Saúde

São Mateus do Sul e região recorrem à União da Vitória por sangue

Fotos: Sidnei Muran/Gazeta Informativa

Banco mantém estoque e cadastra doadores de medula óssea. (Fotos: Sidnei Muran/Gazeta Informativa)

Você precisa de dinheiro e tem uma conta bancaria com saldo. Precisa saldar uma dívida, basta ir ao banco e fazer o saque. Ou ainda, não dispõe de grana, mas tem ‘cheque especial’, podendo sacar um valor e preferivelmente cobre a deficiência posteriormente. Por incrível que pareça algo bastante similar ocorre com o sangue. A Unidade de Coleta e Transfusão de Sangue (UCT) – popularmente conhecido como Banco de Sangue de União da Vitória – possui estoque de tipagens sanguíneas para atende necessidades eminentes.

O atendimento para coletas é de segunda-feira à quinta-feira, das 13h às 16h e sexta-feira, das 13h às 17h. Para doar é necessário chegar, pelo menos, 30 minutos antes do fechamento, afim de realizar cadastro e passar pela triagem. Todos os tipos sanguíneos são necessários na composição do estoque. As tipagens O+ e O- são as mais requisitadas. Por ser o mais comum (e utilizado) e doar para todos, na ausência do tipo específico, respectivamente.

Procedimento de doação


Para doar basta levar um documento oficial com foto (identificação, habilitação, passaporte ou carteira de trabalho), pesar no mínimo 50 quilos, estar em boas condições de saúde e se dirigir a unidade. Ainda, a doação carece de aval médico e teste de anemia. Mais informações: (042) 3522.1365. Idade 18 e 61 anos ou até antes de completar 70 anos para doadores frequentes. De 16 a 18 podem doar acompanhados do responsável legal que autoriza o ato.

Todo voluntário é atendido e é primordial na recomposição do estoque, repassado conforme a necessidade. Os municípios da região têm a possibilidade de agendar grupos de doadores e fornecem transporte, com agendamento prévio. Ou então, qualquer pessoa da região pode seguir até a unidade, localizada no Centro de União da Vitória, Rua Castro Alves, 26 e se candidatar à doar.

O processo se concretiza após consulta médica e teste de anemia, que fazem parte da triagem. O tempo gira na casa de 50 minutos, mas podendo ser ampliado de acordo com o fluxo de doadores. Contudo há o consenso que de quem doa sangue, também doa tempo.

Necessidade de sangue

Ao sofrer um acidente, ou então passar por cirurgia ou tratamento médico, muitas pessoas necessitam de recompor o sangue perdido, em decorrência do trauma ou cirurgia posterior. Ele é um tecido vivo e renovável que circula ininterruptamente pelas artérias, veias e interior do coração, sob a forma líquida, levando oxigênio e nutrientes a todas as partes do corpo e conduzindo o gás carbônico para ser eliminado pelos pulmões.

Sua composição se forma por partes chamadas de plasma, plaquetas, hemácias, leucócitos etc., cada uma delas com funções específicas. Além disso, carrega proteínas, elementos do sistema imunológico e fatores de coagulação, entre outros. O sangue é produzido na medula óssea dos ossos chatos, como vértebras, costelas, bacia, crânio e esterno.

Como ocorre uma transfusão?

Para realizar a transfusão é necessário ter a bolsa coletada de mesmo grupo sanguíneo e fator RH (+ o -). A tipagem O-, por exemplo, pode doar para todos os outros, mas só recebe dele próprio. Por sua vez o AB+ é o receptor universal, na ausência do mesmo tipo, pode receber de qualquer dos outros grupos (conforme a tabela, na página 20, ao lado).

A função da UCT de União da Vitória nada mais é que estocar as bolsas doadas e fazer os devidos repasses conforme as solicitações médicas, devidamente prescritas, por meio da requisição de transfusão (RT). Para exemplificar, um médico do Hospital Paulo Fortes verifica que seu paciente necessita de recomposição de sangue ou componente (hemácias, plaquetas, plasma, etc.). Ele faz o pedido, retira amostra do receptor e encaminha para o Banco de Sangue.

No departamento o profissional que recebe a demanda realiza todos os testes imunohematológicos e de compatibilidade para em seguida destine o hemocomponente solicitado. Disso a necessidade de manter estoque regulares, de todas as tipagens, e servidor sempre à disposição 24h por dia e o ano todo (ou na unidade ou em regime de plantão permanente). A liberação, nos casos de extrema urgência, são feitas no menor tempo possível, em poucos minutos após receber a RT e concluir os testes.

Pelo entendimento do receptor (e família) é importante a reposição de sangue. Esse procedimento cabe à Casa Hospitalar de informar aos familiares e indicar a chamada ‘reposição’ ou então por meio de divulgação institucional. Para tanto, o voluntário vai até a unidade de coleta e indica que deseja repor para esse paciente que recebeu hemocomponentes, citando seu nome completo. Isso ajuda a manter o fluxo e o estoque, servido sempre as pessoas que precisam.

De um montante total (desde o início do ano até 30 de novembro) foram transfundidos 1.904 componentes na região, encaminhados pela unidade de União da Vitória. Desses 178 seguiram para pacientes de São Mateus do Sul, na sua maioria hemácias que totalizaram 133 bolsas.

Contudo, o número de doadores do município cadastrados fica muito aquém dos demais. São pouco mais de 100 são-mateusenses no banco de dados, enquanto que cidades como Bituruna e Cruz Machado, mesmo sendo menores tem mais de 500 voluntários cada. União da Vitória lidera a listagem com quase quatro mil e Porto União vem em seguida com cerca de dois mil.

Doações e a hemorrede

Para manter o bom funcionamento do serviço é importante que todos os cidadãos da região façam suas doações. Isso de forma voluntária, sem saber o bem a quem faz! A UCT atende hospitais da própria cidade, de Porto União, São Mateus do Sul, Paulo Frontin, Bituruna, General Carneiro e Cruz Machado.

A unidade é para do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), prestadora de Serviços da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) e formada por 22 unidades, centralizado em Curitiba. “Temos o hemocentro coordenador, os regionais, hemonúcleos e unidades de coleta e transfusão”, explica o presidente do órgão, Paulo Roberto Hatschbach. “A gente divide pela complexidade, mas a tecnologia e eficiência é igual em todas as unidades. A qualidade é igual em todas”, afirma o gestor do Hemepar.

A hemorrede ajuda, no sentido de organizar a sistemática de coleta e distribuição de sangue em unidades que necessitam. De certa forma, as coletas de União da Vitória são suficientes para suprir as transfusões regionais, salvo quando de uma tipagem que o banco não dispõe. Quando isso ocorre aciona a rede e Curitiba direciona o tipo ou componente solicitado.

Paulo, também, comemora a realização de concurso público recente e sinalização de contratação de profissionais para atuarem nos serviços de hemoterapia em todas as unidades. Segundo ele, o estado, também, tem investido em equipamentos. Na visão do diretor geral da SESA, Sezifredo Paz, as ações de governo permitem o atual equilíbrio fiscal. “Isso está propiciando que todas as políticas públicas sejam desenvolvidas a contento”, afirma.

No seu entendimento, também, é primordial a compreensão da população frente a medidas, muitas vezes até impopulares, mas necessárias para a gestão. Sezifredo lembra que muitos estados brasileiros estão em situação fiscal bem complicada. Diferentemente do Paraná, que tem mantido programas essenciais e investido em melhorias. “Temos acompanhado a desestruturação de toda rede assistencial e programa de prevenção sendo abandonados. Aqui no estado não ocorre isso e, pelo contrário, temos conseguido até investido em melhorias”.

Em União da Vitória, o doador João Maria de Almeida encerrou seu ciclo, completou 70 anos a poucos dias, ao longo da vida foram mais de 50 doações.

Em União da Vitória, o doador João Maria de Almeida encerrou seu ciclo, completou 70 anos a poucos dias, ao longo da vida foram mais de 50 doações.

Transplante de medula

Eraldo Muchinski teve em sua irmã, Joseane Muchinski, doadora compatível de medula óssea em 2015. Caso que chamou atenção de São Mateus do Sul e motivou muitas pessoas em aderirem no sistema que permite transfundir células. Esse procedimento é chamado de transplante de medula óssea, num tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como as leucemias e os linfomas.

Nele há substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula óssea, com o objetivo de reconstituição saudável. Ali se localizam as células-tronco hematopoéticas, responsáveis pela geração de todo o sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas).

As células-tronco hematopoéticas também circulam no sangue periférico (caso estimuladas com medicamento fator de crescimento), podendo ser coletadas por aférese, e no sangue do cordão umbilical, quando são coletadas após o nascimento do bebê. Por isso, o termo transplante de medula óssea tem sido substituído por transplante de células-tronco hematopoéticas” para estes procedimentos.

Cadastro suficiente no estado

“Na verdade o Paraná já tem 5% da população cadastrada e 3% já permite o mapeamento genético da população estadual”, explica Luana Cristina Heberle, enfermeira da central de transplantes. Isso indica que cadastrar novos candidatos à doadores de medula óssea não é o foco do órgão que regula o cadastramento do banco de voluntário interessados em doar.

“O investimento necessário hoje é nas pessoas que já tem o doador localizado, identificado e aguardando o transplante”, acrescenta a servidora. Para tanto, existe uma portaria que limita o cadastro isso para fazer boa gestão do dinheiro público. “Precisamos investir no que está sendo mais necessário.”

336 pessoas estão, no Brasil, com doador localizado e aguardando o transplante, de acordo com dados informados neste mês. Todos eles já têm doador identificado e compatível. “É necessária toda uma estrutura humana e de hospital para viabilizar esse transplante. É nisso que estão sendo investido, no momento, os recursos”, completa a enfermeira.

Quem precisar de um transplante no Paraná a chance, de acordo com esse mapeamento genético, a chance de encontrar um doador compatível é bem grande. O sistema disponibiliza cotas anuais, no caso do estado são 32 mil cadastros novos por ano. Na região, o Banco de Sangue de União da Vitória é braço na região do serviço, que estará suspenso a partir de 30 de novembro, retornando em 2017.

Como funciona a doação!

“Eu não posso te dar informações frente a isso, por não ser área específica do meu trabalho. Mas posso dar um testemunho”, relata a profissional. Quebrando um mito popular que pressupõe ditos populares errôneos e que acabam por confundir o povo. Essas falácias difundem questões que não ser relacionam com a real informação de procedimentos. “Mas posso dar um testemunho pessoal. Um amigo meu foi doador de medula e posso dizer que foi muito simples”, detalha. Luana relata que, em geral o processo é similar a doação de sangue.

A diferença se faz por conta do tipo de doença que o receptor tem. Contudo, a sensação de doar é inigualável. O procedimento habitual implica na aplicação de medicamento e a coleta é bem similar a sanguínea. “Usa uma agulha muito pequena para aplicar a medicação e fazer com que a medula migre para veias periféricas. Depois o procedimento de doação é bem parecido com o de sangue”.

Doação de órgão

“É outra forma de ajudar o próximo”, observa a enfermeira que, também, trabalha nesse serviço estadual. Para tanto, basta avisar a família do interesse e nem precisa deixar nada assinado em vida. “O familiar ou responsável legal que decide isso, baseado na vontade do doador, dito ainda quando ele estava vivo”.

Quando a pessoa falece, muitas vezes em consequência de acidentes, seus órgãos podem ser retirados e transplantados, permitindo sobrevida para pessoas que aguardam nas filas por transplantes. É peculiar, ainda, o entendimento de que ao se finda a vida, o responsável pelo falecido, da mesma forma que precisa liberar o corpo no Instituto Médico Legal, responde de forma favorável ou contraria a essa doação.

Sidnei Muran

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