A 94ª edição da Corrida de São Silvestre levou milhares de pessoas às ruas da cidade de São Paulo e dentre eles alguns são-mateuenses marcaram presença. Na imagem, da esquerda para a direita, os amigos Cristiano, Casimiro e Laudecir com suas medalhas conquistas como participantes na São Silvestre. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

A mais tradicional e esperada prova de atletismo do Brasil e da América Latina, a Corrida de São Silvestre, chegou à sua 94ª edição que foi realizada no último dia de 2018. A corrida levou vários são-mateuenses à participarem da prova, dentre eles 3 atletas que conversaram com a equipe da Gazeta Informativa.

A prova denominada como 94ª Corrida Internacional de São Silvestre, instituída pelo jornalista paulista Cásper Líbero teve seu início em 1925, depois do empresário se encantar com uma corrida realizada à noite em Paris, em que os corredores carregavam tochas ao longo do percurso. Decidido a promover algo semelhante no Brasil, ele criou uma corrida noturna realizada no último dia daquele ano, e nesse momento estava fundada a Corrida de São Silvestre, que recebeu esse nome em homenagem ao santo do dia.

Os são-mateuenses Cristiano de Assis Niz, 43 anos, Laudecir Oliveira, 41 anos e o mineiro que intitula-se da terra, Casimiro Gabriel da Silva Filho, 62 anos, foram 3 dos vários cidadãos de São Mateus do Sul que já participaram da quase centenária corrida que fecha o calendário no Brasil e é reconhecida mundialmente.

O mais experiente da trupe, Casimiro, chegou em 2018 na marca de 13 corridas na São Silvestre. Ele conta que iniciou a vida esportiva na academia da escola de engenharia quando praticava voleibol. Ele gostava de correr cerca de 4 km para aquecer antes do início da prática esportiva.

Chegando em São Mateus do Sul há 39 anos, não conseguiu dar sequência na pratica do vôlei e começou a correr. No decorrer dos anos deixou de fumar e teve problemas com o excesso de peso e encontrou na corrida uma excelente alternativa para recuperar sua forma. Porém a história com a corrida iniciou verdadeiramente em 1998, quando recebeu um convite de Luiz Severo Semkiw, que o instigou à participar da maratona de Blumenau que seria realizada ainda naquele ano. Ele aceitou e iniciou sua preparação. Começou ali seu amor pelo esporte que já acumula centenas de medalhas Brasil à fora.

Casimiro Gabriel da Silva Filho, são-mateuense de coração, é um dos principais atletas da cidade que já participaram da São Silvestre. Na foto, ele exibe suas 7 medalhas conquistadas dentre as 13 participações.

Naquele mesmo ano, motivado por participar da maratona catarinense e também a volta da Pampulha em Belo Horizonte, Casimiro não mediu esforços e participou pela primeira vez da São Silvestre, saindo de moto de São Mateus do Sul rumo à São Paulo e desde então somente não participou de algumas das edições seguintes por ter sofrido contusões.

“O fato de participar de provas dá uma adrenalina muito grande e é um fator motivacional muito forte, capaz de superar quaisquer desmotivações”, ressalta o sessentão, que afirma convicto a frase que repetiu para si mesmo no início desta jornada, “não vou parar mais.”

O “mineiro são-mateuense” conta também que em várias provas participou como “pipoca”, como são chamados os corredores que não realizam a inscrição. Em meio às várias participações na prova, já encontrou vários conterrâneos da nossa cidade, que assim como ele são apaixonados por correr e pela São Silvestre.

Em meio aos mais de 32 mil participantes, pela 3ª vez consecutiva, o são-mateuense Laudecir confessa que a São Silvestre é uma prova que todos os envolvidos com corrida almejam participar.

Laudecir conta que corre há 7 anos. Motivado pela diminuição de peso, onde foi incentivado à fazer alguma atividade física, iniciou a rotina esportista fazendo caminhadas. Ele lembra que em uma de suas caminhadas se deparou com uma corredora já com idade bastante abastada e foi instigado à correr junto dela, não obtendo êxito naquele primeiro momento, mas dando sequência aos poucos, ele sempre procurou a melhora de sua qualidade de vida.

A São Silvestre envolve milhares de pessoas que estão lá para ir além de apenas correr. O evento é um espetáculo a céu aberto onde as pessoas se vestem de inúmeras caricaturas como Bin Laden, Chaves, Airton Senna. Há também noivas, garçons, pessoas com seus animais de estimação, índios correndo descalços, e demais personagens criativos que geram entretenimento ao evento.

Cristiano participou pela primeira vez da São Silvestre em 2018, prova a qual sempre desejou participar e enaltece ser um dos maiores eventos do mundo. “A São Silvestre não é uma prova e sim uma grande festa. As pessoas até brincam que ela é uma procissão que reúne milhares de pessoas de todos os cantos do Brasil e do mundo.”

Cristiano corre desde 2014, quando iniciou uma preparação para a melhora da qualidade de vida e resolveu associar os hábitos alimentares aos físicos. Ele conta que foi incentivado por seu amigo Maurício Musialak que já corria e o acompanhou no início de sua jornada. Aliado à necessidade da prática de uma atividade física e um amigo que praticava diariamente, iniciou à correr pelas ruas da cidade.

“Comecei a correr e me viciei”, salienta Niz que ainda fica ansioso por cada final de tarde, para trocar os sapatos do ofício diário por um par de tênis que o propiciam poder fazer uma das coisas que mais gosta.

O corredor comenta que aprecia a obra de Drauzio Varella, “Correr”, o qual se inspirou para suas práticas esportivas e recomenda aos leitores da Gazeta Informativa. “Segundo o livro, no decorrer da evolução humana o homem foi levado a poupar energia, a gastando em apenas 3 momentos distintos: procriação, defesa e caça. Fora disso, a tendência é não gastar energia, sendo não natural correr para gastá-la.”

A São Silvestre não é uma maratona

Com certeza você e muitas pessoas já mencionaram querer assistir ou participar da “Maratona de São Silvestre”, porém a prova não é uma maratona como mencionam os atletas são-mateuenses que brincam ao contar que no quilômetro (km) 14 existe uma placa que flerta com os participantes informando ser o km 41, sendo alusiva a falha de conhecimento da maioria dos iniciantes.

A maratona virou sinônimo de desafio, mas, quando usamos a palavra maratona é referente à prova olímpica mais longa, difícil e emocionante, realizada nos Jogos Olímpicos. Devido a sua importância histórica, a maratona costuma abrir ou encerrar os Jogos Olímpicos.

Vale lembrar que a São Silvestre é a corrida de maior tradição em nosso país, e que a partir de 1991, seguindo normas da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), passou a ser realizada na distância oficial de 15 km, portando ela não é uma maratona.

A maratona surgiu com um herói grego que, segundo a lenda, sacrificou sua vida para percorrer os 40 Km entre as cidades de Maratona e Atenas, na Grécia. O corredor em questão era Pheidíppides que correu a distância para levar a notícia da vitória grega sobre os persas no ano 490 a.C.

O percurso oficial de uma maratona hoje em dia é de 42.195 metros, distância regulamentada devido outro fator interessante, pois para que a família real britânica pudesse assistir ao início da prova do jardim do Castelo Windsor com chegada no Estádio White City, o percurso da maratona foi alterado em 1908 nos Jogos Olímpicos de Londres.

Alexandre Müller
Alexandre Müller

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