dizer que a localização da imagem que aparece na fotografia é o atual Parque do Iguaçu. No verso da foto constam duas datas: 1910 e 1915. Visualizamos algumas construções em madeira na margem direita no sentido de quem desce o rio. Após a primeira construção do lado direito da foto, temos uma entrada que era a antiga Rua do Porto, atual Barão do Rio Branco. Aparece uma espécie de poste (telegráfico?) e alguns depósitos para armazenar mercadorias como erva-mate e madeira, principalmente. Existiram em nosso município muitas empresas de navegação que atuaram nesse porto e uniram-se para formar a Lloyd Paranaense S.A., em 1915. Havia algumas entradas como essa utilizadas pelos vapores; A Lloyd Paranaense S.A., por exemplo, à semelhança das outras empresas, possuía local próprio para suas embarcações. O conjunto desses locais formava o antigo porto de São Mateus do Sul que foi sede dessa navegação.

Além das pessoas da canoa no primeiro plano da imagem, aparecem mais duas pessoas na foto que não foram identificadas, uma está em uma canoa próxima da margem e outra (que parece um menino) um pouco mais adiante. A beleza da cores em preto e branco, a projeção em sombra dos dois homens na embarcação dá um sentido poético e saudosista para a imagem. Escreveu certa vez um poeta: “As águas calmas do Iguaçu, que observamos sem medo, que sentimos em segredo, feito olhar de menino passageiro, que tornou o homem prisioneiro, do seu próprio coração”. Não conseguimos deter nosso olhar por muito tempo na margem, pois é o rio que se mostra, hipnotizando o olhar de quem observa, na sua quietude infinita, o rio que atrai, que chama.

Assim Romário Martins descreve o Rio Iguaçu: “Nasce num pingo d’água, caminha num tenue fio de crystal, alonga-se num ribeiro humilde e irrompe para o oeste numa caudal. Curveteia aos rebordos das coxilhas verdes some-se na matta frondosa dos valles humidos, exsurge, pompeante na apotheose das cataractas diluviais de Santa maria e entra, rompente e triunfante, no estuário do Paraná fronteirando 3 nações americanas” (1932).

  • Referências
  • Cinquentenário da Navegação-1882-1932. Acervo bibliográfico Casa da Memória Padre Bauer
  • RIESEMBERG, alvir.A Instalação Humana no Vale do Iguaçu. 1973
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