(Imagem Ilustrativa)

Vivemos, mais uma vez, um momento difícil, onde a humanidade precisa se reencontrar. Se olharmos para trás, veremos que muitas nações se dividiram, povos guerrearam e muitos morreram por falta de entendimento e de respeito uns para com os outros.

As pessoas que passaram pelos últimos momentos difíceis já morreram e me parece que muitos de nós não gostam de ler livros de história ou assistir documentários sobre o que levou o homem a batalhas sem sentido.

Brigamos por diferenças políticas, por questões religiosas, por conta da cor da nossa pele e por tantas outras coisas.

Quando tudo acaba, pensamos: como pode a humanidade lutar por conta disso, como um povo decidiu seguir algum líder desorientado, louco ou tomado pela ânsia do poder a qualquer custo. Milhares e até milhões de vidas são perdidas para manutenção de vaidades e privilégios pessoais e não por algo importante, se houvesse algo tão importante que justificasse uma guerra ou a divisão, o afastamento das pessoas.

O mundo parece cada vez mais polarizado e espero que encontremos uma força capaz de nos aproximar novamente. Sinto-me pessimista em relação a isso, pois nem mesmo um flagelo mundial, como o causado pelo Coronavírus foi capaz de unir os povos e aproximar as pessoas, já que é um mal que atinge a todos. Pelo contrário, causou ainda mais divisão, pois os oportunistas plantam a discórdia, a desunião em troca de vantagens pessoais.

Lembro aqui um trecho escrito por Carl Sagan, quando, em fevereiro de 1990, a sonda Voyager I se preparava para deixar o Sistema Solar e, passando por Saturno, voltou suas lentes para um mínimo e pálido ponto azul que parecia, magicamente, flutuando e sustentado por um raio solar. Como se tivéssemos, na Terra, importância na vastidão do Cosmos:

“Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada superstar, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua glória e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginária auto importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz… Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos… o pálido ponto azul.”

Num filme russo, que retratava a vida na virada do século XX, antes da Revolução Russa de 1914, duas das personagens discutiam questões ideológicas entre o capital e trabalho e cada qual defendia seu posicionamento. Questionaram um dos protagonistas da história quanto ao seu posicionamento, ao que ele respondeu: “acredito que precisamos nos concentrar nas nossas semelhanças e não nas nossas diferenças”. Mas foi ignorado, pois a fala do bom senso é difícil de ser ouvida.

Tal qual na história do filme, acentuamos nossas diferenças, mesmo quando tentamos falar da proteção das minorias. O orgulho fala mais alto que a humildade.

Adnelson Borges de Campos
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