Os Caminhos do Desenvolvimento

São Mateus do Sul: futuro Polo Tecnológico?

“Vocês não tem noção do potencial existente aqui!”. Essa foi a frase utilizada pelo Prof. Carlos Alberto do Nascimento ao resumir a Exposição Tecnológica SEMA que encerrou o Mês do Empreendedor 2016. Nascimento é professor da UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste – e um dos responsáveis pela condução da INTEG – Incubadora Tecnológica de Guarapuava – que ao estar presente na exposição, também ministrou uma palestra sobre “A Implantação de uma Incubadora Tecnológica em São Mateus do Sul”, falando da importância do sistema para abrigar empresas nascentes. Na palestra estavam empresários, professores, líderes de entidades produtivas e agentes políticos locais que estarão assumindo o executivo e legislativo do município no próximo quadriênio.

A mostra reuniu projetos realizados pelos alunos dos cursos técnicos em Eletrotécnica e Mecânica, demonstrando na prática o que a tecnologia pode proporcionar ao dar eficiência a processos industriais, aperfeiçoando ou reduzindo etapas, e facilidades e melhorias no uso de equipamentos percebidos diretamente pelo usuário final. Aos olhos clínicos do Prof. Nascimento, habituados a avaliar projetos para serem incubados e absorvidos pelo mercado, muitos dos trabalhos apresentados tem forte potencial de desenvolvimento. “Até ontem, percebia apenas o potencial da erva-mate, que deve sim ser explorado e desenvolvido, mas depois do que vi já existir aqui em estrutura e conhecimento, digo que São Mateus do Sul pode se transformar em um polo tecnológico”, afirmou Nascimento, completando ainda que a criação de uma incubadora local é “algo para ontem”.

Um polo tecnológico designa um ambiente industrial que concentra recursos humanos, laboratórios e equipamentos que tem como resultado a criação de novos processos, produtos e serviços industriais. Porém, o simples fato de existir um agrupamento de empresas e instituições de pesquisa científica não se transforma automaticamente em um polo, pois segundo a experiência de municípios que já detém esse título, é necessária principalmente a disposição ao intercâmbio entre os agentes envolvidos e arranjos institucionais pouco burocratizados e ágeis para facilitar a difusão dos progressos técnicos. Os polos podem ser formais ou não, sendo a única diferença a existência de uma entidade coordenadora formalmente constituída para o caso de se formalizar o polo, estando as empresas e instituições de pesquisa dispersas pelo município nos dois casos. Ainda há o chamado parque tecnológico, quando as empresas estão reunidas em um mesmo local, dentro do campus de uma universidade, ao lado desta ou em uma área próxima.

É consenso entre líderes locais que não devemos apenas aguardar ou incentivar a instalação de grandes empresas no município, devemos cuidar daquilo que temos internamente e que ainda não foi percebido como potencial econômico. “A saída para estimular o crescimento econômico de São Mateus do Sul é o investimento tecnológico, esperar que multinacionais se instalem aqui é absurdo quando podemos fazer a diferença com este celeiro de talentos que temos em nossa casa”, afirma Carlos Roberto Chaves, professor coordenador do curso de Eletrotécnica do SEMA. Para Chaves, “a EXPOTEC SEMA 2016 foi um marco de convergência entre a iniciativa privada, sociedade e poder público”, o que demonstra que nossa cidade pode ter muitos desafios, mas não está mais sentada sobre suas próprias oportunidades. Está despertando para seus diversos potenciais de desenvolvimento.

Ingrid Ulbrich
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