Saúde

São Mateus do Sul na campanha contra a sífilis

A Secretaria Municipal de Saúde de São Mateus do Sul realiza testes para doenças virais gratuitamente. Basta levar um documento de identificação. O resultado fica pronto na hora. (Fotos: Cláudia Burdzinski)

Aqueles sintomas que chegam de quietinho, sem apresentar dores ou qualquer tipo de preocupação. Sumindo antes mesmo que você se preocupe, depois de alguns meses, acaba voltando como machucados espalhados pela palma da mão e sola do pé. Passa-se alguns anos, e as feridas juntamente com os sintomas simplesmente desaparecem. Na última fase da doença, ela reaparece potente, deformando os ossos e atacando o cérebro e a face.

Essa doença está mais perto do que imaginamos. Estamos falando da sífilis, enfermidade que ainda toma grandes proporções no território nacional. Sendo uma Doença Sexualmente Transmissível (DST), a sífilis inicia com um machucado nas áreas genitais, ficando evidente para homens e escondido dentro da vagina sem chamar muito a atenção das mulheres. Ela também pode aparecer sorrateira na garganta e na região do ânus.

Um dos principais problemas da enfermidade é a falta de sintomas no seu início, que mascara a doença para a procura de um tratamento. O mais preocupante disso tudo são as fases que a sífilis aparece (fase primária, fase secundária, fase latente e fase terciária), que aumentam a expressividade da bactéria, nomeada de Treponema pallidum.

No seu ápice, a sífilis pode atacar, a curto ou longo prazo, o cérebro, mudar a estrutura dos ossos, deformar o rosto e matar os seus futuros filhos. Pode até parecer exagero no contexto silencioso em que a sífilis aparece, mas a realidade é exatamente essa se a doença não for tratada para evitar possíveis problemas.

Em outubro de 2016, o Ministério da Saúde reconheceu que a situação estava fugindo do controle e decretou a epidemia. Desde 2010, quando os hospitais passaram a ser obrigados a repassar seus dados sobre a doença para o ministério, foram notificados quase 228 mil novos casos. Só entre 2014 e 2015 houve um aumento de 32% nos casos de sífilis entre adultos, e mais de 20% em mulheres grávidas.

Cada fase da doença determina o quão dominado ele está pelos micro-organismos. A primeira é rápida (dura no mínimo quatro e no máximo oito semanas) e se manifesta como uma ferida indolor que desaparece sozinha, sem deixar rastros. O fato de o machucado não doer está longe de ser bondade. É estratégia de sobrevivência das bactérias. Se não dói, dá para transar e disseminá-las.

A segunda fase é ainda mais favorável para os micróbios. A doença volta a dar as caras entre seis semanas e seis meses após os machucados genitais sumirem. O infectado pode apresentar feridas pelo corpo, manchas vermelhas e, sobretudo, lesões nas mãos ou nos pés, que podem ser confundidas como uma alergia e ser tratada como tal.

Na fase latente, que pode durar até 40 anos, a sífilis fica reclusa. Na verdade, ela perde até seu caráter infeccioso, ou seja, o portador não passa mais a bactéria para frente. Fica tudo bem até explodir a sífilis terciária, fase aguda da doença. As úlceras que começam a brotar pelo corpo são tão agressivas que, em regiões de contato direto da pele com ossos, como no crânio, o esqueleto começa a ser corroído.

Quando a bactéria finalmente ocupa o cérebro, o infectado começa a sentir alterações de humor e pode desenvolver demência. É a chamada neurosífilis. Nesta última fase, finalmente, transar não ameaça mais aos outros. A sífilis deixa de ser infecciosa e quer acabar somente com o portador.

Sífilis em São Mateus do Sul

Segundo a Enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica de São Mateus do Sul, Vanessa Santos Andrade Hancz, os casos no Paraná aumentaram gradativamente nos últimos anos.

Todas as pessoas podem se dirigir às unidades de saúde e realizar o teste (que leva menos de 10 minutos), de forma gratuita e sigilosa. Nesse ano, o município teve 4 casos de sífilis congênita (bebês que nasceram com a doença) confirmados.

Vanessa enfatiza que o tratamento para a sífilis varia de acordo com a fase da doença. São aplicados no organismo injeções de penicilina. “É importante que as pessoas saibam que a sífilis tem cura. Tanto a pessoa, quanto o parceiro precisam passar pelo tratamento”, explica.

No último sábado, (23), a equipe da Secretaria Municipal de Saúde, realizou uma ação no Ambulatório Central localizado na Vila Prohmann. Na ocasião, foram feitos os testes rápidos para sífilis, HIV e Hepatite B e C. “Aproximadamente 80 pessoas estiveram presentes na ação. Encontramos alguns casos confirmados de sífilis nesses testes”, afirma a enfermeira.

Para a realização destes testes, basta procurar as Unidades de Saúde de São Mateus do Sul e portar um documento de identificação. Os testes positivos passam por acompanhamento periódico junto da equipe de saúde.

Fases da sífilis

1. Primária – De 4 a 8 semanas:
No início, o único sintoma é uma ferida, indolor, na área infectada (pênis, vagina, ânus ou garganta). O machucado some no fim dessa fase.
2. Secundária – De 2 a 6 meses:
Os principais sinais são machucados pelo corpo. Eles aparecem espalhados, mas se concentram na palma das mãos e nos pés.
3. Latente – De 2 a 40 anos:
As feridas e os sintomas desaparecem. A partir desse estágio, ela não é mais contagiosa.
4. Terciária – Até a morte:
A sífilis reaparece potente: deforma as pernas e ataca o rosto e o cérebro.

Levantamento dos casos de sífilis no município

Na população em geral:
2016 – 10 casos
2017 – 50 casos
2018 – 13 casos (até a presente data)
Em gestantes:
2016 – 19 casos
2017 – 19 casos
2018 – 11 casos (até a presente data)
Sífilis congênita (bebês que nasceram com a doença):
2016 – 6 casos
2017 – 13 casos
2018 – 4 casos (até a presente data)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Campanha de Prevenção de Hepatites Virais acontecerá no próximo sábado
Edital de licitação para a construção da nova sede do Hospital está aberto
Divulgado o calendário de vacinação em São Mateus do Sul