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São-mateuense está em processo judicial por empréstimo de nome para cunhado

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa (Imagem Ilustrativa)

Pode até parecer difícil recusar ajuda a algum amigo ou parente quando o assunto é o empréstimo do nome para a realização de compras, mas saiba que você estará evitando maiores problemas para o futuro. Mesmo com as promessas para garantir a conta quitada, a realidade fala mais alto e, apesar do seu amigo querer te pagar, outras contas também batem à porta dele. Afinal, se ele te pediu um favor desse tipo é porque, provavelmente, já tem alguma dívida que não consegue pagar.

Um caso que acabou em maus bocados é o do são-mateuense Pedro Henrique (nome fantasia), que tentou ajudar o seu cunhado e está respondendo judicialmente pelo empréstimo do nome. Tudo começou quando o cunhado queria comprar um carro financiado, mas seu nome estava inadimplente. “Ele falava para eu pensar na minha sobrinha e o quanto um carro iria facilitar a locomoção dela até a escolinha”, conta. A esposa de Pedro, que estava grávida na época, aconselhava o marido. “O empréstimo do nome vai deixar a sua renda comprometida perante o banco caso precisemos de algum dinheiro”, dizia a esposa. Agindo pela emoção, Pedro acabou cedendo e tentou ajudar o cunhado emprestando o seu nome para a compra do veículo.

No início as primeiras parcelas foram pagas corretamente e não houve nenhum problema. Após sete parcelas, o cunhado começou a atrasar as contas e não comunicou Pedro sobre o fato. “Só descobrimos porque minha esposa foi fazer uma consulta no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e viu que meu nome estava inadimplente”, comenta. Entrando em contato com o devedor, Pedro foi ofendido de diversas formas. Além disso, toda a documentação do carro estava atrasada. “Ele foi pego em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal e levou várias multas porque estava dirigindo embriagado e o passageiro estava sem cinto de segurança. Como o carro estava no meu nome, perdi os pontos na carteira”, afirma. Além disso, alguns dias depois o veículo bateu em outro carro e a vítima fez a denúncia pela placa. “Fui chamado na delegacia para resolver toda essa situação.”

Após acordo com o banco, o carro foi apreendido e a dívida foi quitada, retirando o nome de Pedro do SPC. “Agora estou respondendo processo para a seguradora do carro da vítima, pois meu cunhado fugiu no momento do acidente”, diz. Atualmente o cunhado e a irmã se afastaram de Pedro pelo fato dele ter entregue o carro para o banco.

De acordo com a revista Varejo S.A., o SPC e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) foram a campo e entrevistaram brasileiros que estão inadimplentes ou estiveram nessa situação no último ano. O resultado surpreendeu: 17% desses consumidores ficaram negativados porque tiveram a boa vontade de emprestar seus documentos, como CPF ou cartão de crédito, para que terceiros fizessem compras usando seu nome.

A maioria (51%) dessas pessoas tomou a atitude apenas no intuito de ajudar quem estava em uma situação de necessidade e outros 13% ficaram com medo de dizer não diante do pedido. Aliás, a dificuldade de negar a solicitação pode estar ligada ao fato de que grande parte das pessoas que pedem o nome emprestado é do círculo próximo de convivência: 26% são amigos, 21%, parentes, 16%, irmãos, 11%, pais e 9%, namorados.

O Serasa repassa algumas dicas sobre essas situações:

Aposentados precisam ter cuidado redobrado

Se você é aposentado, sabe que tem facilidade para acessar o empréstimo consignado. Ele tem taxas de juros mais baixas que as demais linhas de crédito no mercado. Fique atento e não aceite fazer a contratação para filhos, netos ou qualquer outra pessoa. A consignação é uma das principais causas do superendividamento de idosos no Brasil.

Demonstre firmeza

Quando alguém pedir que você faça uma fiança, compra ou contratação de crédito, mostre-se solidário com a situação que o outro está vivendo. Mas seja firme: explique os riscos e diga que você não pode emprestar o nome, mas talvez possa ajudar de outra maneira. Por exemplo: indicando a pessoa para algum trabalho extra no final de semana, de maneira que ela junte dinheiro para fazer o que pretende.

Se aceitar, exija uma garantia

Se mesmo conhecendo todos os riscos, você decida emprestar seu nome, você pode exigir algum tipo de garantia, como, por exemplo, um contrato feito em cartório, nota promissória ou cheque pré-datado. Porém, isso não evitará que seu nome vá parar na lista de restrição de crédito. Mas, depois de pagar a sua dívida, você poderá entrar na Justiça para tentar receber o valor que desembolsou, caso a pessoa não te pague.

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