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Ruas e calçadas em péssimas condições oferecem risco à população

(Fotos: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

* Os nomes foram modificados para preservar a identidade dos entrevistados

Desvia de um buraco aqui e de pedras soltas ali. Essa é a triste realidade da população de São Mateus do Sul. Os problemas de infraestrutura das ruas e calçadas do município, nunca incomodaram tanto a população. Há ruas em que os carros precisam desviar dos buracos e ondulações, ou até mesmo, procurar outras rotas alternativas para evitar danos no veículo. Há vários trechos de calçadas tanto no centro quanto nos bairros, que encontram-se em mal estado de conservação, obrigando os pedestres a caminharem pelos buracos ou entre os carros, correndo risco de acidente. E, nos bairros onde não há asfalto, os problemas agravam-se.

O Facebook está sendo uma das principais redes sociais utilizada pelos são-mateuenses, como palco de discussões e desabafos sobre essas péssimas condições que são um problema percebido pela população. Na lista de principais reclamações estão trechos sem acessibilidade, cheio de buracos, com inúmeras ondulações e desníveis, falta de estacionamento, empresas que privatizam calçadas e estacionamentos públicos, alagamentos, entre outros.

Cansado de esperar por melhorias e na expectativa do poder público tomar alguma atitude perante essas situações desagradáveis, João*, tem utilizado o Facebook, para desabafar e discutir esses assuntos, pois acredita que a situação das ruas e calçadas do município estão ruins. “Eu sempre evito andar pela rua Guilherme Kantor, que em meu ponto de vista, é uma das piores, e algumas outras que com seu grande número de buracos com certeza devem ser evitadas”, expõe.

Falando em administração municipal, João* critica que a atual está muito inferior da perfeição. “Compreendo o momento enfrentado pelo país, mas nosso município possui uma das arrecadações mais fortes do estado e mesmo assim coisas básicas são esquecidas na saúde, infraestrutura e outros setores”, completa.

João* acredita que no ano que vem, como é ano de eleições municipais, vão aparecer todo tipo de obras. “E esta cidade pode virar um paraíso da noite para o dia, mas o que esperar de uma administração que usa das esperanças do povo pra se fazer vencedora em pleitos futuros? Com certeza em política, estamos longe da compaixão alheia a nós eleitores”, diz.

Para João*, apenas os canteiros estão em boas condições. “Quem passeia pela cidade e vê os canteiros das avenidas floridos e bem cuidados bem ao lado de ruas sem sinalização, com faixas de pedestres apagadas e sinaleiros com defeito fica imaginando o tamanho da ironia a nós impostas pela administração pública municipal”, comenta.

Assim como no centro, de acordo com João*, as ruas dos bairros mais antigos e afastados da cidade também estão em péssimas condições. “As ruas Guilherme Kantor e João Gabriel Martins, estão ruins, levando em consideração que são ruas importantíssimas para a fluência do tráfego numa cidade em que a frota está acima do normal para sua densidade demográfica. Não esquecendo que estas ruas citadas não recebem quaisquer infraestrutura desde o seu calçamento lá pelos anos 80”, fala.

João* confessa que tem impressão que a prefeitura começa a obra apenas pra acalmar o povo daquele local e logo deixa tudo pela metade e parte pra outra, só voltando pra terminar muito tempo depois, após causar muito transtorno.

Há muitas ruas na cidade que oferecem riscos à população. A esquina da João Gabriel Martins com a Agenor Nascimento Agenor é uma delas. Neste local, no dia 02 de julho, às 13h25min, Rosana* perdeu o controle da moto que estava pilotando, por causa de uma obra da Prefeitura, que não está totalmente concluída, causando o acidente. “Minha moto derrapou nas pedras da obra que está parada há algum tempo. Este local ainda pode causar vários acidentes com outras pessoas. Graças a Deus, meu acidente não foi tão grave, mas outras pessoas ainda correm o risco de sofrer acidente ainda mais traumático, caso continue essa irresponsabilidade do setor de obras”, desabafa.

João* relata que convive com muitos acidentes no cruzamento das ruas Ulisses Faria e João Gabriel Martins (esquina do Bar do Riske). “Neste cruzamento poderia haver uma diminuição significativa na incidência de acidentes com uma medida muito simples e barata, que é a recolocação das lombadas que foram retiradas com a colocação dos semáforos naquele local. O problema é que os semáforos ali amarraram o trânsito de ônibus escolares e carros durante o horário escolar e foram retirados, porém as lombadas não foram recolocadas como deveriam e a rua ficou desprotegida, pois muitas vezes, quem vêm pela Rua Gabriel Martins não tem boa visão da Ulisses Faria e acaba avançando e causando acidentes que não aconteceriam caso existissem as lombadas. Também há trechos de alagamento nas ruas Ulisses Faria próximo à rotatória e no decorrer dela até o rio Canoas, que causam grandes transtornos”, opina.

Descaso
Conforme Paulo*, as ruas e calçadas estão abandonadas e em péssimas condições de uso. “Estão num total abandono e completo descaso. Há muitas ruas esburacadas que causam acidentes e prejuízos aos motoristas. Para piorar, também é possível notar muitas calçadas com buracos, obstruídas por tapumes, placas e outras coisas que acabam prejudicando a movimentação dos pedestres”.

Paulo* acredita que a conservação cabe aos órgãos públicos do município, responsáveis por essa área dentro da gestão municipal. “Tenho ouvido muito sobre a gestão atual, e os comentários que ouço não agradariam o prefeito Clóvis Ledur (PT), pois todos que ouço, falam da má gestão, de promessas não concretizadas, de coisas como vamos fazer, será feito, estamos fazendo licitação, mas parece mesmo que ficará tudo para o próximo, nada tem sido efetivado a contento”.

Todos os cidadãos do município estão sendo prejudicados pela má conservação das vias públicas do município, é o que afirma Paulo*. “Precisamos de um choque de gestão, boa vontade, decisão, tomada de posição, investimento pesado sem desculpas de que não há recursos, fazer projetos que se fizerem necessários, enfim, boa vontade política para que haja uma efetivação naquilo que tem sido apenas promessas. São Mateus do Sul merece”, finaliza.

Berenice* está bastante decepcionada com o descaso com as ruas da cidade, como ela mesmo relata, “Meu filho estuda na Escola Odemira Cunha e é uma verdadeira aventura leva-lo até a escola, de moto, pois vou pela rua Olívio Wollf do Amaral, tenho que dirigir em zigue-zague para desviar dos buracos e quando chove então… só lama. A falta bom senso para não falar outra coisa do secretário de obras, Albari Rodrigues da Rosa, é revoltante”, conta.

Assim como todos, Rodrigo* critica a atuação do Prefeito. “As ruas e calçadas estão mal conservadas, sem investimento algum. A Prefeitura não tem interesse de manter as ruas já asfaltadas em bom estado e nem de asfaltar novas ruas do centro, como João Gabriel Martins e Guilherme Kantor. Cabe à ela manter conservadas as ruas da cidade com o dinheiro arrecadado através de impostos e fiscalizar a conservação dos passeios (calçadas). Acho que estão todas em um péssimo estado. Coisa rara é poder andar pela cidade e encontrar um trecho de 200 ou 300 metros sem buracos, remendos (tapa-buracos mal feitos), valetas, trincas ou coisas deste tipo. Como já dito, ruas do centro como João Gabriel Martins e Guilherme Kantor precisam urgentemente serem asfaltadas do início ao fim. São ruas de alto tráfego e são o “escape” para todos os motoristas que desejam desviar as principais de maior tráfego (Barão do Rio Branco, Av. Ozzy Mendonça de Lima e Tenente Max Wolff Filho). O fluxo nelas é alto e constante durante o horário comercial. É necessária também a instalação de semáforos em alguns outros pontos críticos como a esquina do Mercado Brongiel ou então a esquina da rua Dona Estefânia com a Av. Ozzy Mendonça de Lima”.

Rodrigo* conclui a entrevista afirmando que o atual Prefeito Clóvis Ledur (PT), é um dos piores prefeitos que a cidade já teve. “Descaso com a cidade… não somente na pavimentação como também em diversos outros aspectos. Assumiu a responsabilidade achando provavelmente que seria fácil”, finaliza.

Renata* retrata que sair com carrinho de bebê para passear, nem pensar! “Várias vezes tive que ‘dividir’ a rua com os carros, pois as calçadas estão em péssimas condições pra andar com carrinho de bebê. Sem contar o perigo. Uma vez saí com minha filha, com o carrinho, ela tinha apenas um mês e meio e por pouco um carro quase levou eu e ela junto, por que? Porque a calçada estava cheia de entulhos de construção e boa parte toda destruída, e eu me obriguei a ir pela rua. E se tivesse acontecido o pior com a minha filha? Com isso, o prefeito Clóvis Ledur (PT), e vereadores não iam se importar, porque não é com eles. Acho que eles tinham que tomar vergonha na cara e fazer alguma coisa pra mudar isso. Antes que aconteça o pior. Ah! Sem contar os cadeirantes. Que sofrem mais ainda com isso. São Mateus do Sul já foi uma cidade linda. Hoje ela está abandonada”, desabafa.

A responsabilidade
Conforme o prefeito Clóvis Ledur (PT), no depoimento que prestou ao Jornal Gazeta Informativa, na manhã de quarta-feira, dia 08 de julho, afirma que o dever de construção, conservação e manutenção do passeio público (calçadas) é de responsabilidade do proprietário do imóvel. Entretanto, caso o responsável pela conservação do bem, assim não o fizer, de modo adequado, cabe ao Poder Público (Município), realizar ações rotineiras de fiscalização e exigir que sejam feitas as melhorias necessárias. “A partir de agora, vamos intensificar a fiscalização para que o cidadão responsável realize os serviços necessários, caso contrário, o mesmo será notificado, e se não executá-los no prazo de 90 dias, o município realizará os serviços necessários e cobrará o custo do serviço do responsável”, explica.

“Nós reconhecemos que poderíamos ter evitado esses acúmulos de buracos nas ruas. Pretendemos fazer uma manutenção contínua das ruas e fiscalizar os problemas das calçadas, que apresentam más condições, para não apresentarem mais problemas”, diz ao jornal Gazeta Informativa, prefeito Clóvis Ledur (PT).

Clóvis Ledur destaca que desde o dia 19 de setembro de 2014, entrou em vigor a nova padronização de calçadas – regulamentação determinada pelo Decreto nº 562/2014. As novas normas tem como finalidade assegurar acessibilidade e segurança aos pedestres e fazer cumprir as responsabilidades por parte dos donos das propriedades e do próprio município na construção, manutenção e recuperação dos passeios públicos. “Como nós colocamos em vigor a nova padronização de calçadas, vamos exigir de todo cidadão que queira fazer uma construção ou reforma, que ele apresente no pedido de alvará na Prefeitura, o projeto da calçada. E a Prefeitura só vai liberar o habite-se (autorização dada por órgão municipal permitindo que determinado imóvel seja ocupado), depois que a calçada estiver de acordo com a Lei Municipal”.

Referente as más condições das ruas, Ledur justifica: “Nós reconhecemos que poderíamos ter evitado esses acúmulos de buracos nas ruas. É um erro nosso. Porém, ainda pretendemos fazer uma manutenção contínua dessas ruas que apresentam más condições, para não apresentarem mais problemas. Muitas vezes, quem vê os buracos e critica, acha que é fácil, mas não é. Pior ainda, é quando pensam que não fazemos as coisas porque não queremos. As coisas não são tão fáceis, quanto parecem ser. Para executar nossos projetos em prol do município, é necessário enfrentar vários processos burocráticos, que não dependem apenas da prefeitura. Mas, estamos correndo atrás e queremos fazer a diferença”, finaliza.

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