Exemplar do popular Mosquito da Dengue, caracterizado pelo corpo preto com bolinhas brancas.
(Fotos: Divulgação Boletim da Dengue)

O Paraná passa por uma grande infestação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypt. Os dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que dos 399 municípios do estado, 334 estão infestados, ou seja, apenas 65 municípios se encontram em condição confortável em relação a dengue, São Mateus do Sul está entre eles.

O índice de infestação predial (IIP) é a relação expressa em porcentagem entre o número de imóveis com casos positivos de focos da dengue e o número de imóveis pesquisados. A partir dos indicadores de IIP obtidos, os municípios são classificados de acordo com o risco para desenvolvimento de epidemia, sendo os municípios considerados em condições satisfatória quando o IIP fica abaixo de 1%, em condição de alerta quando este índice está ente 1 e 3,99% e em risco de desenvolver epidemia quando o índice atinge 4%.

Como São Mateus tem o índice abaixo de 1, significa que são satisfatórias as medidas de combate à dengue no município. Medidas essas que em grande medida passam pela conscientização da população em não deixar água parada, lixo acumulado, caixas de água descobertas, entre outros fatores.

Explicando os dados

O boletim da SESA diz que há 334 municípios com infestação do mosquito da dengue. Mas isso não quer dizer que em todos eles há a chance de se desenvolver uma epidemia. São 85 municípios os que têm o IIP satisfatório, 134 estão em alerta, 99 não informaram à SESA seus resultados e 79 estão na bandeira vermelha da dengue, isto é, têm chance ou já desenvolveram uma epidemia do mosquito.

Mapa divulgado pela Secretaria de Saúde do Paraná que mostra os municípios infestados pelo mosquito.

Aparentemente a conta não fecha, pois o número de municípios em alerta e em risco somados é menos do que 334. Porém, na conta de disseminação do mosquito não entram apenas os dados do índice de infestação predial – a contagem de focos nos domicílios –, mas também se os vetores foram encontrados em algum momento ou se houve registro de contaminação nativa. Em qualquer dos fatores que se considere, no mais recente relatório da SESA, São Mateus apresenta resultados satisfatórios.

Casos em anos anteriores

No final de dezembro de 2018 foi confirmado um caso de dengue em São Mateus do Sul. O paciente era um morador da Vila Amaral, que chegou a ser internado pois sentia os sintomas da doença. Por conta disso, em janeiro de 2019 foi realizada a pulverização de um inseticida que acaba com os focos do mosquito. Na ocasião oito ruas do município foram “dedetizadas”.

Em março do ano passado, ainda antes da pandemia do coronavírus ser declarada no Brasil, os agentes da Vigilância Sanitária de São Mateus do Sul encontraram infestação de focos do mosquito em todos os bairros do município. Naquele período duas pessoas sentiram sintomas da doença, mas como eram moradores de outra região do estado, considerou-se improvável que a contaminação tenha ocorrido aqui.

Já em outra ocasião um pouco mais antiga, em 2016, agentes do combate à dengue de São Mateus do Sul localizaram larvas do mosquito Aedes albopictus na região central do município, próximo ao Pronto Atendimento. Os focos já eliminados assim que encontrados.

O Aedes albopictus tem muitas semelhanças com o Aedes aegypti. A principal delas é que ele também é um transmissor potencial de doenças como dengue, febre amarela, Zika e Chikungunya. Pode ser encontrado tanto na zona urbana quanto na rural, alimenta-se de sangue humano ou do sangue de qualquer outro animal e é mais resistente ao frio que o Aedes aegypti.

A prevenção é o melhor caminho

Não é porque São Mateus conta com resultados satisfatórios no combate à dengue que se pode relaxar nos cuidados. Manter a atenção é muito importante para o município manter os bons resultados obtidos nos últimos relatórios da SESA.

Água acumulada em lixo plástico. Qualquer quantidade é suficiente para as larvas sobreviverem.
(Foto: Alexandre Douvan/Gazeta Informativa)

Portanto é necessário cuidar com o descarte de garrafas pet ou de vidro, para sempre estarem com o gargalo virado para baixo, não deixar água acumular em lajes ou calhas, limpar o coletor de água da geladeira, tapar ralos, manter piscinas limpas e usar cloro e sempre ter atenção com possíveis focos na rua, como lixo acumulado.

Procure atendimento médico em qualquer caso de suspeita de dengue, com febre acima dos 39º, enjoo, vômitos, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, manchas vermelhas na pele, dor nas articulações, sangramento nasal, urina rosa, vermelha ou marrom.

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