Prismas

Saia do seu quadrado

(Imagem Ilustrativa)

Na Coluna da semana passada falamos sobre fazer diferente, buscar novas respostas para novos ou antigos problemas. Tudo na linha de incentivo a criatividade.

A rotina, o dia a dia contribuem para que nos acomodemos e busquemos uma zona de conforto. Alguns administram os bons resultados já conseguidos, outros, mesmo sem resultados, se acomodam demais e, todos, vivem na “segurança” de seu quadrado.

A figura do quadrado, sob o ponto de vista simbólico, pode estar associada ao domínio da racionalidade, da impessoalidade e da neutralidade. Pode agregar significados como firmeza, organização, solidez, sobriedade, repouso, estrutura, estabilidade, ordem, por exemplo. O quadrado também se associa ao pensamento cartesiano, analítico. Indica frieza, precisão, cálculo, perfeição matemática.

Por outro lado, o quadrado pode representar também a inércia, a limitação, a passividade, o fechamento em si mesmo.

Como comentei na semana passada, o treinamento sobre criatividade nos desafiava a sair do nosso quadrado, a abandonar as respostas prontas. O mundo tende a nos induzir ao convencional a repetir comportamentos.

Me lembro do último exercício do curso. Fomos divididos em trios e induzidos a um comportamento competitivo: somente um trio seria vencedor – o mais criativo.

Saímos todos da grande sala de treinamento. O instrutor e suas duas assistentes chamavam um grupo de cada vez. Na entrada, tínhamos os olhos vendados e depois nos posicionavam em determinado local. Fomos informados que receberíamos uma única tarefa, que deveria ser cumprida no menor tempo possível.

Posicionados, recebemos a ordem: “agora tirem as roupas”. A sala estava escura, porém sabíamos que havia muitas pessoas lá. Também percebemos ao nosso redor um quadrado com as linhas delimitadas por caixas de papelão, como um muro até a altura de nossas cinturas.

Como eu afirmei anteriormente, a primeira resposta nem sempre é a melhor resposta. Quando trocamos ideia, em trio, quase todo mundo pensou em como tirar a roupa e passar o mínimo de vergonha possível, pois havia outras pessoas lá. “Será que tirar a roupa inclui as roupas íntimas também? – perguntou uma colega, já desabotoando os primeiros botões da blusa e sugerindo que nos abaixássemos até o limite de altura das caixas de papelão.

Seguramos nossa colega por alguns instantes e lembramos das duas principais lições do dia: não nos limitarmos à primeira resposta e sair do quadrado. Começamos a olhar ao redor e em pouco tempo estávamos mais acostumados a falta de luminosidade. Pudemos perceber que havia peças de roupas espalhadas pela sala, sobre o retroprojetor, nas cadeiras, no cavalete.

Rediscutimos a ordem: “agora tirem as roupas”. Não necessariamente eram as nossas. Também não havia nenhuma regra quanto a não poder “sair do quadrado”, dos limites impostos pelas caixas de papelão, facilmente removíveis ou transponíveis. Abrimos passagem e começamos a coletar as peças, enquanto a nossa colega já estava deitada no chão e pensando em soltar o cinto.

Ainda bem que há pessoas dispostas a romper barreiras, que nem sempre são físicas. Os obstáculos virtuais, imaginários, são os mais difíceis de se superar. E, na maioria das vezes, só dependemos do nosso esforço, da nossa mudança de visão do mundo para encarar um problema ou quebrar um paradigma. As alternativas são infinitamente mais numerosas que as limitações.

Na próxima semana discutiremos sobre o que move o mundo, se as respostas ou as dúvidas.

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

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