Especial

São-mateuenses e as araucárias gigantes

Luiz dos Santos Lima ao lado da araucária que tem uma idade estimada de 800 anos. A circunferência da árvore perto da raiz é de oito metros. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

A árvore araucária — de nome científico Araucaria angustifólia —, é considerada o símbolo do estado do Paraná. A floresta característica da espécie é a ombrófila mista, conhecida por conter esses tipos arbóreos e com o clima propício para manter o ecossistema, com chuvas durante o ano todo. A principal característica da araucária é a sua altura e seus galhos peculiares e robustos, que desenham toda sua estrutura. Infelizmente a árvore está listada nas espécies em risco de extinção de acordo com a lista da União Internacional Para a Conservação da Natureza (IUCN da sigla em inglês The World Conservation Union), a araucária possui grandes chances de desaparecimento da natureza nos próximos anos. Alguns dos fatores que impulsionaram esses dados foram a retirada das árvores para a agricultura e também no uso da madeira.

Em São Mateus do Sul a espécie tem grande importância na produção da erva-mate, logo que um dos diferenciais do selo da Indicação Geográfica (IG) é o sombreamento da araucária na produção do mate, trazendo maior suavidade para o sabor. Os ambientalistas apoiam a proteção da mata cada vez mais, em contrapartida, alguns agricultores defendem a liberação de sua retirada para a expansão do agronegócio. Apesar dessas divergências, a Gazeta Informativa conheceu a história de duas araucárias que chamam a atenção pelo interior do município. O tamanho impressiona e enriquece ainda mais o símbolo paranaense.

Na manhã de segunda-feira (27/08), a equipe da Gazeta Informativa, guiada por Márcio Guimarães, funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, se aventurou pelas estradas da comunidade de Mico Magro. Fomos recepcionados por Alexandre Luiz dos Santos Lima, que nos levou para conhecer a araucária que é conhecida por toda sua família. A árvore está localizada no terreno de Maria Bernadete Lima da Silva, irmã de Alexandre, que reside na comunidade de Lagoa da Cruz, em Antonio Olinto. “As pessoas quando conhecem de perto ficam admiradas pelo tamanho da árvore”, afirma Bernadete, que conta que há três anos a araucária está em seu nome.

Alexandre comenta que alguns membros de entidades ambientais, como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Força Verde, já passaram visitando a famosa araucária e estimaram uma idade média de 800 anos. A árvore participou de um concurso na Cooperativa Bom Jesus, e por dois centímetros não levou o título de maior araucária do estado. “Perdemos só por uma árvore localizada na cidade de Araucária”, comenta Alexandre. Levamos uma trena para medir a circunferência da araucária, que totaliza oito metros próximo de sua raiz, e seis metros e vinte centímetros à um metro e trinta do solo. “Para abraçar a árvore precisa de no mínimo cinco pessoas”, diz. A altura da árvore passa dos quarenta metros.

Silva comenta que a árvore produz pinha todo ano, e que ele planou alguns pinhões que já formaram as primeiras mudas da grandiosa árvore. “Vai que eles crescem do mesmo tamanho”, comenta o produtor orgulhoso.

A araucária da família Franco está localizada na propriedade localizada na comunidade do Emboque. (Foto: Acervo Pessoal)

Outra araucária que faz parte da história de uma família são-mateuense está localizada na comunidade do Emboque, na propriedade de Luiz Carlos Marques Franco. “Ela não é uma das maiores da nossa região, mas possui um grande significado para nossa família, pois foi uma das únicas que sobrou após aquela forte derrubada dos anos 90”, diz Mathias Franco Neto, filho de Luiz. Ele também comenta que a árvore não foi derrubada a pedido de seu pai, que admirava a araucária pelo seu tamanho. “Ela é um símbolo para nós. Todo ano a araucária produz pinhão, e as próximas gerações de nossa família irão cuidar do mesmo jeito que fazemos hoje”, ressalta. A circunferência da árvore mede três metros e oitenta e um centímetros. A árvore também passa dos quarenta metros.

De acordo com pesquisas feitas por técnicos do agronegócio, o pinhão tem atraído consumidores por ser um alimento sem glúten, com baixo índice glicêmico e altos teores de proteínas, fibras alimentares e amido. A semente também é rica em minerais como cobre, zinco, manganês, ferro, magnésio, cálcio, fósforo, enxofre e sódio. São encontrados ainda os ácidos graxos linoleico (ômega 6) e oleico (ômega 9), que contribuem para a redução do colesterol do sangue, ajudando na prevenção de doenças cardiovasculares.

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Papai Noel manda recado especial às crianças do CMEI Arco-Íris da Vila Verde
A história de vida da família de Mário Macuco e sua luta constante por justiça
Você pode ajudar?