Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

São Mateus do Sul recebe oficialmente o Selo de Indicação Geográfica (IG) da erva-mate São Matheus

Na foto, alguns dos principais colaboradores para a conquista do Selo da Ig-Mathe em frente ao Paço Municipal e junto da placa com o símbolo da IG-Mathe São Matheus. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

O lema: “Tradição, História e Qualidade” enfim foi consolidado em cerimônia realizada no dia 21 de setembro, com a entrega do selo de Indicação de Procedência à erva-mate São Matheus, em frente ao paço municipal, mesma data que marcou o 109º aniversário de São Mateus do Sul e junto às festividades brindou-se a conquista com os munícipes.

Algumas regiões do mundo tornam-se conhecidas por conta de seus produtos típicos. O Champanhe trouxe notoriedade à região de Bordeaux na França, o Queijo Canastra é porta-voz das serras de Minas Gerais, o Café é o grande anfitrião no Norte do Paraná e os Vinhos são notadamente o produto que ajuda a dar identidade à Serra Gaúcha. Não é diferente na região de São Matheus. Há mais de 100 anos, a região vem cultivando seus ervais seguindo métodos tradicionais de produção, sombreada pelas copadas de araucárias e árvores nativas da Mata Atlântica no Vale do Rio Iguaçu. Em São Mateus do Sul, a Erva-Mate se tornou cultivo e cultura, sabor e saber, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do Paraná, da Região Sul, e de toda a nação brasileira.

O desfecho de uma luta consolidada e apadrinhada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (SEBRAE/PR), junto dos produtores ervateiros de São Mateus do Sul e região, que ao longo de quatro longos anos, percorreram os caminhos necessários para adequar as práticas produtivas do setor seguindo os melhores padrões de qualidade, tendo como objetivo, proteger o saber fazer, valorizar nossa cultura e publicar mais um capítulo na bela história por trás da cadeia produtiva da Erva-Mate em nosso território.

O processo de pesquisa do SEBRAE iniciou com a busca de quais produtos poderiam possuir o potencial para a indicação geográfica; e nesta pesquisa uma lista de 30 produtos foi elencada, sendo 10 destes qualificados para receberem o apoio do referido órgão e a erva-mate de nossa região obteve o primeiro lugar com louvores nesta primordial pesquisa. O próximo passo foi apresentar a ideia aos produtores que se sentiram honrados e acreditaram no potencial. Sendo assim, foi necessário revisitar a história, retornar às origens, envolver a comunidade local, solidificar as parcerias entre os ervais e as ervateiras e documentar todo o processo que somou por si só, cerca de 1.500 páginas envolvendo os municípios de Antônio Olinto, Mallet, Rebouças, Rio Azul e São João do Triunfo, haja vista a inerente relação histórica, cultural e social na produção ervateira. Em 2015 chegou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), onde foi protocolado o pedido de registro da Indicação Geográfica São Matheus visando à proteção do patrimônio natural e cultural da Erva-Mate, pedido este aprovado neste ano. “Fomos a primeira e não perderemos este título pois não fomos nós quem a fizemos, quem a fez foram nossos antepassados, nós juntamos a documentação, aliamos isso aos fatos históricos e critérios técnicos para oficializarmos, tudo baseado no estatuto da Associação dos Amigos da Erva-mate e o Regulamento de Uso – ambos registrados no INPI”, afirma Ronaldo Toppel Filho, presidente da IG-Mathe.

O sucesso foi almejado pelos produtores que atenderam aos procedimentos para o alcance das Boas Práticas Agrícolas (BPA) e que receberam durante a cerimônia seus certificados do Professor e Doutor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Agenor Maccari Junior, que conduziu o processo para o alcance das boas práticas agrícolas por parte dos produtores de Erva-Mate de São Matheus, são eles: Adriano Wieczorkovski, Victor César da Silveira, Divercindo Morandi, Helinton Himério Lugarini, Helio Burdzinski, Olando Buaski e Patrícia Moreira Bochenek Toppel.

A primeira Indicação Geográfica (IG) de erva-mate do Brasil

Devemos prestar bastante atenção a seguinte afirmação do presidente da IG-Mathe São Mateus, “sempre que falarmos em melhor erva-mate do mundo, não é o INPI que atesta isso e nem o Selo da Indicação Geográfica (IG), sou eu ‘o povo são-mateuense’, que como consumidor do chimarrão ou da erva-mate e seus derivados, pode afirmar a nossa erva-mate como a melhor do Brasil e quem sabe do mundo, o selo do IG e a INPI não atestam isso e sim, apenas que nossa erva é diferenciada e é um produto único!”, diz Ronaldo.

A conquista do selo marcada na cerimônia de aniversário da cidade foi considerada por Toppel como, “uma satisfação muito grande, estou extremamente contente por termos alcançado esse objetivo. Mas com a repercussão, com o resultado e principalmente a aceitação do povo, vi que o desafio é muito maior. Vamos precisar de muito mais gente para trabalhar e fazer com que essa IG se desenvolva e seja viável e que vá para frente”, eis o início de um trabalho ainda maior que não ficará estancado somente com a entrega do selo, pois o próximo passo de acordo com os membros da Associação dos Amigos da Erva-mate é estruturar a associação, recompondo todo o quadro de colaboradores e trazer mais pessoas interessadas em entender melhor a IG, e o objetivo no próximo passo é o trabalho da segunda turma para as Boas Práticas Agrícolas, “queremos qualificar mais produtores para que eles possam ter potencial para ter ervais passíveis do selo IG”, além da estratégia de colocar este produto no mercado, extrapolando barreiras físicas para que tenha ainda mais alcance do que ela já possui.

Ronaldo Toppel conclui, “a importância da IG é o reconhecimento de um trabalho, de uma cultura, que sempre fez parte da história e que por muitas vezes foi vista de forma secundária ou complementar, e na verdade possui uma importância muito maior para toda a cultura do município e região. Nós temos culturas que geram mais valor como a soja e a batata, mas uma particularidade da erva-mate é que em quase todas as propriedades rurais ela gera renda e a quantidade de mão de obra que é necessária para ela, mantém muito desta população ainda no interior da cidade”.

“O nosso futuro quem faz somos nós! Aconselho as pessoas que não acreditam na erva-mate, que elas se dediquem a alguma outra coisa e planejem o futuro de uma forma melhor do que estamos fazendo, pois este empenho que estamos tendo, com esse ânimo da equipe, com certeza teremos o objetivo de poder dizer que São Mateus do Sul é melhor do que era ontem, e isso é muito importante”, enaltece Ronaldo Toppel.

Alexandre Müller

Alexandre Müller

Repórter | E-mail para contato: alexandre@gazetainformativa.com.br
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