Histórias de Terra e Céu

São Mateus do Sul: a Musa dos Poetas!

Na conversa de semana passada eu contei que o escritor carioca Visconde de Taunay esteve em nossa cidade em 1886, e apresentei os registros que ele deixou no diário de viagem. Mas também prometi continuar mostrando, nesta semana, que nossa cidade inspirou outros dois poetas famosos, um carioca e outro paranaense, ambos ícones da poesia simbolista! Embarque comigo nesta história!

Dário Vellozo (foto desta coluna) nasceu no Rio de Janeiro em 1869. Com 16 anos mudou-se para Curitiba, trabalhando como tipógrafo em jornais e revistas, além de publicar belos textos e poesias. E foi trabalhando para a publicação do Club Curitybano que Dário Vellozo visitou São Mateus de 21 a 25 de outubro de 1892. Em seu diário de viagem ele relata que ficou hospedado na casa de Saporski. Cita os bailes e saraus, repletos de “formosas damas”, registrando “notei que as moças colonas dançam bem”. Relata a pescaria que fez com Plínio Miró, que consistia basicamente em jogar dinamites no Iguaçu e pegar com as mãos os “bagres, pintados, lambaris atordoados pelo choque”.

Dário também narra visitas aos núcleos coloniais e cita que participou da missa “mais por curiosidade” (ele era ateu e maçom). Fala da colônia, toda iluminada por lampiões, e do amanhecer, onde a venda do Flizikowski (sócio de Bodziak) tocava um apito estridente, chamando todos para o café da manhã. Cita o pôr-do-sol de São Mateus como um “lindíssimo crepúsculo”, e descreve a noite falando que “constelações inúmeras cintilavam em céu puríssimo, onde o quarto crescente bordava meigamente um dos cantinhos do infinito”.

Um ano depois, no final de outubro de 1893, outro poeta simbolista viria conhecer São Mateus. Silveira Neto trabalhava para a Revista Azul, e também se hospedou na casa de Saporski nos dias em que registrou a situação local. Na Água Branca ele destaca “uma capelinha construída sobre pequeno morro, de onde se pode espraiar agradavelmente a vista ao redor”. A região de Fluviópolis ele descreve como “poesia rústica, selvagem, a verdadeira poesia!”. Fala da exuberância da natureza mas também cita a miséria dos colonos, abrigados em “estreitíssimos pardieiros”.

A visita à cidade certamente marcou muito os dois poetas. Silveira Neto, 30 anos depois, relembrou sua visão de São Mateus citando: “a fertilidade do solo, exuberando na mata frondosa onde o mate, o pródigo ouro verde paranaense, multiplicava-se folhudo e saboroso…”. Deixou um soneto chamado “Em Viagem” registrado em seu diário, talvez a primeira poesia feita em nossas terras. Acabou voltando mais duas vezes, sendo a última em 1922, para inauguração da prefeitura. Dário Vellozo também demonstrou sua paixão por esta terra no fechamento do seu diário: “A vida em São Mateus era deliciosa. Nunca passei melhor os anos de juventude!”

Esta capacidade de enfeitiçar os poetas seguiria sendo uma característica da Rainha Bela do Iguaçu. Que o digam Arnoldo Prohmann e, mais recentemente, este humilde colunista.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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