Perfil

Rosana, a são-mateuense que é psicóloga, mãe, esposa, contadora de histórias e Youtuber

Rosana além de psicóloga especialista em relacionamentos, é Youtuber e tem levado informações a muitas pessoas pelas redes sociais. “Eu sou alguém que gosta de transformar o mundo, com trabalho voluntário, compartilhando saberes e fazendo a escuta da alma”, afirma. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

A são-mateuense Rosana Ehlke Vistuba, de 43 anos, é a filha caçula de três irmãos homens e mais velhos filhos de Lêda Ehlke, 74 anos, professora de português aposentada da rede municipal e estadual de ensino, e Djalma Remy Linhares Ehlke (in memoriam), dono da funerária Santa Maria, primeira funerária no município.

Como era a filha caçula e com bastante diferença de idade em relação aos seus irmãos, 6, 7 e 9 anos de diferença respectivamente, aquela criança foi criada por, praticamente adultos e hoje conclui que é, “alguém que gosta de transformar o mundo, com trabalho voluntário, compartilhando saberes e fazendo a escuta da alma”, assim se define a profissional que abriu a porta de seu coração e de sua vida para nos contar sua história.

Rosana relata sempre ter tido a impressão de que via e ouvia além dos outros, mesmo muito jovem, quando escutava o que as pessoas queriam dizer, se preocupando com o outro desde pequena. “Eu sentia, mas não compreendia.”

Rosana em sua formatura. (Acervo Pessoal)

Ela notava que a sociedade de uma forma geral, tinha um pacto de silêncio, e sempre ouvia a seguinte frase: “não fale nada se não ofende.” Portanto a psicologia entrou em sua vida como uma ferramenta para poder ajudar as pessoas a desembolar os seus sentimentos e ter uma intimidade maior com sua própria alma.

“Quando um adolescente pensa em fazer vestibular, ao menos na minha época, ele queria direito, medicina ou mesmo odontologia, pois tinha como objetivo ficar rico. Em 1993 eu não gostava de sangue e nem era muito boa de briga, portanto essas profissões eu não me daria bem”, lembra Rosana.

Durante os cinco anos os quais frequentou a Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde se formou em psicologia, Rosana cresceu e se fortaleceu enquanto pessoa. Ainda na sua adolescência foi morar com sua avó, Anna Mattioli Silva, na cidade de Contenda a fim de ficar próxima à capital onde frequentava a graduação. E ali permaneceu durante 10 anos, “anos fantásticos”, como ela menciona.

Se formou em 1998, e iniciou sua atuação numa clínica de saúde ocupacional em Araucária, logo após se especializar em Engenharia de Segurança no Trabalho e atuar com a organização das Semanas Internas de Prevenção de Acidentes no Trabalho (SIPAT) em várias empresas da região, sendo precursora no estado nessa atuação como mulher e psicóloga.

Nessa fase de sua vida, Rosana nos revela dois segredos, até então desconhecidos pela maioria das pessoas que a conhece como uma das psicólogas mais importantes da região. Ainda residindo em Contenda e acadêmica de psicologia, a jovem com apenas 19 anos atuou como conselheira tutelar no município e foi a fundadora e primeira presidente da APAE da cidade.

Movida por querer transformar o mundo, a jovem sabia que haviam muitas crianças que precisavam e ficavam diariamente em casa, sem apoio algum. Lembra que um dos principais fatores que a motivaram nessa conquista foi conhecer um menino com hidrocefalia, que havia colocado de alguma maneira em sua mente, de que para ser aluno da APAE ele teria de saber ler e escrever, e num período de 4 meses ele, antes de sua mãe fazer sua matrícula, passou a pegar os livros e cadernos dos sobrinhos que estavam na escola regular do município para tentar ler, e dali, conseguiu entender as palavras e escrever seu próprio nome. “Ele tinha medo de ser rejeitado e não poder frequentar aquele que seria uma escola especializada para ele poder estudar”, recorda-se Rosana.

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Contenda foi inaugurada em um espaço que antes era um vestiário. Mesmo com uma estrutura limitada nasceu ali um atendimento especializado que até hoje beneficia aquela comunidade. “No dia da inauguração, me virei para minha amiga Marli Gabardo, que apoiou a ideia de erguermos juntas essa instituição, e disse: ‘eu menti para você que nós abriríamos a APAE e você acreditou!’ E ela se virou para mim, com a mesma segurança e disse: ‘e eu fingi que nós podíamos e você veio atrás’. Duas loucas que fizeram da necessidade que era um sonho, se tornar realidade para 25 alunos. Hoje eu olho para trás e falo comigo mesma, caraca, você foi capaz de fazer isso?”

Rosana retornou à São Mateus do Sul dez anos depois de ter partido em busca da formação profissional motivada por um concurso público municipal que daria uma vaga à profissional da psicologia em 2002. “Minha mãe me avisou e no mesmo tempo peguei um ônibus e corri para cá fazer minha inscrição, pois naquela época ainda não existia inscrição on-line. Apenas 5 candidatas fizeram a prova e eu fui a primeira colocada.”

Assumiu o cargo no ano de 2003, sendo responsável por atuar no fórum da comarca e na época, nas creches do município. Após cinco anos assumiu o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), onde iniciou os trabalhos com grupos e cinco anos após, atua hoje no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), marcando os 15 anos na Prefeitura Municipal.

(Acervo Pessoal)

Casada com o único homem que de fato foi a paixão da sua vida, Rosana conta que desde adolescente quando se apaixonou por ele, suas histórias mesmo próximas estavam distantes como num conto de fadas. Tudo começou quando ela, aluna do Colégio Estadual São Mateus, do curso de Petroquímica, enfrentou um período de greve dos professores e temendo prejudicar-se nos estudos preparatórios para os vestibulares, foi transferida para o Colégio Integral e lá conheceu o jovem André Luiz Vistuba, hoje com 43 anos, que de fato, foi paixão à primeira vista.

Num primeiro momento acabou não dando certo por vários motivos, e depois de longos seis anos os dois novamente se reencontraram na cidade de Curitiba nos corredores da UFPR, já com 21 anos. O acaso os prejudicou novamente, fazendo com que a rotina e um outro relacionamento os afastasse. E lá se foram mais seis anos de distância um do outro.

Há 23 anos, Rosana lembra que chegou num momento que o coração falou mais alto e ela, sem o contato de André, e com todas as dificuldades do tempo que não existiam redes sociais, procurou por ele nas listas telefônicas e coincidentemente no dia internacional da mulher, encontrou, ligou e conseguiu conversar com ele, que logo de cara a parabenizou pelo seu dia e tempos depois naquela mesma data se casaram e hoje somam 15 anos de união.

Desse amor, nasceu a pequena Ana Carolina Ehlke Vistuba que hoje já tem 13 anos e é o fruto do amor do casal. Ana leva o nome da saudosa avó que residia em Contenda e que foi homenageada pelos pais que garantem que a jovem é 50% mãe com sua sensibilidade e 50% pai como fã dos jogos e mídias. “Dá para encontrar nós dois nela”, diz.

Depois de 15 anos, a família anda junta colaborando com várias famílias nos cursos de casamento, de trabalhos em grupos do CREAS, vídeos nos YouTube que a psicóloga adentrou a essa prática nas últimas semanas.

Rosana conclui a conversa afirmando que seu maior objetivo é completar 120 anos dando palestras pelo mundo, extrapolando as fronteiras. Ela já começou alcançando seis países com seus vídeos como Youtuber. Daqui há 10 anos ela almeja estar aposentada e ter um número maior de pessoas reconhecendo seu trabalho que aos poucos está se tornando um livro, “meu ideal é ajudar as pessoas a acreditarem e terem coragem para mudarem sua vida, sua história e mudar o mundo.”

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