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Ruas esburacadas e trechos não-pavimentados: o panorama de São Mateus do Sul

Fotos: Alexandre Douvan/Gazeta Informativa

Fotos: Alexandre Douvan/Gazeta Informativa

Não é de hoje que os são-mateuenses queixam-se dos problemas que encontram na pavimentação asfáltica das ruas, tanto no perímetro urbano quanto rural: no primeiro as reclamações se enredam sobre os buracos e inundações; no segundo é justamente a não-pavimentação que gera transtornos.

No centro da cidade observamos, a cada chuva forte, o verdadeiro rio em que se transformam as ruas por conta dos bueiros não suportarem tamanha quantidade de água, o que é danoso para pedestres e motoristas.

Em fevereiro de 2016 a Gazeta Informativa já havia produzido uma reportagem abordando o tema e hoje o panorama é praticamente o mesmo: a rua mostrada na ocasião foi remendada, mas hoje a problemática persiste com a deterioração do produto utilizado para tapar os buracos.

O morador da rua Guilherme Kantor, Pedro Pholod, afirma que a situação de trânsito do asfalto é de boa qualidade até a intersecção com a rua Ulisses Faria, mas que a partir daí a circulação é prejudicada por buracos e desnível da pista que se deve por não ser uma rua asfaltada. Acerca de outros pontos da cidade com o asfalto esburacado, o morador afirma que “não adianta, nem queremos que sejam feitos remendos. Não é esse o caminho. Nós temos, enquanto sociedade, o costume de aceitar ‘maquiar o problema’. Embora nossa Prefeitura não se encontre em um panorama em que goze de vultuosos recursos para investimentos diversos, temos o dever enquanto cidadãos, de cobrar ações e participar ativamente no processo de construção e reconstrução dos nossos círculos”. Pedro ainda lembra que uma sociedade que não se dispõe ao debate político não tem bulhão para cobrar retidão dos seus representantes.

Sobre os alagamentos que ocorrem na cidade quando acontecem fortes chuvas, Pedro diz que “o plano de macrodrenagem do rio Canoas que vocês [Gazeta Informativa] publicaram há alguns dias vai resolver, acredito eu, o problema das inundações no decorrer do braço do rio, mas temos ainda outro problema: o centro da cidade. Próximo ao Terminal Rodoviário e na extensão da Ulisses Faria nós vemos largas enxurradas. Para os condutores de carros e similares isso afeta pouco, apenas esconde objetos que possam estar na via e lombadas, mas motociclistas, ciclistas e pedestres são os maiores prejudicados: a água, muitas vezes carregando substâncias indesejáveis, entra em contato com o corpo, o que não é nada agradável.”

VILA AMARAL: UM CASO ANTIGO

Não é apenas na região central do município que sentem-se desconfortáveis com a situação em que se encontram as ruas, os moradores da vila Amaral relembram as promessas e a real e deprimente situação em que suas vias de acesso se encontram. Hoje muitos perderam a esperança em qualquer melhora em um futuro próximo.

O morador John Marcos reivindica maior sensibilidade com a situação dos moradores: “creio que, ao menos a vila Amaral, deveria ganhar uma atenção maior no município sobre essa questão da pavimentação. Não por privilégios, mas sim pelo bairro ser o local onde São Mateus do Sul teve início, ou seja, por ser o primeiro bairro do município.”

Sobre as principais turbulências enfrentadas pelos habitantes da região, John fala da impotência na qual o morador acaba se encontrando: “aqui no bairro, claramente as ruas com menos movimentação de veículos ganham asfaltamento, enquanto as que realmente necessitam estão sem, causando barro em dias de chuva e pó em dias de sol. Sem falar nos buracos.”

Como exemplo o morador cita as ruas Evaldo Gaensly (rua em direção à Raia e à BR) e a Rua Antonio Bizinelli (em direção ao Parque das Tamareiras) “onde as condições de tráfego são péssimas.”

“Como morador é lamentável ver a maioria das ruas do bairro em péssimas condições, pois os moradores sofrem com a questão da poeira dentro de casa e do barro. A prefeitura da cidade, a fim de ‘resolver’ o problema, apenas adia, colocando mais pedras nas ruas e tapando com máquinas que, semanas depois, estarão novamente na mesma situação. É como ‘cavar um buraco pra tampar o outro’. Sem soluções realmente efetivas”, afirma John Marcos.

JARDIM SÃO JOAQUIM

Outra localidade onde as queixas dos moradores são grandes é o antigo Loteamento e agora Jardim São Joaquim, a conhecida Área Industrial do município.

A munícipe Cláudia Burdzinski falou à Gazeta Informativa sobre os transtornos pelos quais os moradores da região passam: “o complicado de lá é que é uma área industrial, e sempre tem uma grande movimentações de caminhões e isso é ruim tanto em dias de muita chuva (barro, buracos) e pior ainda quando não chove, pois, como deve imaginar, há uma enorme quantidade pó”.

Cláudia ressalta que “lá há muitas empresas mas muitas casas também, e ambas precisam do mínimo de comodidade. Porque seriamente falando, tem muito lugar na cidade em que fizeram asfalto nos últimos tempos que eu não via tanta necessidade [referência às vias de baixa movimentação] como a gente lá. Prioridades devem existir”.

PALAVRA DO PREFEITO

Procurado pela reportagem, o prefeito municipal, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, nos recebeu e atenciosamente tratou do assunto.

Procurado pela reportagem, o prefeito municipal, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, nos recebeu e atenciosamente tratou do assunto.

Procurado pela reportagem, o prefeito municipal, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, nos recebeu e atenciosamente tratou do assunto. Ao ser indagado sobre as ruas esburacadas, o prefeito afirmou que a prefeitura já encaminhou o processo para a compra de massa asfáltica e assim fazer uma operação “tapa buracos para tentar resolver esse problema a curto prazo”.

Sobre o processo de pavimentação, Luiz Adyr disse que para isso será necessário recorrer a novas vias de recursos externos, “vamos em busca de financiamentos para isso”.

Com relação às inundações recorrentes nas vias cidade, o prefeito afirmou que já entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), “uma vez que essa água provém da BR, então já entramos em contato com o pessoal responsável para que mandem um engenheiro para juntamente com nosso Secretário de Obras fazer uma vistoria para conter a água.”

Sobre o asfalto na vila Amaral e jardim São Joaquim, segundo o prefeito, o município não tem condições financeiras para realizar a obra, tendo em vista a capacidade de endividamento, portanto, será necessário ir atrás de recursos externos também para esse caso. “A situação financeira do município hoje não está boa. Na última segunda-feira, dia 6, tive uma reunião na Controladoria Geral da União, em Curitiba, então no dia 13 estarei na reunião da Câmara dos Vereadores fazendo uma prestação de contas, expondo a situação financeira do município no dia de hoje, o que não é segredo para ninguém. O próprio Plano de Cargo e Salário que foi implantado na Prefeitura aumentou os gastos com pessoal e, com isso, em novembro de 2016, o gasto com a folha estava em 56%. Qualquer estudo de recurso em investimento e contra-partida em obras tem que estar próximo de 40%, então realmente ele extrapolou e hoje faltam recursos para obras”, disse o prefeito, completando que “em 2016 a prefeitura ficou seis meses parada. Veio 6 milhões em verba da repatriação e ainda assim ele nos repassou em déficit na ordem de 2 milhões de reais. Não adianta dizer que só porque mudou o prefeito vai mudar a situação financeira. Não vai. É a longo prazo que nós vamos tentar reverter esses fatos”.

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