Indústria e Comércio

Rumores de que a SIX pode ser desativada preocupa população são-mateuense

Thaís Siqueira/Gazeta Informativa

Thaís Siqueira/Gazeta Informativa

Nos últimos dias, surgiram rumores de que a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) de São Mateus do Sul corre sérios riscos de ser desativada, deixando a população são-mateuense bastante preocupada e alvoroçada.

O alerta, dado pelo vereador do município Omar Picheth, gerou grande repercussão sobre o tema, principalmente nas redes sociais, onde as opiniões se dividiram. Picheth afirmou ao jornal Gazeta Informativa que isso pode acontecer e acredita ser necessária a mobilização da população no sentido de defender a unidade.

Em nota, o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina diz que a conjuntura do setor petróleo, com o barril sendo negociado no mercado internacional abaixo dos US$ 30, confirma o risco, mas na verdade ele sempre existiu pelo fato de a Usina do Xisto ser um projeto estratégico e de pesquisa avançada, ou seja, atua em uma área que vislumbra mais o desenvolvimento de tecnologias do que o retorno econômico.

Em uma visão estritamente imediatista, financeira e mercadológica, a SIX não está sendo rentável no cenário atual, mas pode recuperar a sua lucratividade com uma leve retomada do preço do barril. No entanto, por ser um projeto estratégico, não pode ficar à mercê da instabilidade do mercado financeiro. A Usina do Xisto é um centro avançado de pesquisa na área de refino, onde são desenvolvidos vários projetos em conjunto com o centro de pesquisa da Petrobrás (cenpes) e universidades. O parque tecnológico da SIX é o maior da América Latina e um dos maiores do mundo em plantas-piloto, composto por 15 unidades criadas para atender as necessidades dos variados processos de refino.

O que preocupa o Sindicato é o oportunismo que apareceu neste momento. Políticos, alguns inclusive vinculados a partidos que pregam a privatização da Petrobras, apareceram para tentar implantar o caos em torno desta questão para depois pousarem de salvadores da pátria. Ano eleitoral tem dessas coisas. Fato é que até agora não existe posição oficial, mas o Sindipetro está vigilante e atuante com relação às ameaças contra o Projeto SIX.
Na manhã de sexta-feira (15), quando o assunto repercutiu, a redação do jornal Gazeta Informativa entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras, que negou a existência de qualquer grupo de estudo considerando a descontinuidade das atividades da SIX. Informou, ainda, que a Six vai fechar por aproximadamente 30 dias para manutenção, a partir de 13 de fevereiro. O intervalo de parada é chamado, tecnicamente, de Oil to Oil e é praxe em todas as unidades da Petrobras.

Reunião discute ameaça

Divulgação

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Representantes de diversas entidades e lideranças políticas municipais debateram sobre o assunto, em uma reunião realizada na Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul – ACIA, que foi mobilizada pelo seu presidente Edson Dacoregio em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas de São Mateus do Sul – CDL. O objetivo da reunião foi averiguar a realidade dos fatos que deixaram empresários e população em geral apreensivos, além de unir entidades e lideranças em torno de ações para tratar o assunto.

Num primeiro momento, o grupo reunido considerou importante agendar um encontro com o Gerente Geral da Unidade, José Alexandrino Machado, para que possa esclarecer a comunidade sobre o fato. Afinal, a simples notícia afeta negativamente o município no momento presente, quando muitos projetos pessoais ou empresariais que demandem investimentos são adiados.

A reunião contou com a participação do Prefeito Municipal Clovis Ledur, o Vice-Prefeito Clóvis Distefáno, Secretário da Indústria e Comércio Renato Possebon, representantes da Câmara Municipal de Vereadores, representantes da ACIA, CDL, Rotarys, lideranças políticas, empresários em geral e imprensa local.

De acordo com a presidente da CDL, Ingrid Ulbrich, a importância da Petrobras para São Mateus do Sul chega a se confundir com a sua história. “Com ela o próprio município recebeu investimentos em infraestrutura e viu sua população crescer com a chegada de profissionais de vários lugares do Brasil, criando novas oportunidades para os moradores da região. A importância da sua presença impacta profundamente a vida daqueles que vivem aqui, pois está ligada ao projeto de vida de muitas famílias”, diz.

A desativação da SIX irá afetar a engrenagem da economia local. Os desempregos diretos irão gerar uma sucessão de desempregos indiretos, principalmente no setor de serviços. Com a redução de pessoas economicamente ativas o comércio sentirá a queda de seu faturamento, que por sua vez, também irá demitir. “O município terá uma drástica redução na sua arrecadação, o que também será uma grande perda para o estado do Paraná. O fechamento de uma unidade da Petrobras em um município como o nosso, onde a capacidade produtiva industrial está restrita a estatal, pode ser considerada uma morte social”, comenta.

Segundo Ingrid, por muito tempo a população convive com a sombra do fechamento da SIX, “até porque já vimos isso acontecer ao menos uma vez na sua história no final da década de 80, mas a mobilização da sociedade reverteu aquele cenário. Atualmente, sabemos que a real situação financeira da Petrobras, movida pelas propinas escandalosas e milionárias a políticos e aliados por empreiteiras, faz do fato algo a ser possível e temido. Afinal, uma estatal é antes de tudo uma empresa e toda empresa sobrevive gerando lucro”.

São em momentos de dificuldades como esse, que uma comunidade pode demonstrar o valor de novas ideias, descobrindo vocações locais. “Precisamos lutar pela permanência da SIX através da eficiência da sua gestão, porém enxergar além. Dela própria, muitas são as fontes para novas empresas, de seus produtos, subprodutos e até rejeitos, onde a pesquisa permanente é essencial. Reduzir a burocracia para criação de novas empresas. Criar uma cultura empreendedora nas escolas e apoiar aquelas de ensino técnico com a criação de incubadoras. Apoiar a agricultura local, uma de nossas forças, para que possa se modernizar constantemente em eficiência e produtividade, afinal este setor será provavelmente o motor do crescimento brasileiro nos próximos anos. Um caminho traçado localmente para que São Mateus do Sul trace a sua própria identidade”, conclui.

O prefeito municipal, Clóvis Ledur, afirma ter conhecimento do fato. “A informação que chegou até nós, é de que a Petrobras está, em todo o Brasil, realizando um estudo e analisando o desempenho de suas unidades. Então, existe a possibilidade de encerramento ou pelo menos de desinvestimento em algumas unidades que a direção julgar necessária”, completa.

Ledur garante que está em diálogo com a direção local e integrou uma frente política de atuação em defesa da SIX, liderada pela senadora Gleisi Hoffmann e composta ainda pelo deputado João Arruda – líder da bancada dos deputados federais do Paraná na Câmara – e pelo ex-integrante do Conselho Administrativo da Petrobras, Márcio Zimmermann. “Aguardamos a evolução dos estudos dentro da Petrobras. Nosso esforço e empenho em Brasília é para que não se altere em nada o funcionamento da unidade em São Mateus do Sul – temos um contexto socioeconômico e uma história a defender e vamos fazer isso com todos os esforços necessários”, finaliza.

Richa vai atuar contra fechamento de usina de xisto da Petrobras

Governador Beto Richa, recebe no gabinete do Palácio Iguaçu os deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Luiz Claudio Romanelli e Ademar Traiano, presidente da Fecomércio, Darci Piana, diretor da Aerp, Márcio Vilella, prefeitos, Antonio Luis Szaykowski, Cruz Machado, Clóvis José Gugelmin Distéfano, prefeito interino de São Mateus do Sul, vereadores, representantes de entidades, imprensa e demais autoridades para apoiar a mobilização da unidade produtora de xisto da região. Foto: Ricardo Almeida / ANPr

Governador Beto Richa, recebe no gabinete do Palácio Iguaçu os deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Luiz Claudio Romanelli e Ademar Traiano, presidente da Fecomércio, Darci Piana, diretor da Aerp, Márcio Vilella, prefeitos, Antonio Luis Szaykowski, Cruz Machado, Clóvis José Gugelmin Distéfano, prefeito interino de São Mateus do Sul, vereadores, representantes de entidades, imprensa e demais autoridades para apoiar a mobilização da unidade produtora de xisto da região. Foto: Ricardo Almeida / ANPr

O governador Beto Richa garantiu nesta quarta-feira (20), em reunião com lideranças políticas e empresários de São Mateus do Sul, que o governo estadual dará todo o apoio necessário para evitar o possível fechamento da Unidade de Industrialização do Xisto, da Petrobras, localizada no município. “A manutenção dessa unidade terá o apoio integral e irrestrito do nosso governo, que entende que o fechamento da mineradora traria reflexos nocivos para economia e geração de empregos no município”, disse.

Richa afirmou que convocará a bancada federal e pedirá uma audiência com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para conversar sobre o tema. “Vamos nos mobilizar para atender ao pedido da comunidade de São Mateus do Sul que está preocupada com os impactos do fechamento da unidade, que é vital para a economia da região”, destacou.

Desde 1972, a Petrobras extrai petróleo e gás do xisto betuminoso na formação Irati, em São Mateus do Sul, pela subsidiária Petrosix. A produção é de aproximadamente 7,8 mil barris de petróleo de xisto por dia. O xisto betuminoso é uma rocha rica em material orgânico. Em suas camadas, é possível encontrar óleo semelhante ao derivado do petróleo.

Com a atual situação financeira da Petrobras, a companhia estaria estudando o fechamento de algumas unidades no país. O prefeito interino de São Mateus do Sul, Clóvis Distéfano, explica que não existe um posicionamento formal da empresa confirmando a intenção de fechar a usina de xisto do município. “Mesmo sem o anúncio oficial, estamos nos mobilizando para evitar o encerramento das atividades na unidade. É importante contar com o apoio do governador”, afirmou.

Ele falou que, nos últimos anos, a produção e a geração dos empregos têm caído. “Vemos uma tendência para o fechamento. Por isso, não podemos ficar de braços cruzados”, disse.

A unidade de xisto da Petrobras possui mil empregos diretos e três mil indiretos. “Considerando uma média de quatro pessoas por família, teremos um total de 16 mil pessoas que serão impactadas com a medida. Os impactos com o fechamento da unidade seriam trágicos. Nossa cidade inteira depende dessa unidade. Temos várias empresas instaladas na cidade que foram atraídas pela usina de xisto”, avalia o prefeito.

Outro impacto do fechamento seria na arrecadação municipal e estadual. Atualmente, a unidade recolhe aproximadamente R$ 98 milhões em impostos e royalties. Desse total, R$ 20 milhões ficam em São Mateus do Sul, e R$ 60 milhões são repassados ao Governo do Paraná. O prefeito explica que esse valor representa 48% da renda do município, que atualmente, tem 45 mil habitantes.

ECONOMIA – Com a saída da usina do município, a previsão é que 10 mil pessoas saiam da cidade a procura de emprego em outras regiões. O impacto atingiria diretamente o comércio da região, já que esses trabalhadores representam a população com a maior renda de São Mateus do Sul. “Estamos preocupados e buscamos uma saída para esse problema, se não vários empreendimentos comerciais serão fechados gerando mais desemprego”, avalia o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul, Edson Dacorégio.

Além do desemprego e da queda de arrecadação, o município teria problemas com a interrupção do fornecimento de calcário e com o lixo urbano que atualmente é depositado nas cavas da usina.

Estavam presentes no Palácio Iguaçu o presidente da Fecomércio-PR, Darci Piana, o presidente da Assembleia, Ademar Traiano, o líder do governo na Assembleia, deputado Luiz Claudio Romanelli, e os deputados estaduais Hussein Bakri e Alexandre Curi, além de lideranças municipais e empresários.

Fundadora e proprietária da Gazeta Informativa, graduada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo e pós-graduada em Produção e Avaliação de Conteúdos para as Mídias Digitais.

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