(Imagem Ilustrativa)

Tenho em casa algumas formigas que adoram o chocolate. Eu também gosto, mas não entendo a reação de quem não consegue ficar sem o doce, que fica imaginando o chocolate derretendo na boca e o delicioso aroma que exala, que sente um desejo insaciável e que não sossega até conseguir um pouquinho. Talvez seja porque ele não é um simples doce. Nos primórdios nem era doce e foi viciante, importante da mesma forma.

Quando se analisa quais os melhores chocolates do mundo ou quando se associa a iguaria a Páscoa ou Festas de Natal (me lembro de quando eu era a criança que a orelha do coelho de Páscoa era o melhor, o mais delicioso dos pedaços) podemos até pensar que ele tem origem nos países frios onde faz sucesso e foi aperfeiçoado como doce ou como bebida.

O chocolate, que tem como base as amêndoas do cacau, tem origem em regiões tropicais da América e hoje a maior produção cacaueira está na África Ocidental.

O produto era consumido pelos nativos do sul do que hoje é o México, da América Central, até próximo da região equatorial da América do Sul, na forma de uma bebida quente e amarga, temperada com baunilha e pimenta, de uso exclusivo da nobreza dos maias e olmecas. As amêndoas, um verdadeiro tesouro. A bebida também era oferecida aos deuses, junto com sacrifícios humanos.

Os astecas e maias usavam os grãos como moeda. Dez favas valiam um coelho e por cem favas de primeira qualidade adquiria-se um escravo. Durante o Império asteca (1325 a 1521 d.C.), sementes de cacau eram uma forma importante de divisas e meio de pagamento de tributos.

Os espanhóis, na Era dos Descobrimentos o levaram para a Europa, e tentaram guardar o segredo da bebida só para eles, tal qual os maias reservando-o para a nobreza. Continuava o chocolate a ser produzido por mão escravas, agora africanas, para alimentar os poderosos. Mas os espanhóis, a partir de Hernán Cortez, não foram os únicos a chegar a América e descobrir o valor do produto.

Alimento, estimulante, afrodisíaco, segundo o imperador Carlos V que reinou sobre a Espanha, “uma taça da preciosa bebida permitia aos homens caminhar um dia inteiro sem necessidade de outros alimentos”. Mas tarde alimentou os soldados americanos na Segunda Guerra Mundial. Segundo a ciência, possui capacidades antidepressivas.

Inspirado por essas histórias e pelo sabor do chocolate, o botânico sueco Carlos Lineu, batizou a árvore do cacau de Theobroma cacao. Theobroma, em grego, quer dizer alimento divino.

Na Europa, no século XVII as chocolaterias já se igualavam às casas de chá e cafeterias. A partir daí, com o aumento da produção, a bebida e os doces foram se popularizando.

Os portugueses trouxeram o cacau para o Brasil no século XVII, mas a produção em larga escala só aconteceu na metade do século XIX e se tornou importante para a economia brasileira.

A mais antiga fábrica de chocolate brasileira foi construída no Rio Grande do Sul pelos imigrantes alemães, os irmãos Neugbauer e seu sócio Fritz Gerhardt em 1891.

No mundo se destacaram os empresários suíços Henri Nestlé e Rodolphe Lindt, bem como o americano Milton Hershey.

Escrevi este texto, nesta semana, para lembrar que por trás de um ato simples e, no caso, prazeroso como sentir um pedaço de chocolate derreter na boca há sempre muito da história para se contar.

Nem sempre valorizamos o trabalho daqueles que com o seu suor, esforço e até mesmo a vida, nos proporcionaram um atual momento de felicidade quando saboreamos o chocolate.

Adnelson Borges de Campos
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