Ederval Evaldo Gaensly realiza o projeto de compostagem em sua casa, e utiliza o adubo orgânico na horta, incentivando familiares e amigos ao consumo sustentável. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Tudo começou quando o são-mateuense Ederval Evaldo Gaensly decidiu reaproveitar as cascas de alimentos que sobravam de suas receitas caseiras, e a partir daí esse amor pela conscientização ambiental não parou mais. Desperdício? Essa palavra não faz parte de seu vocabulário! “O problema do lixo começa quando ele sai de nossas casas, e às vezes as pessoas acham que é nesse momento que ‘se livram’ do problema. Comecei a pesquisar algumas ideias do que poderia ser feito com o que sobrava e a compostagem passou a fazer parte da minha rotina”, garante.

Sendo um entusiasta pela vida, Ederval é muito conhecido São Mateus à fora pela sua determinação e coragem em enfrentar novos desafios. E foi com essa linha de raciocínio que ele passou a consumir consciente e a incentivar crianças, jovens e adultos a abraçarem a causa da compostagem. De forma técnica, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a compostagem é a “reciclagem dos resíduos orgânicos”, sendo uma técnica que permite a transformação de restos orgânicos (sobras de frutas, legumes e alimentos em geral, podas de jardim, serragem, etc.) em adubo. É um processo biológico que acelera a decomposição do material orgânico, tendo como produto final o composto orgânico.

“A compostagem é uma forma de recuperar os nutrientes dos resíduos orgânicos e levá-los de volta ao ciclo natural, enriquecendo o solo para agricultura ou jardinagem. Além disso, é uma maneira de reduzir o volume de lixo produzido pela sociedade, destinando corretamente um resíduo que se acumularia nos lixões e aterros gerando mau-cheiro e a liberação de gás metano”, informa o MMA.

Ederval explica que há dois tipos de compostagem: a vermicompostagem e a compostagem comum. “A vermicompostagem é a que se utiliza minhocas para ajudar na decomposição dos resíduos orgânicos, acelerando o processo natural de transformação”, explica. Em média, com a vermicompostagem, os resíduos levam 90 dias para se decompor, sendo que da forma convencional – sem as minhocas –, o tempo estimado é de 120 dias. “A qualidade do adubo melhora muito mais com as minhocas”, informa Ederval, que utiliza as minhocas californianas, indicadas para a compostagem.

Minhocas californianas utilizadas na vermicompostagem.


O são-mateuense conheceu o trabalho de um grupo do bairro Mossunguê em Curitiba, que realiza o processo de compostagem em grandes proporções, e conseguiu com eles informações de como adaptar a ideia para a sua casa. “O trabalho da compostagem tem um custo viável e um retorno muito importante. O adubo orgânico que é produzido utilizo na minha horta. Sei de histórias de pessoas que até podem tirar um lucro extra no fim do mês com esse método”, conta Ederval.

Para que a decomposição aconteça mais rápido, a dica principal é que os restos de cascas de verduras, legumes e demais alimentos, sejam cortados em pequenos pedaços. Ederval comenta que alimentos ácidos, como laranja, abacaxi, cebola e alho, precisam ser colocados em pequenas quantidades, pois prejudicam as minhocas.

Essa ação incentivou toda a família e vizinhos do são-mateuense, que faz pesquisas sobre o tema e também é convidado para realizar palestras em escolas e promover projetos sobre a compostagem. Ederval acredita que todo conhecimento deve ser compartilhado, e convida as pessoas que se sentirem interessadas em realizar a compostagem, para entrar em contato com ele através do telefone (42) 99909-3751 ou no e-mail: vadinho2109@gmail.com.

Caixas utilizadas para compostagem.

Para fazer a compostagem você precisará de:

  • 3 caixas plásticas escuras: a primeira deve ter tampa, e duas delas devem ter pequenos furos para que a umidade passe entre as caixas;
  • Folhas secas, pequenos galhos e folhagem;
  • Minhocas (compre 100 minhocas. Depois elas se reproduzem e você não precisará de mais);
  • Lixo orgânico (cascas de vegetais e frutas, casca de ovo, restos de vegetais etc.);
  • Borra de café (ela facilita o processo da compostagem).

Comece o processo:

  • Forre a caixa com as folhas secas numa parte da caixa;
  • Coloque o lixo orgânico em cima;
  • Coloque a terra com as minhocas;
  • Coloque a borra de café;
  • Cubra com as folhas secas.
  • Depois desse primeiro passo, faça diariamente novos depósitos até preencher a caixa.
  • Passe essa caixa para baixo e suba uma caixa vazia. Recomece o processo.
  • Após três semanas (em média), o húmus estará formado e pronto para ser usado em hortas, no quintal e em vasos.
  • Na última caixa ficará acumulado um líquido escuro, resultado da decomposição orgânica. Ele é super nutritivo para plantas. Dilua uma parte desse líquido em dez partes de água. Coloque num borrifador e regue suas plantas.

Observações:

  • Não use na compostagem carnes, laticínios, alimentos temperados;
  • O processo de compostagem nunca termina. Vá alternando as caixas e retirando o húmus formado;
  • Não é necessário regar, pois o lixo orgânico tem a própria umidade;
  • Reúna toda a família neste processo. É uma forma prática de ensinar conceitos sustentáveis para seus filhos.
Ederval realiza o processo de vermicompostagem, que utiliza minhocas californianas que ajudam no processo de decomposição, que leva em média 90 dias.
Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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