Leonilda Maieski Mayer trabalha como motorista de ônibus há 4 anos e conta sobre o início de sua trajetória profissional. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quem sabe determinação seja um ótimo significado para resumir a vida de Leonilda Maieski Mayer, que trabalha como motorista de ônibus e realiza o transporte escolar pelas instituições estaduais e municipais de São Mateus do Sul há 4 anos. Em homenagem ao Dia da Mulher, comemorado na sexta-feira, 8 de março, traremos a história da mulher que venceu limitações e preconceitos para sentir a realização profissional dia após dia.

Nascida na comunidade de Turvo de Baixo, a são-mateuense possui três irmãs e um irmão, e aos 14 anos, veio residir na cidade para morar com sua tia e depois com a avó em busca de oportunidades de emprego. Atuando como empregada doméstica e na área de serviços gerais na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Leonilda se casou e ficou grávida de gêmeos, precisando se afastar do trabalho para cuidar dos pequenos.

Após o nascimento das crianças, com o passar dos anos, um de seus filhos foi diagnosticado com um sério problema renal, exigindo ainda mais atenção e cuidados. Viajando com frequência ao hospital Pequeno Príncipe na capital Curitiba, foi ali que Leonilda teve seu primeiro contato com a área de grandes transportes, ficando instigada a conhecer ainda mais sobre esse lado profissional. “Eu havia feito a habilitação nas categorias A e B (moto e carro), e sempre sonhava em dirigir algo diferente, mas não sabia ao certo o que. Foram nessas viagens de ônibus que fiquei imaginando como eu me sairia dirigindo um transporte como aquele”, comenta a são-mateuense, que questionava os motoristas sobre o funcionamento do ônibus durante as viagens. “Um dia comentei com um deles que iria dirigir um transporte daquele, e o motorista rindo, comentou que bastava eu querer”, relembra.

Querendo voltar a trabalhar profissionalmente, com a carteira de trabalho assinada e buscando realizar esse sonho, Leonilda resolveu fazer a habilitação de motorista na categoria D (direcionada ao transporte de passageiros, com lotação superior a oito lugares além do motorista – ônibus e vans por exemplo) no ano de 2011. Após a conclusão, a são-mateuense recebeu a oportunidade para trabalhar como instrutora na autoescola, realizando cursos e especializações na área. “Eu queria e precisava de uma mudança profissional”, conta. Mesmo com o novo emprego, Leonilda enxergava sempre além, e decidida, realizou mais alguns cursos dedicados ao transporte de passageiros.

O contato profissional nas ruas

Com a ajuda de Jociane Gonçalves, amiga e ex-aluna da autoescola, que trabalha na Viação Santa Rita, após a atuação como instrutora, Leonilda começou a trabalhar em uma empresa dedicada ao trabalho com ônibus, porém, o primeiro contato não foi com a estrada, e sim, estacionar os veículos nas rampas para a realização da limpeza. “Eu treinava com a Joci, que me ensinou muito nas minhas primeiras experiências”, afirma. Alguns meses com essa rotina no pátio, os treinamentos começaram a acontecer na rua, trazendo ainda mais experiência para a são-mateuense.

A motorista trabalha com o transporte dos alunos da rede municipal e estadual do município.

Trabalhando por muitos anos para a Nizer Transportes, que realizava a prestação de serviços no transporte escolar pela Prefeitura Municipal, a motorista contou com um importante apoio dos proprietários da empresa e colegas de trabalho, que a incentivavam na área.

Amor profissional até o oitavo mês de gravidez

Apaixonada pelo que faz, Leonilda encontra nos trajetos feitos pelo seu ônibus a tranquilidade e equilíbrio emocional que precisa. “Eu me sinto realizada!”, afirma. E nem a segunda gravidez tirou todo esse ânimo da são-mateuense, que trabalhou até o oitavo mês de gestação do pequeno Davi. “Quando eu estava indo trabalhar, ele mexia como nunca! Hoje, ele é apaixonado pelos ônibus assim como eu.”

Dificuldades

Instigada sobre quais são as principais dificuldades para motoristas mulheres em São Mateus do Sul, Leonilda afirma com convicção a falta de oportunidades. “Se os empresários acreditassem mais no potencial de uma mulher no volante, teríamos mais mulheres incentivadas a começar a atuar sem medo na área”, opina.

Trabalhando na empresa Emotur com o transporte de alunos pela manhã, tarde e intercalando a noite, a motorista afirma que infelizmente ainda existe um olhar de resistência de algumas pessoas por uma mulher estar atrás do volante de um grande transporte. “No começo eu tive medo, mas agora é muito bom servir de inspiração para mais mulheres.”

Reconhecimento

Pelas ruas de São Mateus do Sul, Leonilda e seu ônibus são bastante conhecidos por onde passam. “Há pessoas que buzinam, alguns dão ‘tchauzinho’ e percebo o olhar de admiração quando eu passo. Para mim, essa é a melhor recompensa de todo meu esforço!”

Sendo um orgulho para os filhos e toda sua família, a motorista comenta que a viagem mais longa que já realizou foi para Paranaguá. Esse trajeto a inspirou ainda mais, e no futuro, ela pretende trabalhar em linhas de transporte para viajantes.

“Somos mulheres e podemos realizar tudo que queremos!”, encerra.

CHARGE:

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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